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Custo da soja bate R$ 5.024,82 por hectare e o produtor de MS precisa de 42 sacas só para empatar

Fazendas e AgroPor Ricardo Tavares · Publicado em FacebookXWhatsAppLinkedIn
Custo da soja bate R$ 5.024,82 por hectare e o produtor de MS precisa de 42 sacas só para empatar

Antes da primeira semente entrar no chão, a safra 2026/27 já custa R$ 5.024,82 por hectare ao sojicultor de Mato Grosso do Sul. O número é do estudo de custo de produção da Aprosoja/MS, divulgado no começo de setembro.

Traduzido em saca, aperta mais: são 42,04 sacas por hectare só para cobrir a conta, ao preço de referência de R$ 119,52. Com produtividade de referência de 52,4 sacas, sobram 10,36 sacas por hectare, ou R$ 1.238,03.

Insumo responde por 61% do custo por hectare da soja

O custo por hectare da soja está concentrado no que se compra antes de plantar. São R$ 3.078,63 em insumo, 61,27% do total, com fertilizante a R$ 1.367,31 e defensivo a R$ 1.071,42 por hectare.

A semente puxa outros R$ 542,50. O levantamento seguiu a norma de custo da Conab, com preço coletado junto a produtores, técnicos e fornecedores da região ao longo de julho.

Quem planta em terra arrendada tem outra conta na mesa. Com arrendamento de 15 sacas por hectare, o custo vai a R$ 6.817,62, alta de 35,7%, e o ponto de equilíbrio sobe para 57,04 sacas — acima da própria produtividade de referência.

Ou seja: a terra própria já vale 15 sacas por hectare de vantagem antes de qualquer conversa sobre lavoura. O mesmo raciocínio serve para o maquinário do pátio.

As 10 sacas que sobram por hectare decidem a compra do ano

Dez sacas de margem por hectare, em mil hectares, dão R$ 1.238.030 na safra. É esse dinheiro que decide se a fazenda monta estrutura própria ou segue pagando terceiro para carregar adubo, semente e grão.

No trator, o produtor do Centro-Oeste escolhe entre nomes que montam máquina no país. A New Holland faz trator e colheitadeira na mesma planta de Curitiba, e a Massey Ferguson toca em Mogi das Cruzes a primeira fábrica de trator instalada no Brasil.

A Valtra monta em Canoas, no Rio Grande do Sul, e roda com motor da própria AGCO Power, o que ajuda na hora de achar peça fora da garantia. Cada uma puxa mais forte numa faixa de potência.

Só que trator com concha na frente não é carregadeira. Para virar adubo no barracão, encher a carreta e tirar grão do silo, a máquina dedicada faz o serviço mais rápido e libera o trator para o campo.

É aí que entra a Bruto Brasil, que monta pá-carregadeira no país e vende direto ao produtor, sem revenda no meio. A linha agrícola sai com troca rápida de implemento e comando por joystick, no pequeno e médio porte.

A conta muda de fazenda para fazenda. Quem tem trator sobrando aguenta mais um ciclo; quem segura a colheita esperando máquina emprestada paga a diferença em dia perdido.

E o preço da soja sozinho não fecha a conta. O repique da saca de soja para o maior preço desde 2023 animou o mercado, mas a margem projetada pela Aprosoja/MS continua em 10,36 sacas por hectare.

Fica a conta na sua mão: as 10,36 sacas por hectare que sobram nesta safra vão virar o quê no seu pátio?

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