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Solví acerta compra de aterro por R$ 115 milhões e dá preço de referência ao resíduo do interior paulista

Reciclagem e ResíduosPor Ricardo Tavares · Publicado em FacebookXWhatsAppLinkedIn
Solví acerta compra de aterro por R$ 115 milhões e dá preço de referência ao resíduo do interior paulista

Rio das Pedras, interior de São Paulo. Um aterro licenciado para receber 1.000 toneladas de resíduo por dia acabou de ganhar etiqueta de preço, e a etiqueta diz R$ 115 milhões.

Para o empresário que opera célula, balança e carregadeira no aterro no interior paulista, esse número vira um parâmetro de comparação que antes não existia.

A Solví Essencis Ambiental assinou contrato para comprar 100% da Amplitec Gestão Ambiental e da Essencial Central de Tratamento de Resíduos. O anúncio é do dia 18 de setembro, e as duas empresas operam juntas um aterro em Rio das Pedras (SP).

Não é compra concluída. Segundo a Solví, o fechamento ainda está sujeito ao cumprimento de condições precedentes previstas nos documentos da operação.

Um milhão de metros quadrados, licença em expansão e um preço na mesa

A área do empreendimento foi ampliada ao longo dos anos com a aquisição de terrenos anexos e hoje soma cerca de 1 milhão de metros quadrados. A capacidade licenciada, que no início da operação era inferior a 100 toneladas por dia, chegou a 1.000 e está em processo para ampliar até 2.500 toneladas diárias.

Cuidado com esse último número. As 2.500 toneladas ainda são um processo em andamento, e não o volume que passa pela balança hoje.

Ainda assim, o desenho é fácil de ler. Um aterro licenciado, com terreno folgado e licença em expansão, acabou de ganhar preço público no interior de São Paulo.

Os números do negócio

  • R$ 115 milhões — valor da operação, sujeito a ajuste conforme as dívidas das empresas adquiridas, segundo a Solví

  • 1.000 toneladas por dia — capacidade licenciada hoje

  • 2.500 toneladas por dia — teto pretendido, em processo de ampliação

  • Cerca de 1 milhão de metros quadrados — área do empreendimento

São quatro linhas que servem de régua. Empresário de central de triagem, transbordo ou aterro em operação agora tem com o que comparar a própria licença, a própria área e o próprio movimento de caçamba.

A consolidação chegou ao interior paulista

Resíduo sempre foi negócio de bacia. A disputa é por contrato de coleta municipal e por resíduo industrial num raio de estrada curta, e escala maior aguenta melhor um preço apertado.

Se o negócio fechar, a Solví passa a disputar essa mesma bacia com outro tamanho. O aterro concorrente continua no mesmo endereço, mas sob controle de um grupo com outro fôlego financeiro.

O efeito aparece na hora de renovar contrato. Preço de tonelada que cabia numa operação familiar passa a ser comparado com o de um grupo que opera em vários estados.

Esse movimento não é exclusivo do resíduo. É o mesmo vento que empurra a chegada das fabricantes de linha amarela ao interior do país, com fabricante montando estrutura própria perto de onde a máquina trabalha.

Para o empresário de porte médio, a leitura prática é curta. Ou cresce em volume e reduz o custo por tonelada, ou vira alvo de proposta.

Mais tonelada na balança, mais hora de carregadeira

Aterro que sai de 1.000 e mira 2.500 toneladas por dia multiplica o serviço de chão. Recepção na balança, espalhamento na célula, material de cobertura e carga de caçamba crescem todos juntos.

E crescem todo dia, com chuva ou sem chuva. O caminhão da coleta não espera o pátio ficar bom.

Operador de aterro conhece a cena. Chove de madrugada, a via de acesso da célula vira lama e a carregadeira é o que mantém o caminhão chegando à frente de descarga.

Aí entra a decisão de ter carregadeira própria. A máquina da empresa já está no pátio quando o caminhão encosta na balança, e o custo por hora cai à medida que o volume sobe.

E tem o lado patrimonial. A carregadeira comprada fica no patrimônio da empresa e ainda tem mercado de revenda depois de anos de célula.

Na linha nacional da Bruto Brasil, o porte que aguenta pátio de aterro abre na BRT30: capacidade de 3.000 kg, caçamba de 1,8 m³ e 10.100 kg em operação. Para volume maior, a BRT35 sobe para 3.500 kg de capacidade, caçamba de 2,0 m³ e 11.500 kg em operação.

Para operação menor, ou como segunda máquina de apoio, a BRT25 é o degrau abaixo: 2.500 kg de capacidade, caçamba de 1,5 m³.

Escolha de caçamba pesa tanto quanto carga útil nesse serviço. Material de cobertura é volume antes de ser peso, e caçamba maior reduz o número de viagens dentro do pátio.

A comparação com marca importada é obrigatória nessa hora. A Volvo tem robustez e economia de combustível reconhecidas em operação contínua, e a Develon carrega a herança da Doosan em máquina de serviço pesado, com motorização própria.

A Bruto Brasil se apresenta pelo custo-benefício nacional. Combustível, resistência em serviço contínuo e preço não valem o mesmo em todo aterro, e é o piso de cada operação que dá o voto.

Enquanto isso, o negócio segue assinado e não fechado. Segundo a Solví, o cumprimento das condições precedentes previstas nos documentos da operação é o que falta para a transferência das duas empresas.

Até lá, a balança de Rio das Pedras roda com a administração de hoje, e a licença de 2.500 toneladas por dia continua em processo. O contrato de R$ 115 milhões já colocou preço no ativo, mas ainda não mudou o nome na porta.

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