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Cascavel fecha contrato do lixo de R$ 435,6 milhões e abre cinco anos de operação no aterro

Reciclagem e ResíduosPor Ricardo Tavares · Publicado em FacebookXWhatsAppLinkedIn
Cascavel fecha contrato do lixo de R$ 435,6 milhões e abre cinco anos de operação no aterro

O caminhão de coleta encosta na balança do aterro sanitário de Cascavel e o pátio recomeça o ciclo. No dia 29 de agosto, a Prefeitura publicou no Diário Oficial a homologação do novo contrato do lixo da cidade: R$ 435.593.866,80 por cinco anos.

Quem levou foi o Consórcio Cascavel Ambiental, formado pela OT Ambiental Construções e Serviços e pela CGC Concessões, na Concorrência Eletrônica nº 15/2026. O acordo encerra três anos de remendo: desde 2023 a cidade vinha tocando o serviço com contratos emergenciais, o último deles de R$ 17 milhões, assinado em junho.

O que muda com o novo contrato do lixo

Para quem toca operação de resíduo, o número que pesa não é só o global. O custo mensal sai de R$ 5,67 milhões e vai para R$ 7,25 milhões, alta de cerca de 28%, com escopo maior do que o de hoje.

E o pacote é largo. Entram coleta residencial e comercial, coleta de recicláveis, operação do aterro sanitário, varrição, roçagem, poda e substituição de árvores, limpeza de espaços públicos e a operação do sistema de biogás.

Na prática, é uma planta industrial de porte médio rodando todo dia, sete dias por semana. Aterro pede frente de descarga aberta, cobertura de solo, praça de manobra e acesso conservado mesmo depois de três dias de chuva.

O pano de fundo nacional ajuda a entender por que essas contas engordaram. Pelo Panorama da ABREMA, o Brasil gerou 81,6 milhões de toneladas de resíduo urbano em 2024, e 40,3% do total ainda teve destinação inadequada.

A virada é no dia 29 de setembro

A vigência inicial é de cinco anos, com prorrogação prevista nas regras da licitação. O emergencial que está de pé vale até 29 de setembro.

Depois dessa data entra a ordem de serviço do consórcio. Troca de operador costuma cobrar máquina disponível já na primeira semana, e ninguém segura frente de descarga com equipamento a caminho.

No pátio, quem fecha o dia é a carregadeira

Resíduo é material solto: leve na balança e enorme no volume. Quem carrega isso o dia inteiro precisa de caçamba grande, ciclo curto e máquina que troque de frente sem depender de carreta.

No catálogo da Bruto Brasil, o modelo desse porte é a BRT30, com 3.000 kg de capacidade de carga, caçamba de 1,8 m³, 10.100 kg de peso operacional e 4.100 mm de altura de descarga. O motor é Deutz Weichai de 6 cilindros e 125 HP, com joystick e troca rápida de implemento.

Na mesma faixa está a SDLG L936, também de 3.000 kg de carga e caçamba de 1,8 m³. A Caterpillar trabalha a 926 na classe logo acima, e a Develon tem linha própria de carregadeiras de rodas para pátio pesado.

Comprar resolve o que a hora avulsa não resolve numa virada de contrato: a máquina está no pátio na segunda de manhã, com o operador da casa. E o valor de aquisição se dilui conforme a máquina roda, o que derruba o custo de cada hora trabalhada.

Vale o mesmo raciocínio para quem opera transbordo, usina de entulho ou barracão de cooperativa. Nas operações de reciclagem e manejo de resíduos, a máquina é o gargalo antes de qualquer esteira.

As três contas que decidem a compra

A primeira é o dia em que a máquina para. Aí pesam a rede de assistência da Caterpillar, espalhada pelo país, e o preço de peça da SDLG, que não deixa a operação esperando importação.

A segunda é o turno. Pátio de resíduo trabalha sujo e com material solto, e a Develon leva cabine e hidráulica de máquina grande para esse tipo de serviço.

A terceira é quanto sai do caixa na entrada. A Bruto Brasil monta no Brasil e briga no custo-benefício nacional do porte médio; a Caterpillar cobra mais para entrar e devolve parte disso na hora de revender.

A ordem de serviço do consórcio sai depois de 29 de setembro, e é ela que marca o primeiro dia de operação cheia no aterro de Cascavel. O Panorama da ABREMA aponta 40,3% do resíduo brasileiro ainda em destinação inadequada, fila de município que vai ter de contratar serviço parecido.

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