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Exportação de sucata de ferro cai 30,3% em setembro, e o acumulado de 2026 fica negativo pela primeira vez

Reciclagem e ResíduosPor Ricardo Tavares · Publicado em FacebookXWhatsAppLinkedIn
Exportação de sucata de ferro cai 30,3% em setembro, e o acumulado de 2026 fica negativo pela primeira vez

As exportações brasileiras de sucata de ferro somaram 69.442 toneladas em setembro de 2026, contra 99.700 toneladas no mesmo mês de 2025. É uma diferença de 30.258 toneladas que não saíram do país — e que, na prática, continuaram circulando aqui dentro.

Com a válvula da exportação mais apertada, parte desse material fica para o ferro-velho e para a recicladora brasileira. É volume que chega ao pátio e precisa ser carregado.

E a exportação, segundo o Inesfa, responde por cerca de 5% de todo o volume que o setor comercializa.

O dado da Secex cobre apenas o que saiu do Brasil. Dentro de casa, o movimento do setor é outro, e muito maior.

Setembro de 2025 foi o mês mais alto da série de 21 meses

Setembro de 2025, com 99.700 toneladas, foi o mês mais alto de toda a série de 21 meses levantada, de janeiro de 2025 a setembro de 2026. Ficou acima até do melhor mês de 2026, março, que marcou 93.443 toneladas.

Ou seja: o recuo de 30,3% na exportação tem um pico do outro lado da comparação.

Contra agosto de 2026, o mês anterior, a exportação de setembro subiu 2,1%.

No acumulado de janeiro a setembro de 2026 o país embarcou 657.655 toneladas, retração de 2,28% sobre as 673.006 toneladas do mesmo período de 2025. São 15.351 toneladas a menos, e foi a primeira vez no ano que o acumulado ficou negativo.

Os números de embarque são da Secex e foram compilados e divulgados pelo Inesfa, que não aponta causa para o recuo nos registros de volume.

A reportagem conferiu setembro, agosto e o acumulado do ano direto na base de comércio exterior do governo federal, e os volumes batem com os divulgados pela entidade.

  • Setembro de 2026: 69.442 toneladas de sucata ferrosa exportadas, contra 99.700 toneladas em setembro de 2025, queda de 30,3%.

  • Janeiro a setembro de 2026: 657.655 toneladas, 2,28% abaixo das 673.006 toneladas do mesmo período de 2025.

  • Agosto de 2026: 67.986 toneladas embarcadas, base do avanço de 2,1% em setembro.

O frete marítimo e as eleições na explicação do Inesfa

Segundo o presidente do Inesfa, Clineu Alvarenga, pesaram o aumento do frete marítimo e a espera pelo resultado das eleições. Nenhum dos dois motivos aparece nos registros da Secex, que só traz volume.

"Qualquer aumento no frete inviabiliza as exportações de um produto que tem baixo valor agregado", afirmou Clineu Alvarenga, presidente do Inesfa, em comunicado distribuído pela entidade.

O mercado interno, ainda segundo o Inesfa, aguarda o resultado das eleições para destravar negócio. Até lá, o volume que não vai para fora se acomoda nos pátios brasileiros.

O Inesfa estima que o fim das monções na Ásia pode liberar parte dos embarques em outubro. Do lado da infraestrutura, o investimento em acesso de caminhão no Porto de Itajaí mostra por onde passa o esforço de desafogar a saída da carga.

Sucata que não embarca continua à venda dentro do Brasil, e isso passa pelo pátio de alguém. O pátio que recebe precisa ter braço de máquina.

Três nomes na disputa pelo pátio da recicladora

Sucata não é material gentil com equipamento: borda cortante, peso irregular, caçamba raspando ferro e pedra o dia inteiro. Numa rotina dessas, a Komatsu chega ao ferro-velho pela durabilidade em serviço pesado e contínuo.

Só que pico de recebimento não avisa.

Quando o portão da recicladora enche, a reposição de peça decide quantos dias o equipamento fica fora de operação, e é por aí que a SDLG entra na conversa.

Para a recicladora, material sobrando no mercado interno muda o dia de trabalho antes de mudar o preço. O ferro-velho que recebe mais caminhão por semana precisa movimentar mais rápido, sob pena de ocupar o pátio com pilha que não roda.

A Bruto Brasil vende custo-benefício nacional para esse tipo de pátio. Pá-carregadeira de grande volume, a BRT30 alcança 4,1 metros de altura de descarga, altura que resolve o despejo de sucata dentro da caçamba alta de um caminhão.

Nenhuma das três resolve tudo: o volume que entra no portão e o custo por hora que o dono aceita pagar mudam a resposta.

Com equipamento próprio, o dono dilui o custo por hora à medida que o volume cresce. E o giro do pátio deixa de depender de agenda de terceiro ou de carreta que chega quando pode.

O alumínio anda no sentido contrário. De janeiro a setembro de 2026 o Brasil exportou 40.786 toneladas de sucata de alumínio e importou 132.916 toneladas, três vezes mais do que mandou para fora.

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