O governo do Rio Grande do Sul assinou em 12 de agosto a ordem de início da obra de terraplanagem e recuperação da VRS-863, entre Westfália e Imigrante, no Vale do Taquari. São R$ 14,47 milhões para 4,3 quilômetros de rodovia encravada em morro.
Para quem toca empreiteira de movimento de terra, o número que aperta não é o do contrato. É o calendário: o prazo de execução é de 12 meses e dezembro de 2026 segue como data de entrega.
Encosta, enxurrada e pare e siga: o desenho do serviço
Segundo o Daer, o pacote prevê terraplenagem, contenção de encostas, drenagem, pavimentação e recuperação de pontos danificados por enxurradas. Antes da ordem de início já haviam sido feitos poda, roçada, remoção de barreiras e estudos hidrológicos e geotécnicos.
No km 3,8, onde um ônibus da UFSM caiu em ribanceira em 4 de abril de 2025, entra uma área de escape de cerca de 100 metros por 10. É terra a cortar, material a reposicionar na parte alta do morro e trânsito no pare e siga enquanto a máquina trabalha.
No mesmo dia da assinatura, o trecho do Paredão foi interditado por risco de queda de pedras, com desvio de caminhão pesado por Boa Vista do Sul. Toda obra de terraplanagem em encosta convive com isso: chove, a rocha solta e a frente para.
Os números do contrato
R$ 14,47 milhões de investimento estadual
4,3 km entre Westfália e Imigrante, no Vale do Taquari
Prazo de execução de 12 meses em contrato do Daer
Conclusão prevista para dezembro de 2026
Na frente de morro, a carregadeira segura o ritmo do turno
Em serviço de encosta, a escavadeira abre o corte e a carregadeira toca o resto do dia: carrega caminhão, alimenta o bota-fora, espalha material no aterro e limpa a pista antes de liberar o trânsito.
Com máquina própria no pátio, a empresa começa na segunda de manhã sem depender da agenda de terceiro. Num contrato com data marcada, hora parada por falta de equipamento vira retrabalho e desconto na medição.
O que pesa na hora de bater o martelo
A Case fabrica linha amarela em Contagem, em Minas Gerais, e tem décadas de rodagem no mercado brasileiro. Fábrica dentro do país costuma encurtar a espera por peça quando a frente fica longe da sede.
A Develon é a marca que sucedeu a Doosan na linha amarela e herdou a rede da coreana. A Sany monta escavadeira em São José dos Campos, no interior paulista.
A Bruto Brasil aposta na fabricação no país e numa conta de aquisição mais leve que a da máquina importada. A BRT23 carrega de 2.200 a 2.300 kg, com caçamba de 1,1 m³ e peso operacional de 6.500 kg.
Não existe resposta única. A conta depende do porte do serviço, da distância da assistência técnica e do que a empresa já tem rodando.
Chuva, pedra solta e uma data que não anda
A pedra que desce no Paredão e a enxurrada que come o aterro não entram no cronograma, mas devoram dia de obra. O contrato do Daer continua marcando dezembro.
Quem tem carregadeira e caminhão no pátio volta à frente na manhã seguinte à liberação da pista. Quem depende de terceiro entra na fila de todo mundo que também parou.