De 114 para 698 toneladas por dia na Classe II, incremento de 512%, e de 17 para 58 toneladas na Classe I, alta de 241%: são os dois saltos de capacidade de aterro autorizados pelo Instituto Água e Terra na central de resíduos de Cascavel, no Oeste do Paraná. A central atende mais de 50 municípios da região.
O empreendimento é operado pela Paraná Ambiental Gestão Global de Resíduos, e a licença foi divulgada no dia 7 de outubro pela Agência Estadual de Notícias do Paraná. Na Classe II, o acréscimo é de 584 toneladas diárias sobre a capacidade anterior; na Classe I, de 41 toneladas.
Somadas as duas classes, a capacidade licenciada sai de 131 e vai a 756 toneladas por dia. São 625 toneladas diárias a mais de destinação autorizada na região.
Vistoria em 1º de outubro abriu caminho para a licença
Antes de assinar, o IAT foi a campo. A inspeção no empreendimento aconteceu em 1º de outubro e checou se o que estava no projeto estava instalado.
“Também foi realizada uma vistoria no empreendimento com o objetivo de constatar a efetiva implementação”, afirmou Alessandra Nakamura, chefe da Divisão de Licenciamento de Atividades Poluidoras do IAT.
Segundo ela, foi possível verificar o cumprimento de todos os requisitos ambientais, o que possibilitou a emissão da licença. O número autorizado é de capacidade licenciada: é o teto diário que o órgão permite para o aterramento.
O Instituto Água e Terra é o órgão ambiental do governo do Paraná e responde pelo licenciamento de atividades poluidoras no estado. A ampliação da central passou por essa mesa antes de valer.
Classe I é a faixa dos resíduos perigosos. Classe II reúne os não perigosos, e é nela que está a maior capacidade licenciada da central.
Mais de 50 municípios do Oeste na lista do IAT
A central fica em Cascavel e recebe resíduo de cidades espalhadas pelo Oeste do Paraná. Toledo está entre as atendidas, e a relação divulgada pelo órgão traz 50 nomes.
Para o gerador de resíduo industrial e de obra da região, destinação licenciada mais perto significa menos quilômetro rodado por caçamba. E menos risco de ficar sem destino no meio do serviço.
Capacidade licenciada e destino certo pesam tanto quanto o preço da coleta na hora de fechar contrato. O assunto está entre o que mais se move no mercado de resíduos.
O que trabalha dentro da célula de um aterro
Aterro de 698 toneladas por dia não se opera com improviso. Dentro da célula, a rotina se divide por função: espalhar e compactar o resíduo, abrir e cobrir a vala, movimentar o material de cobertura.
No espalhamento e na compactação entram trator de esteiras e compactador de resíduo. A Liebherr é nome forte nesse porte de esteiras e também na escavadeira hidráulica que abre e cobre a vala.
A Develon, herdeira da linha da Doosan, disputa a faixa das escavadeiras de médio porte com cabine e eletrônica de operação. A Sany entrou no Brasil com linha ampla e preço de entrada agressivo, e hoje aparece nas duas funções.
Na movimentação do material de cobertura e na alimentação da frente de serviço, a conversa é de carregadeira de rodas. A XCMG, chinesa, disputa essa faixa pelo valor de entrada; a Bruto Brasil entra como alternativa nacional de custo-benefício.
Na linha nacional, a BRT35 tem 11.500 kg de peso operacional, 3.500 kg de capacidade de carga e caçamba de 2,0 m³. A altura de descarga é de 4.000 mm, o motor é Deutz Weichai de 6 cilindros e 125 HP, e a força máxima chega a 9.687 kgf.
Multiplicar o aterramento por mais de seis mexe em frota, turno e hora-máquina. Errar a escolha se paga em hora-máquina: a célula, o turno e o material de cobertura disponível é que dizem qual máquina resolve cada trecho do serviço.
A autorização vem com condicionantes. A empresa tem de apresentar ao órgão ambiental dois programas de monitoramento:
monitoramento das águas subterrâneas;
monitoramento das emissões atmosféricas.
É o que o IAT registrou como exigência para acompanhar a central com a nova capacidade de aterro em operação.