A usina de biometano em Vila Velha já tem contrato de ligação à rede e ramal orçado em R$ 7 milhões. O que ela não tem é data: o contrato estima 2028 para o início do fornecimento, e o cronograma do BNDES aponta o primeiro semestre de 2027.
O anúncio é do dia 29 de setembro. Pelo acordo, a ES Gás vai receber na rede de distribuição o biometano que a GNR Vila Velha produzir a partir do biogás da Central de Tratamento de Resíduos Vila Velha, a CTRVV.
Os R$ 7 milhões saem da distribuidora e vão para duas obras: um ramal de interligação e uma estação de recebimento. A usina é da GNR Vila Velha, parceria entre o Grupo Lara e a MDC Energia, e está orçada em R$ 85 milhões.
Cariacica entra na rede em 2026
Este é o segundo projeto de injeção de biometano da ES Gás. O primeiro fica em Cariacica e deve começar a fornecer à rede ainda em 2026.
A planta de Vila Velha tem capacidade para cerca de 32 mil metros cúbicos de biometano por dia. É capacidade instalada: até agora nada foi injetado na rede.
O ramal entra num pacote maior, de R$ 29 milhões, que a companhia anunciou para expandir a rede. Os R$ 7 milhões já estão contados nesse total.
“Estamos estruturando uma rede preparada para acompanhar a expansão da produção de energia renovável”, disse Raphael Pereira, diretor-presidente da ES Gás, em declaração publicada por A Gazeta. Com os contratos já firmados, a ES Gás espera que 10% do gás comercializado no mercado cativo tenha origem renovável.
Do lado da indústria capixaba, o interesse é ter outra fonte à mão. “Para o setor industrial, isso significa contar com mais uma alternativa energética para reduzir as emissões dos processos produtivos”, afirmou Paulo Baraona, presidente da Findes, em fala reproduzida pela Tribuna Online.
Antes do encanamento, o serviço é de máquina
O ponto de partida é o mesmo de qualquer operação de reciclagem e tratamento de resíduos: receber o caminhão, separar, movimentar e cobrir a célula. Carregadeira e escavadeira rodam turno cheio no pátio muito antes do primeiro metro cúbico virar receita.
O parque de máquinas dessas centrais mistura importados, como a Develon, e nacionais, como a Bruto Brasil. Na compra, o que decide é o custo por hora de operação e o prazo de reposição de peça.
O que segue em aberto é a data. A Gazeta publicou as duas, a de 2028 pelo contrato e a do primeiro semestre de 2027 pelo cronograma do BNDES, sem dizer de onde vem a diferença.
Até uma das duas datas prevalecer, o que está firmado é o contrato, o ramal orçado e a planta de R$ 85 milhões. Biometano correndo no encanamento, ainda não.