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Infraestrutura abre quase 65 mil vagas em seis meses e segura a construção mesmo com PIB do setor em queda

Construção CivilPor Ricardo Tavares · Publicado em FacebookXWhatsAppLinkedIn
Infraestrutura abre quase 65 mil vagas em seis meses e segura a construção mesmo com PIB do setor em queda

Quem toca obras de infraestrutura, de saneamento a concessão de rodovia, fechou o primeiro semestre contratando; quem vive de reforma e obra pequena viu o serviço encolher. O PIB da construção caiu 0,4% entre abril e junho, segundo o IBGE, mas ficou 1,0% acima do mesmo trimestre de 2025.

O dado saiu em 1º de setembro, no mesmo pacote do PIB geral, que avançou 0,5% no trimestre. No semestre, a construção segue no azul, com alta de 1,1% sobre igual período do ano passado.

Onde o dinheiro continuou entrando

De janeiro a junho, a frente de infraestrutura abriu quase 65 mil vagas com carteira assinada, avanço de cerca de 30% sobre o mesmo período de 2025, na conta da CBIC. O setor inteiro gerou 168.962 postos formais no semestre, crescimento de 6,52%.

Em junho, a construção chegou a 3,119 milhões de trabalhadores com carteira assinada, 3,16% a mais que um ano antes. Quase metade das vagas do semestre, 48,82%, ficou com gente de 18 a 29 anos.

“Mesmo com todas as dificuldades, o setor continua contratando. A infraestrutura tem se destacado de maneira muito expressiva na geração de empregos”, disse Ieda Vasconcelos, economista-chefe da CBIC.

Na obra de estrada e de saneamento, o contrato é longo e o cronograma é rígido. É o tipo de serviço que segura frota ocupada por mais de um ano, diferente da reforma que entra e sai em três meses.

O perfil de quem contrata mudou. Na obra pesada, o serviço veio de concessão, saneamento e investimento privado, e não do lançamento imobiliário, como mostra o desempenho recente da construção civil no Brasil.

Onde a conta apertou

A construção de edifícios fechou o semestre com saldo de 60.552 postos, 2,19% abaixo do mesmo período de 2025. Foi ali que o juro parado no alto e o crédito mais caro morderam primeiro.

No custo, o Custo da Construção Brasil, que a CBIC calcula a partir dos CUBs estaduais, acumulou alta de 7,06% nos 12 meses encerrados em junho. No mesmo período, o IPCA ficou em 4,64%.

Na prática, quem toca obra pequena entrou no segundo semestre com menos serviço e mais custo de obra. A margem de quem depende de reforma ficou mais fina, e a disputa por preço nas propostas aumentou.

Mas nem todo indicador veio ruim para quem investe. A formação bruta de capital fixo, que mede compra de máquina e obra nova, cresceu 1,2% no trimestre, segundo o IBGE.

A frente de obra muda a conta da máquina

Obra de infraestrutura pede equipamento que aguente turno cheio longe da oficina. Na linha amarela, a Volvo CE é conhecida pelo consumo e pela robustez do trem de força, e a Liebherr, pela linha de escavadeiras e guindastes usada em obra de arte e movimentação pesada.

A Sany produz linha amarela no Brasil, em São Paulo, e disputa espaço pelo preço; a Bruto Brasil briga na faixa de custo-benefício nacional, nas classes compacta e intermediária de carregadeira. Qual delas encaixa melhor depende do porte da frente e da conta de cada operação.

Para quem já tem máquina no pátio, o recado do semestre é curto: agenda cheia na obra pesada e disputa apertada na obra pequena. É a frente de serviço que decide o tamanho do equipamento, não o contrário.

O que vem no calendário

A CBIC mantém a projeção de alta de 1,2% para a construção em 2026, o que seria o terceiro ano seguido de crescimento. A entidade aponta as concessões, o saneamento e o Minha Casa, Minha Vida como motores do segundo semestre.

O próximo placar do IBGE sai em dezembro, com o PIB do terceiro trimestre. Até lá, os dados mensais de emprego formal vão dizer se a obra de infraestrutura continua segurando o setor.

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