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Exportação de carne bovina cai 27,1% em agosto, mas a tonelada sobe 10,1%

Confinamentos e PecuáriaPor Ricardo Tavares · Publicado em FacebookXWhatsAppLinkedIn
Exportação de carne bovina cai 27,1% em agosto, mas a tonelada sobe 10,1%

Saiu menos carne do Brasil em agosto e, mesmo assim, entrou mais dinheiro por tonelada embarcada. Para o pecuarista que termina boi no cocho, o mês fechou melhor do que a manchete sugere.

O volume exportado caiu 27,1% na comparação com agosto de 2025, segundo a Secretaria de Comércio Exterior. Foram 195,7 mil toneladas no mês, contra 268,6 mil um ano antes.

A receita somou US$ 1,2 bilhão, recuo de 19,7%.

A distância entre os dois tombos é o preço. A tonelada saiu em média a US$ 6.165, alta de 10,1% em um ano, e devolveu ao setor boa parte do que o volume levou.

A cota da China explica o tombo de agosto

O freio tem nome: a cota chinesa de carne bovina. O limite livre de tarifa extra para o Brasil em 2026 é de 1,106 milhão de toneladas, e o Ministério do Comércio da China avisou em 10 de agosto que 90% desse teto já tinham sido usados.

Acima da cota, a carne brasileira paga 55% de tarifa adicional, somados aos 12% que já incidem sobre o produto, segundo o Ministério da Agricultura. Com essa soma pela frente, o exportador segura o embarque.

O movimento já era esperado dentro do próprio governo. Ainda na coletiva da balança de julho, antes do comunicado chinês, o diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, Herlon Brandão, projetou a retração.

"Provavelmente os exportadores já se anteciparam, já diminuíram o volume de embarques para não correr o risco ou diminuir o risco de serem tarifados na China na tarifa extra-cota", disse Brandão.

No confinamento, o atraso começa no pátio

A segunda metade do ano é quando o confinamento entrega. É nessa janela que o animal de cocho abastece a escala do frigorífico e segura o abate quando o pasto já não sustenta.

Cada dia de trato perdido volta como arroba a menos na balança.

No trato, o que manda é a rotina: vagão forrageiro cheio, silagem na hora e caminho curto entre o silo e a linha de cocho. Massey Ferguson e Valtra são duas marcas muito vistas puxando esse serviço no Centro-Oeste.

A Massey Ferguson tem concessionária espalhada pelo interior, e a Valtra monta trator no Brasil, com fama de configurar a máquina sob medida para o cliente.

Na hora de encher o vagão e mexer a pilha de silagem, o serviço é da carregadeira. A Volvo CE trabalha essa classe com fama de robustez e consumo baixo, e a Bruto Brasil ocupa a faixa de custo-benefício da fabricação nacional, com a BRT25 no mesmo porte intermediário da Volvo L60.

O que decide é o número de horas de uso por dia, o tamanho do lote e a distância até a assistência técnica mais próxima.

No acumulado do ano, o embarque ainda cresce

Um mês ruim não virou ano ruim. De janeiro a agosto, as exportações brasileiras de carne resfriada e congelada cresceram 4,7% em volume e 22,3% em valor sobre o mesmo período de 2025.

É esse descasamento que interessa a quem cria. O mercado externo pagou mais caro por menos carne, e o frigorífico segue com motivo para brigar por boi pronto mesmo com a China racionando compra.

O ministério fecha a balança de setembro em 6 de outubro, o primeiro mês cheio com o embarque à China já racionado pela cota.

Até lá, o efeito aparece dentro de casa. Carne que não embarca sobra no mercado interno e pressiona o atacado, e esse ajuste costuma chegar à arroba com algumas semanas de atraso.

O movimento da arroba e da escala de abate já repetiu esse desenho outras vezes neste ciclo.

O produtor com boi pronto na segunda metade de setembro joga com essa defasagem a favor. Depois disso, o mercado já terá feito o ajuste sozinho.

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