O custo por tonelada da Klabin chegou a R$ 3.483 no terceiro trimestre de 2026. Subiu 12% em um ano.
O número está no balanço divulgado em 28 de outubro, e a madeira está entre os itens que empurraram esse valor para cima.
Dentro dos R$ 3.483 por tonelada
Na leitura trimestral do EuQueroInvestir, o avanço sobre o período anterior foi de 9%.
O BTG calculou que a preparação para possíveis impactos do El Niño acrescentou R$ 111 por tonelada aos custos do trimestre. É cerca de 3% do custo caixa por tonelada produzida.
Pelas mesmas contas do banco, as pressões geopolíticas somaram outros R$ 66 por tonelada.
Juntos, os dois itens dão R$ 177 por tonelada, ou cerca de 5% do que a empresa gastou em dinheiro para produzir cada tonelada.
Repare no verbo. É preparação para um fenômeno climático, não a fatura de um evento que já passou.
A XP destacou o movimento por trás disso: a formação de estoques de madeira antes dos potenciais efeitos do fenômeno. Empilhar tora antes de o tempo fechar é decisão da empresa, não choque de preço.
Nessa divulgação não existe um número da madeira isolado.
O balanço trata a madeira como um dos itens que subiram dentro do custo caixa, sem percentual próprio para a rubrica.
O dado é da Klabin consolidada, celulose e papéis somados, de julho a setembro de 2026, em floresta plantada de pinus e eucalipto. Não é média do setor nem retrato da madeira serrada.
Lucro de R$ 393 milhões, 18% menor, com receita em alta
O lucro líquido somou R$ 393 milhões no trimestre, 18% menos que um ano antes. Mesmo caindo, ficou acima dos R$ 329,5 milhões que o mercado esperava.
A receita líquida chegou a R$ 5,57 bilhões, 3% acima de um ano antes.
A produção de celulose e papéis ficou em 1,120 milhão de toneladas, 11 mil toneladas menos que no mesmo período de 2025.
A dívida líquida encerrou setembro perto de R$ 24 bilhões.
A hora de máquina no pátio de tora
Para quem fornece madeira, o recado operacional está no estoque. Tora empilhada antes do tempo fechar é tora que alguém precisa receber, arrumar e retomar depois.
Se a conta do transporte de madeira aperta, máquina própria no pátio passa a valer pela hora que ela economiza. Em outra ponta do setor, a Arauco recebeu 108 máquinas para a colheita de eucalipto e para o pátio de tora em Inocência, no Mato Grosso do Sul.
Liebherr, Develon e Sany vendem máquina de manuseio de material e escavadeira para esse serviço no mercado brasileiro.
A Bruto Brasil entra na lista com dois equipamentos de pátio.
A BR120 é escavadeira de rodas, e isso a deixa ágil entre tarefas: ela muda de frente de serviço sem depender de carreta. O alcance de descarga chega a 5.960 mm.
Na outra ponta, a pá-carregadeira BRT25 levanta 2.500 kg. O catálogo indica a BR120 para madeira, casca, serragem e cavaco, o que circula num pátio de serraria.
Qual delas serve ao pátio muda com o volume de tora por dia e com a distância até a serraria.
A XP alertou que o custo caixa por tonelada nos nove primeiros meses do ano ficou ligeiramente acima do teto da projeção anual de custos da empresa.
A Klabin manteve essa projeção. Sobra ao último trimestre puxar o número do ano para dentro do teto.