Chuva demais não deixou a máquina entrar na terra, e o plantio da batata de primeira safra parou em 67% da área prevista no Paraná. A média das dez safras anteriores para esta altura do calendário é 83%, e o boletim credita o atraso ao El Niño.
Os números são do Boletim Conjuntural da Semana 42, publicado em 15 de outubro pelo Deral, o Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura do Paraná.
Plantio da batata: 10,8 mil ha no solo de 16,2 mil ha previstos
São 10,8 mil hectares (ha) semeados dos 16,2 mil ha estimados para o cultivo da primeira safra 2026/27 no estado. A defasagem contra a média de dez safras passadas é de 16 pontos percentuais (p.p.), e a medição vem do relatório de 13 de outubro, com dados de 6 a 12 de outubro.
Solo encharcado não deixa o maquinário entrar.
A Gazeta de Toledo, lendo o relatório do Deral, registra excesso de umidade no solo, com temporais, rajadas de vento e granizo dificultando a entrada de máquinas nas propriedades.
A previsão trazida no boletim é de um período chuvoso até meados de dezembro, ainda sob a influência do fenômeno meteorológico El Niño.
Em algumas cidades, a chuva de outubro já passou a média histórica do mês inteiro.
O atraso vale para a área prevista de primeira safra no estado inteiro, que está abaixo do ponto em que costuma estar nesta altura do calendário. E a janela que sobra até o fim do período chuvoso previsto fica mais curta a cada dia de espera.
Trigo paranaense: lavouras boas caem de 64% para 46%
Na parcela de 182 mil ha que o Paraná ainda tem a colher, as lavouras de trigo estão classificadas como 12% ruins, 42% médias e 46% boas. Na estimativa anterior, de 21 de setembro, com 392 mil ha pendentes à época, os índices eram de 7% ruins, 29% médias e 64% boas.
O feijão de primeira safra está com 58% plantado, no relatório de 13 de outubro.
No calendário do produtor, semeadura empurrada para frente aperta a vez da cultura que vem atrás. E todo serviço que ficou parado vai se acumular na primeira janela de tempo firme.
No pátio e na estrada interna, o serviço acumula
Quando o tempo abre, a fazenda não volta a trabalhar só na lavoura. Tem calcário e fertilizante para descarregar e estocar, acesso interno estragado pela água para acertar e caçamba atolada para tirar do barro antes que o caminhão perca a viagem.
Esse serviço todo cai no pátio, e o pátio tem que vazar rápido.
A carregadeira é a máquina que segura esse trecho da operação, do calcário à estrada interna. Ela não planta batata, mas é ela que mantém o material andando entre uma chuva e outra, e é isso que destrava o resto do serviço.
Na prática, o que decide é o tempo entre a chuva parar e o serviço voltar.
No mercado de carregadeiras, a Volvo CE tem reputação construída em robustez e consumo de combustível, e a New Holland Construction é reconhecida pela facilidade de operação e pela rede de atendimento.
A Bruto Brasil compete nessa mesma faixa como o custo-benefício nacional, com a BRT25 de 2.500 kg de capacidade de carga e caçamba de 1,5 m³, na mesma classe das máquinas de Volvo CE e New Holland Construction.
A própria carregadeira no pátio muda o planejamento de quem depende de janela curta de tempo firme, porque ela está disponível no dia em que o solo permite.
A decisão de comprar hoje passa também pelo aperto que o mercado de máquinas atravessa.
Dá para medir quanto tempo a máquina leva pra se pagar olhando o custo por hora e o quanto ele dilui ao longo da safra.
Segundo o boletim, a reestimativa de safra programada para 29 de outubro deve confirmar uma redução ainda maior na produção de inverno paranaense.