A outorga da tora nativa saiu entre R$ 100,34 e R$ 139,48 por metro cúbico nas três unidades de manejo florestal da Floresta Nacional de Balata-Tufari, no sul do Amazonas. As duas empresas vencedoras se comprometeram a pagar esse valor à União por cada metro cúbico que retirarem, só de outorga variável.
A disputa correu em 27 de agosto. O Serviço Florestal Brasileiro concedeu cerca de 267 mil hectares repartidos em três Unidades de Manejo Florestal, e as outorgas iniciais somaram por volta de R$ 19 milhões, segundo o boletim do AgriBrasilis.
A UMF I ficou com a B2 Comércio e Exportação de Madeiras, por R$ 5,64 milhões de outorga fixa mais R$ 139,48 o metro cúbico. A mesma empresa levou a UMF III, com R$ 8,69 milhões fixos e R$ 130,53 por metro cúbico, de acordo com a Agência iNFRA.
A UMF II foi para a Madeirantes Serviços, Indústria e Comércio de Madeira, que ofereceu R$ 4,49 milhões fixos e R$ 100,34 por metro cúbico. Quase R$ 40 separam o lance mais alto do mais baixo dentro da mesma floresta.
Mesma floresta; três preços diferentes
A diferença entre as três unidades tem explicação de campo. Cada uma tem espécie, estoque em pé e distância de rio próprios, e isso mexe no custo de arraste e transporte antes de a tora chegar ao desdobro.
Serrarias que compram tora de terceiro passam a ter um número público para comparar. A outorga variável é cobrada por metro cúbico extraído e se soma ao custo de derrubada, arraste, frete e desdobro.
Empresas de manejo que estudam a próxima concessão federal ganham uma faixa de lance de referência. Em agosto de 2026, floresta pública no sul do Amazonas foi arrematada nessa faixa.
Contrato de 37 anos; volume anual já dimensionado
Os contratos valem 37 anos, prazo que consta do edital publicado em junho e que o boletim do AgriBrasilis repete depois do leilão. A modelagem daquele edital estimava produção anual de cerca de 134 mil metros cúbicos de madeira.
A Agência iNFRA registra previsão de R$ 2 bilhões em investimento ao longo da concessão, sendo R$ 1,78 bilhão em operações e R$ 300 milhões em infraestrutura. Desses R$ 300 milhões de infraestrutura depende o acesso: tora de manejo só vira dinheiro depois de sair da floresta.
Essa madeira sai para um mercado que já vinha redesenhando a rota de exportação rumo à Ásia. Volume novo de tora legal entra numa disputa de destino que já estava em curso.
Se a produção seguir a modelagem do edital, são cerca de 134 mil metros cúbicos por ano saindo da Flona de Balata-Tufari pelas próximas quase quatro décadas. É com esse volume, e com esse preço de origem já publicado, que a serraria da região vai conviver.