A fila de caminhão no acesso ao terminal de contêineres do Porto de Itajaí, em Santa Catarina, passa hoje por oito gates. A JBS Terminais anunciou um aporte adicional de R$ 15,2 milhões que mexe justamente nessa entrada.
O pacote veio a público na primeira quinzena de outubro de 2026, junto com o balanço dos dois primeiros anos de operação da empresa no porto catarinense. O balanço foi distribuído pela Agência Estado em 13 de outubro de 2026.
O aporte de R$ 15,2 milhões vai para a entrada do terminal
O número de gates, as estruturas que controlam a entrada de caminhões, vai passar de oito para dez. São dois a mais.
Estão previstas ainda duas novas linhas de pesagem. Outra parte do dinheiro vai para a instalação do equipamento de inspeção por raios X Varex VXP6, que permite examinar o conteúdo dos contêineres sem abri-los.
A área operacional do pátio deve crescer 25%, ganho que vem da expansão do terreno usado pela operação.
Com a obra completa, o terminal deve acrescentar capacidade para movimentar outros 80 mil TEUs por ano, segundo a JBS Terminais.
Todo o pacote foi apresentado como investimento adicional ao que já vinha sendo aplicado no terminal.
Terminal movimentou mais de 800 mil TEUs desde outubro de 2024
A capacidade operacional de hoje é de até 600 mil TEUs por ano.
TEU é a unidade que o setor usa para contar contêiner.
Desde o início da operação pela JBS Terminais, em outubro de 2024, o Porto de Itajaí movimentou mais de 800 mil TEUs, informou a empresa.
Entre janeiro e setembro de 2026, o terminal movimentou quase 500 mil TEUs. O volume é 73% superior ao do mesmo período de 2022, antes da paralisação do porto.
A movimentação cresceu 62% entre o primeiro e o segundo ano de operação.
O balanço divulgado não detalha o que sustentou essa alta.
Hora de caminhão parado no gate sai do bolso da transportadora
Na entrada, o caminhão passa pelo gate e pela pesagem antes de seguir para o pátio.
Fila ali é hora de motorista, diesel queimado em marcha lenta e caminhão que deixa de rodar a segunda viagem do dia.
No bolso da transportadora, o gate é um ponto cego de custo. O caminhão já saiu da garagem da empresa, o motorista está pago e a carga não andou.
Esse tempo não entra na tabela de frete. Fica com a transportadora, que quase nunca consegue repassar a espera ao embarcador.
Pela descrição da empresa, o raio-X dispensa a abertura do contêiner na conferência.
O aporte mira justamente essa etapa da movimentação de carga em portos e pátios.
Pátio maior depende de demolição e de área incorporada
Desde outubro de 2024, os investimentos da JBS Terminais no Porto de Itajaí estão próximos de R$ 250 milhões.
Os dez gates, as duas linhas de pesagem, o raio-X e o pátio ampliado ainda não existem. Tudo isso é obra prevista.
Enquanto a obra não sai, o caminhão que chega a Itajaí continua encarando a entrada de oito gates.
E o ganho de área depende de uma etapa anterior ao concreto novo. Para o pátio crescer os 25% anunciados, o antigo Armazém 3 precisa vir ao chão e a área C precisa ser incorporada à operação.