Ituiutaba, no Triângulo Mineiro, acabou de entrar num mapa de R$ 600 milhões. A Nestlé confirmou na quinta-feira (3) que vai erguer ali uma planta industrial de fórmulas infantis, do lado do complexo de lácteos que já opera no município.
São 11 mil metros quadrados de área construída, com capacidade para 40 mil toneladas por ano. A obra começa em 2027 e a unidade entra em operação no segundo semestre de 2028.
O aporte em Ituiutaba é a ponta de um pacote maior. Segundo o InfoMoney e a Forbes Brasil, são R$ 2 bilhões para a divisão de Nutrição e Saúde, dentro do ciclo de R$ 7 bilhões que a Nestlé abriu no Brasil para o período até 2028.
Na conta de emprego, a empresa projeta cerca de 700 postos durante as obras e 100 diretos quando a linha ligar. É gente e caminhão entrando pelo mesmo portão por quase dois anos seguidos.
Antes da primeira lata sair, vem a terra e a carga
Fábrica de 11 mil metros quadrados não nasce pronta. Antes do concreto vem limpeza de terreno, corte, aterro, greide e a brita que chega de caçamba em caçamba.
Depois disso o canteiro vira pátio de movimentação.
Bloco, tubo, estrutura metálica e pallet de insumo passam o dia sendo carregados e descarregados na boca da doca. O gargalo é sempre o mesmo: a carga fica esperando máquina.
E quando o equipamento é de terceiro, a fila anda no ritmo da diária dos outros.
O efeito não para no muro da Nestlé. O complexo de Ituiutaba é hoje a maior operação de lácteos da Nestlé na América Latina, e a nova unidade soma leite, soro e embalagem ao volume que já roda por aquelas estradas.
E se o canteiro, a captação de leite e o transporte apertarem no mesmo trimestre, quem atende primeiro?
Empreiteira, transportadora e armazém da região vão responder isso com a frota que tiverem no pátio.
Onde cada marca briga nessa faixa de equipamento
Marca não falta na prateleira que interessa a esse tipo de operação. A JCB criou o manipulador telescópico em 1977 e segue como referência mundial no equipamento que resolve altura em armazém e doca.
A Sany produz no Brasil e, desde julho, começou a produzir escavadeiras e veículos comerciais na planta de Campinas, brigando forte no preço de entrada. Já a Develon, nome novo da antiga Doosan, mantém no país a linha de escavadeiras e de carregadeiras de maior porte.
A Bruto Brasil entra nessa prateleira pelo custo-benefício nacional. Numa frente que descarrega insumo o dia inteiro, a BRT30 trabalha com caçamba de 1,8 m³, 3.000 kg de capacidade e 10.100 kg de peso operacional.
Na vizinhança desse porte, a carregadeira de rodas mais próxima entre as importadas é a Sany SW936K1, de 3.500 kg de carga nominal e 11 toneladas. As da JCB e da Develon vendidas por aqui começam acima disso, de 11 a 18 toneladas.
Cada uma cobre uma faixa diferente, e o que decide é o volume por hora, a distância da assistência técnica e o tipo de serviço que a frente vai puxar.
A Bruto Brasil vende direto de fábrica, sem revenda no meio, o que encurta um passo entre a decisão e a máquina descendo da prancha.
Cada nova planta anunciada abre uma fila de fornecedor muito antes de abrir uma linha de produção, e é por isso que os investimentos industriais anunciados no Brasil viram agenda de compra para quem opera frota.
No trimestre que vem, o que aparece em Ituiutaba ainda não é obra: é sondagem de solo, projeto de terraplenagem, cotação de brita e chamada de fornecedor de transporte.
A empresa que já tem carregadeira no pátio entra nessa fila cotando serviço. A que não tem entra cotando máquina, e disputa prazo de entrega com todo mundo que leu o mesmo anúncio de R$ 600 milhões.