Rio das Pedras, interior de São Paulo. Um aterro licenciado para receber 1.000 toneladas de resíduo por dia acabou de ganhar etiqueta de preço, e a etiqueta diz R$ 115 milhões.
Para o empresário que opera célula, balança e carregadeira no aterro no interior paulista, esse número vira um parâmetro de comparação que antes não existia.
A Solví Essencis Ambiental assinou contrato para comprar 100% da Amplitec Gestão Ambiental e da Essencial Central de Tratamento de Resíduos. O anúncio é do dia 18 de setembro, e as duas empresas operam juntas um aterro em Rio das Pedras (SP).
Não é compra concluída. Segundo a Solví, o fechamento ainda está sujeito ao cumprimento de condições precedentes previstas nos documentos da operação.
Um milhão de metros quadrados, licença em expansão e um preço na mesa
A área do empreendimento foi ampliada ao longo dos anos com a aquisição de terrenos anexos e hoje soma cerca de 1 milhão de metros quadrados. A capacidade licenciada, que no início da operação era inferior a 100 toneladas por dia, chegou a 1.000 e está em processo para ampliar até 2.500 toneladas diárias.
Cuidado com esse último número. As 2.500 toneladas ainda são um processo em andamento, e não o volume que passa pela balança hoje.
Ainda assim, o desenho é fácil de ler. Um aterro licenciado, com terreno folgado e licença em expansão, acabou de ganhar preço público no interior de São Paulo.
Os números do negócio
R$ 115 milhões — valor da operação, sujeito a ajuste conforme as dívidas das empresas adquiridas, segundo a Solví
1.000 toneladas por dia — capacidade licenciada hoje
2.500 toneladas por dia — teto pretendido, em processo de ampliação
Cerca de 1 milhão de metros quadrados — área do empreendimento
São quatro linhas que servem de régua. Empresário de central de triagem, transbordo ou aterro em operação agora tem com o que comparar a própria licença, a própria área e o próprio movimento de caçamba.
A consolidação chegou ao interior paulista
Resíduo sempre foi negócio de bacia. A disputa é por contrato de coleta municipal e por resíduo industrial num raio de estrada curta, e escala maior aguenta melhor um preço apertado.
Se o negócio fechar, a Solví passa a disputar essa mesma bacia com outro tamanho. O aterro concorrente continua no mesmo endereço, mas sob controle de um grupo com outro fôlego financeiro.
O efeito aparece na hora de renovar contrato. Preço de tonelada que cabia numa operação familiar passa a ser comparado com o de um grupo que opera em vários estados.
Esse movimento não é exclusivo do resíduo. É o mesmo vento que empurra a chegada das fabricantes de linha amarela ao interior do país, com fabricante montando estrutura própria perto de onde a máquina trabalha.
Para o empresário de porte médio, a leitura prática é curta. Ou cresce em volume e reduz o custo por tonelada, ou vira alvo de proposta.
Mais tonelada na balança, mais hora de carregadeira
Aterro que sai de 1.000 e mira 2.500 toneladas por dia multiplica o serviço de chão. Recepção na balança, espalhamento na célula, material de cobertura e carga de caçamba crescem todos juntos.
E crescem todo dia, com chuva ou sem chuva. O caminhão da coleta não espera o pátio ficar bom.
Operador de aterro conhece a cena. Chove de madrugada, a via de acesso da célula vira lama e a carregadeira é o que mantém o caminhão chegando à frente de descarga.
Aí entra a decisão de ter carregadeira própria. A máquina da empresa já está no pátio quando o caminhão encosta na balança, e o custo por hora cai à medida que o volume sobe.
E tem o lado patrimonial. A carregadeira comprada fica no patrimônio da empresa e ainda tem mercado de revenda depois de anos de célula.
Na linha nacional da Bruto Brasil, o porte que aguenta pátio de aterro abre na BRT30: capacidade de 3.000 kg, caçamba de 1,8 m³ e 10.100 kg em operação. Para volume maior, a BRT35 sobe para 3.500 kg de capacidade, caçamba de 2,0 m³ e 11.500 kg em operação.
Para operação menor, ou como segunda máquina de apoio, a BRT25 é o degrau abaixo: 2.500 kg de capacidade, caçamba de 1,5 m³.
Escolha de caçamba pesa tanto quanto carga útil nesse serviço. Material de cobertura é volume antes de ser peso, e caçamba maior reduz o número de viagens dentro do pátio.
A comparação com marca importada é obrigatória nessa hora. A Volvo tem robustez e economia de combustível reconhecidas em operação contínua, e a Develon carrega a herança da Doosan em máquina de serviço pesado, com motorização própria.
A Bruto Brasil se apresenta pelo custo-benefício nacional. Combustível, resistência em serviço contínuo e preço não valem o mesmo em todo aterro, e é o piso de cada operação que dá o voto.
Enquanto isso, o negócio segue assinado e não fechado. Segundo a Solví, o cumprimento das condições precedentes previstas nos documentos da operação é o que falta para a transferência das duas empresas.
Até lá, a balança de Rio das Pedras roda com a administração de hoje, e a licença de 2.500 toneladas por dia continua em processo. O contrato de R$ 115 milhões já colocou preço no ativo, mas ainda não mudou o nome na porta.