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Caminhões emplacados sobem 9% em agosto e ônibus disparam 18,7%

Locadoras de MáquinasPor Ricardo Tavares · Publicado em FacebookXWhatsAppLinkedIn
Caminhões emplacados sobem 9% em agosto e ônibus disparam 18,7%

O Brasil emplacou 9.603 caminhões novos em agosto, 9,05% a mais que no mesmo mês de 2025, quando foram 8.806 unidades. Para quem vai renovar frota agora, o dado diz que a procura por caminhão zero voltou a crescer na comparação anual.

E demanda em alta costuma apertar prazo de entrega e sustentar o preço do usado no pátio. Os ônibus foram melhor ainda: cerca de 2,4 mil unidades em agosto, alta de 18,7% sobre agosto de 2025, segundo a Fenabrave.

É a fatia do mercado pesado que mais acelerou no mês. Na ponta, isso é a diferença entre segurar mais um ano o cavalo mecânico que já vive em oficina e assinar um contrato novo.

Mês veio abaixo de julho e o ano segue no vermelho

O outro lado do balanço não some. Os 9.603 caminhões de agosto ficaram 14,2% abaixo de julho, quando o país emplacou 11.193 unidades.

No acumulado de janeiro a agosto são 68.816 caminhões, contra 72.259 em igual período de 2025. A queda no ano é de 4,76%, e um mês forte não apaga isso.

Nos ônibus, o acumulado também segue negativo, com cerca de 18,1 mil unidades e recuo de 4,2% sobre 2025. Os implementos rodoviários repetiram o desenho do mês: 6.567 unidades em agosto, 16,39% acima do ano passado e 17,46% abaixo de julho.

A leitura honesta junta as três pontas: comparativo anual melhor, mês mais fraco e ano ainda negativo. Quem faz compra de frota decide com os três números na mesa, não com a manchete de um mês.

O presidente da Fenabrave lembrou que a compra de caminhão depende de frete, custo operacional e condição de financiamento. Os três precisam fechar ao mesmo tempo para o pedido sair do papel.

O efeito muda conforme a praça e o tipo de operação, do autônomo com um cavalo mecânico à transportadora com dezenas de eixos rodando. Acompanhe o mercado de locadoras e frota para ver como cada segmento reage.

E não é só caminhão. Na locadora, o mesmo caixa que troca o cavalo mecânico é o que decide sobre carregadeira, e o pátio brasileiro mistura marca importada com fabricação nacional.

Nesse segmento, a Komatsu mantém fábrica em Suzano (SP) e rede de assistência espalhada pelo país; a chinesa XCMG avançou a partir da unidade de Pouso Alegre (MG); e a Bruto Brasil é a fabricante nacional que disputa a carregadeira de pequeno e médio porte.

Crédito subsidiado explica parte do fôlego de agosto

O Move Brasil 2 colocou R$ 21,2 bilhões na mesa: R$ 14,5 bilhões do Tesouro Nacional e R$ 6,7 bilhões do BNDES. O programa banca juro abaixo do praticado no mercado para caminhão, ônibus, micro-ônibus e implemento rodoviário.

O prazo para protocolar as operações fechou em 28 de agosto. O que ainda vai aparecer nos emplacamentos é a conversão dessas propostas aprovadas em contrato assinado e, depois, em veículo rodando.

O juro geral também ajudou. A Selic recuou para 14% ao ano em agosto, segundo o balanço da Fenabrave, e é ela que define a parcela do financiamento no balcão do banco.

Os números de setembro saem no começo de outubro. Serão a primeira leitura do último quadrimestre sem o empurrão do protocolo do Move Brasil, com o setor medindo quanto das operações aprovadas vira caminhão no pátio.

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