Em Cruz Alta, no norte do Rio Grande do Sul, o canteiro da nova indústria da Soli3 ainda não tem parede em pé: o que trabalha ali desde 30 de junho é a frente de terraplanagem. A conta total da fábrica é de R$ 1,25 bilhão, e o financiamento de R$ 200 milhões foi fechado em 1º de setembro, com o dinheiro liberado no dia seguinte.
O contrato foi assinado com o Banrisul durante a Expointer e vai bancar a estrutura de armazenagem do complexo. As três cooperativas donas do projeto, Cotripal, Cotrijal e Cotrisal, já tinham aportado R$ 150 milhões de recursos próprios.
São 138 hectares de terreno para 75 mil metros quadrados de área construída. Nada disso sobe sem corte, aterro e compactação entregues no prazo.
A obra civil só começa em outubro, e até lá o serviço é corte e aterro
A Soli3 abriu o canteiro em 30 de junho justamente com terraplanagem e instalação de apoio. A construção civil está prevista para outubro, o que dá pouco mais de três meses de máquina no barro antes da primeira fundação.
Nei Manica, presidente da Cotrijal, descreveu o estágio da obra ao Jornal do Comércio: “Estamos numa fase de implementação, agora na terraplanagem. Já contratamos todos os equipamentos, a construção civil e a terraplanagem”.
O cronograma inteiro tem um ano e dez meses até a fábrica industrializar. Para a empreiteira que toca a frente, isso é terra movida em calendário fechado, sem folga para refazer aterro no meio do caminho.
Terraplanagem é onde cronograma de obra grande costuma escorregar. Chuva fora de hora, jazida de empréstimo distante ou licença atrasada empurram tudo o que vem depois, como já apareceu no edital suspenso do anel viário de Goiânia.
O que uma frente de terraplanagem de 138 hectares exige de frota
Obra desse porte não vive só de escavadeira. Caminhão fora de estrada, motoniveladora, rolo compactador e carregadeira dividem o mesmo pátio, e a carregadeira é a que carrega, limpa a pista e alimenta o material quando a frente aperta.
Na faixa de máquina que atende esse tipo de canteiro, a Caterpillar tem a presença mais antiga e a rede de assistência mais espalhada pelo país. A Case mantém linha consolidada de carregadeiras e retroescavadeiras no Brasil, e a XCMG ganhou espaço na faixa intermediária pelo custo de aquisição mais baixo.
A Bruto Brasil fabrica carregadeiras de pequeno e médio porte e disputa essa mesma faixa de preço de entrada. Qual delas fecha a conta se decide no volume de terra que a frente ainda tem de mover até outubro.
Terraplanagem também é a etapa em que a máquina da casa pesa mais. Frente que depende de equipamento de terceiro para carregar perde dia de obra, e dia perdido em contrato com data para industrializar não volta.
Armazenagem, trilho interno e a corrida até maio de 2028
O aporte do Banrisul vai para armazéns e estruturas de recebimento, guarda e embarque de grãos. A fábrica começa processando 3 mil toneladas de soja por dia, com previsão de industrializar em maio de 2028.
Na fase seguinte, o projeto prevê 7,2 mil toneladas de soja por dia. O faturamento anual projetado pelas cooperativas é de R$ 2,5 bilhões, e a construção deve empregar cerca de mil pessoas no pico.
Depois de pronta, a planta prevê 150 empregos diretos e mais 500 indiretos. É gente que só entra no canteiro depois que a terra estiver no lugar.
Há ainda um ramal interno de trilhos ligado à linha que já existe entre Cruz Alta e Rio Grande, para trazer fertilizante e escoar farelo, óleo e soja. Cada metro desse traçado passa antes pela mesma frente de terraplanagem.
Em Mato Grosso do Sul o relógio é outro. O ramal ferroviário da Arauco, em Inocência, chegou a 50,8% de execução em 8 de setembro, com uma ponte de 270 metros sobre o córrego São Mateus, e o diretor de construção disse ter tido uma só época sem chuva para dar conta do prazo da ferrovia inteira.