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Mato Grosso suspende pacto da lenha e deixa R$ 10 bilhões em eucalipto no aguardo

Madeireiras e SerrariasPor Ricardo Tavares · Publicado em FacebookXWhatsAppLinkedIn
Mato Grosso suspende pacto da lenha e deixa R$ 10 bilhões em eucalipto no aguardo

Quem plantou eucalipto em Mato Grosso contando com a demanda das usinas de etanol de milho levou um tranco no começo de setembro. A Procuradoria-Geral do estado segurou o decreto que regulamentava o Termo de Compromisso Ambiental da lenha nativa.

O órgão acatou um pedido do governador Otaviano Pivetta e adiou a publicação do decreto previsto no próprio termo, assinado em junho. Com isso, as metas de expansão de floresta plantada e os limites de biomassa nativa não entraram em vigor.

O que o pacto da lenha nativa previa em Mato Grosso

Pelo Termo de Compromisso Ambiental, as usinas poderiam usar no máximo 40% de madeira nativa até o fim de 2034. A partir dali, a lenha teria de vir de reflorestamento.

De acordo com a Reuters, o estado tem hoje 165 mil hectares de eucalipto e mirava 400 mil hectares até 2030. Segundo a Forbes Agro, são R$ 10 bilhões de investimento estimado nessa conta.

Mato Grosso abriga 14 das 29 usinas de etanol de grãos em operação no país. E o governo ainda pediu à Procuradoria que os grandes consumidores possam cobrir 5% da demanda de energia com madeira nativa.

O presidente da Associação dos Reflorestadores de Mato Grosso, Fausto Takizawa, resumiu o clima do setor à Reuters.

“De fato, afeta investimento. Para quem pensa em investir em floresta acende uma luz amarela”, disse o dirigente.

Os 165 mil hectares de eucalipto continuam no chão

A regra oscilou, mas o talhão não sumiu. O eucalipto plantado nos últimos anos segue crescendo e vai precisar sair da floresta de um jeito ou de outro.

Madeira em pé não paga conta. Ela paga quando vira tora no pátio, cavaco na moega e vapor na caldeira.

A demanda por biomassa não desapareceu com a suspensão — ela ficou sem moldura legal. As usinas seguem queimando lenha todo dia, e o romaneio de entrada de madeira continua rodando.

E o eucalipto de Mato Grosso não vive só de usina de etanol. Serraria, laminado, carvão e caldeira de frigorífico também puxam madeira, e é o mesmo pátio que atende todo mundo.

O movimento das máquinas conta a mesma história: a compra de frota voltou a crescer em agosto, sinal de que o empresário não parou de investir enquanto a regulamentação não se resolve.

No pátio de madeira, quem levanta a tora e alimenta o picador

Pátio de madeira e biomassa é serviço de repetição. Carregar tora, empilhar, encher carreta, alimentar o picador e abastecer a caldeira, todo dia, com chuva ou com poeira.

A escavadeira de rodas BR120, da Bruto Brasil, foi desenhada pra esse tipo de pátio. São 10.000 kg de peso operacional, 1.200 kg de carga máxima, 5.960 mm de altura de descarga e motor de 85 HP.

A pinça trabalha com 7.500 mm de altura e 4.150 mm de profundidade, alcance que dá conta de pilha alta e de fundo de caçamba. O catálogo lista madeira, casca, serragem e cavaco como aplicações.

Por ter rodas, ela se desloca sozinha entre as frentes de trabalho. Não é preciso parar a operação e chamar carreta toda vez que o serviço muda de canto do pátio.

Na escavadeira de rodas, a Liebherr é a referência do serviço pesado: linha própria sobre pneus e fama de máquina que aguenta turno cheio. A SDLG entrou no pátio brasileiro pelo valor de aquisição, apoiada em revenda forte no mercado nacional.

A Bruto Brasil vem por outro caminho: fábrica no Brasil, peça perto e conta fechada no pequeno e no médio porte. O que decide é o tamanho do talhão, a altura da pilha e quem atende a máquina na sua região.

A conta que fecha no fim do mês

Máquina comprada vira ativo no balanço da empresa e trabalha na hora em que a caldeira pede lenha. Nada de esperar terceiro liberar equipamento no meio da colheita.

Disponibilidade é o que separa o pátio que gira do pátio que enrosca. Três produtores da região colhendo na mesma semana já bastam pra criar fila.

A conta que interessa é o custo por hora trabalhada. Diesel, manutenção, operador e a parcela do financiamento divididos pelas horas efetivas do mês dão o número real.

Corte de eucalipto não é pico isolado. Tem safra de colheita, prazo de secagem no talhão e caminhão marcado, mês após mês.

E o financiamento troca um desembolso grande por uma parcela previsível. Quem fecha agora sabe quanto vai pagar; o decreto ainda não sabe quando vai sair.

Enquanto a Procuradoria analisa o processo, o caminhão encosta no pátio às seis da manhã com a tora do talhão de cinco anos. A carregadeira sobe a pilha, o picador engole a madeira e o cavaco desce pra fornalha da usina.

O dono da área acompanha o romaneio fechar e decide o que já dava pra decidir antes do decreto: qual máquina vai dormir no pátio dele, com a chave na mão, esperando a próxima carreta.

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