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Argentina e México levam os pedidos de madeira que o Brasil perdeu nos EUA — e a defesa agora é no custo do pátio

Madeireiras e SerrariasPublicado em CompartilharTweetarPinterestWhatsApp
Argentina e México levam os pedidos de madeira que o Brasil perdeu nos EUA — e a defesa agora é no custo do pátio

O pedido que saía pelo porto de Paranaguá agora embarca por Buenos Aires ou atravessa um pátio no México. Com a tarifa americana de até 37,5% sobre a madeira serrada brasileira, Argentina e México avançaram sobre contratos que eram do Brasil, aponta levantamento do portal Wood Central publicado em 10 de agosto. E a resposta de quem toca serraria por aqui não é lamentar o mercado que apertou: é defender preço. Porque preço se defende dentro do pátio, no custo de cada fardo que sai da serra.

Os números do avanço são concretos. O embarque argentino de pinus serrado cresceu 34,58% no primeiro semestre, empurrado pela diferença de imposto: a moldura argentina entra nos Estados Unidos pagando 10%, enquanto a linha brasileira carrega até 37,5% de tarifa acumulada. O México foi além. Em março, comprou US$ 11,2 milhões em pinus serrado do Brasil e passou os próprios americanos, que levaram US$ 8,1 milhões no mês: a indústria mexicana processa essa madeira e revende ao mercado dos EUA pelo acordo comercial da América do Norte, sem a sobretaxa.

A conta do semestre fechou no vermelho

O pano de fundo veio nos dados do semestre. A exportação dos dez principais produtos de madeira do Brasil somou US$ 855,2 milhões de janeiro a junho, contra US$ 929,5 milhões no mesmo período de 2025, queda de 8%, segundo a plataforma WoodFlow, em números também publicados pela DatamarNews. No recorte americano, o tombo foi de 33%. Só nos sete produtos mais vendidos para os Estados Unidos, a perda passa de US$ 351 milhões.

"Continuamos perdendo mercado para concorrentes diretos, como Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile e México", afirmou Gustavo Milazzo, CEO da WoodFlow, em análise divulgada no fim de julho. Tem serraria com contrato congelado, operando no prejuízo ou dando férias coletivas.

Os números do aperto

  • US$ 855,2 milhões exportados no 1º semestre, queda de 8% sobre 2025

  • Vendas de madeira para os EUA: queda de 33% no semestre

  • Pinus serrado argentino: alta de 34,58% no mesmo período

  • Tarifa sobre a madeira brasileira nos EUA: até 37,5%; sobre a moldura argentina: 10%

Por que o vizinho levou o pedido

A sobretaxa de 25% sobre a madeira brasileira está em vigor desde 22 de julho, resultado de uma investigação comercial do governo americano. Somada às tarifas que já existiam, a conta chega aos 37,5%. E o setor não tem pra onde correr da noite pro dia: na moldura de pinus, 98% da produção brasileira foi desenhada para atender o mercado americano, aponta o Wood Central.

Realocar volume leva meses. A Alemanha aumentou a compra de compensado brasileiro de US$ 5 milhões para US$ 7,1 milhões, e a Espanha mais que dobrou os embarques no início do ano, mas nada disso cobre o buraco. Enquanto a rota nova não fecha, segura o cliente quem consegue dar preço sem sair no prejuízo.

Preço se defende no pátio, não na planilha

É aqui que a briga volta pra dentro da serraria. Fardo de madeira serrada carregado no braço, serra esperando tora, caminhão retido na expedição: cada hora dessas vira custo que o comprador lá fora não paga mais.

Quem vive de madeireiras e serrarias sabe que a margem que a tarifa comeu só volta pelo custo de movimentação.

Uma pá-carregadeira própria no pátio muda essa conta. A BRT30, da Bruto Brasil, carrega 3.000 kg com caçamba de 1,8 m³ e tem troca rápida com terceira função hidráulica: a mesma máquina alterna caçamba pra cavaco e garfo pra fardo, sem parar a expedição.

Comprada via Finame, entra como bem da empresa e dilui o custo por hora conforme trabalha — máquina que roda o dia inteiro custa menos por fardo movimentado.

Volvo CE, SDLG, LiuGong: a régua do mercado

A Bruto Brasil não está sozinha nessa prateleira, e a comparação honesta ajuda o comprador.

A Volvo CE é referência em robustez e consumo de combustível em turno pesado. A SDLG briga pelo preço de entrada, com rede de assistência espalhada pelo país. A LiuGong ganhou espaço com máquina simples de manter. A Bruto Brasil se posiciona como o custo-benefício nacional.

Qual compensa? Depende da conta de cada operação: distância da assistência, o custo de cada hora de serra parada e o tamanho do fardo que se movimenta por dia.

O próximo marco já tem data pra aparecer: os números de agosto do Comex Stat serão o primeiro mês cheio sob a sobretaxa de 25%, e o boletim seguinte da WoodFlow vai mostrar quanto do pedido perdido ficou de vez com o vizinho. Até lá, a disputa do serrador brasileiro não é com a Argentina. É com o próprio custo.

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