O caminhão carregado ficou na balança sem sair. Pelo levantamento do Cipem, 1.331 caminhões pararam em Mato Grosso entre 14 e 19 de outubro de 2026, sem conseguir emitir o documento de origem florestal exigido para o transporte.
DOF e Sinaflor são sistemas federais do Ibama. Já o Sisflora é da Sema-MT e foi afetado por reflexo da falha nos sistemas federais, segundo o Cipem.
O documento de origem florestal é a autorização que acompanha a carga de produto florestal no transporte. Sem ele emitido, o frete que sai do pátio corre irregular, e empresa que trabalha dentro da lei não assume esse risco na estrada.
Sem documento, a tora não anda.
O romaneio fica pronto e a carga espera na balança, enquanto o motorista cumpre diária em cima de um frete que não pode seguir viagem. É aí que a conta começa a correr.
Sistemas voltaram na tarde de 19 de outubro e ainda oscilavam em 21
Os sistemas voltaram a funcionar na tarde de 19 de outubro de 2026 e ainda apresentavam oscilações em 21 de outubro de 2026, quando o Cipem divulgou o levantamento. Com o sistema oscilando, a emissão do documento seguia sujeita a nova parada.
Ednei Blasius, presidente do Cipem, resumiu o efeito no levantamento divulgado pela entidade em 21 de outubro de 2026. “Quando o sistema cai, a indústria para, o caminhão não circula e os compromissos comerciais deixam de ser cumpridos.”
R$ 52,39 milhões só de faturamento comprometido
O levantamento do Cipem estima prejuízo de quase R$ 60 milhões ao setor de base florestal de Mato Grosso.
A entidade reparte a conta em quatro linhas.
Faturamento comprometido de R$ 52,39 milhões
Multas, diárias de motoristas e outras despesas de R$ 2,22 milhões
Danos em cascata de R$ 5,24 milhões com cancelamento de contrato e devolução de carga
US$ 1,1 milhão em operações de exportação prejudicadas
As três parcelas em real somam R$ 59,85 milhões, na soma desta reportagem, e o Cipem divulga o total como quase R$ 60 milhões. A exportação está em dólar e corre em linha separada.
Multa e diária de motorista são despesa que roda com a frota parada. O dano em cascata inclui contrato cancelado, carga devolvida e linha de produção paralisada, segundo o Cipem.
O Cipem reúne as indústrias produtoras e exportadoras de madeira de Mato Grosso e é parte interessada na discussão. As reportagens consultadas e as notas da entidade não registram manifestação do Ibama sobre o episódio.
A fila pegou tora, madeira serrada, beneficiada e biomassa
A paralisação pegou tora, madeira serrada, madeira beneficiada e biomassa. Nenhum desses produtos circula sem o documento de transporte emitido.
Com os 1.331 caminhões parados, a carga que já havia passado pela balança não seguiu viagem e o produto ficou retido no pátio de quem produz. Enquanto o documento não sai, a carregadeira que alimenta a serra para e o pátio vira estoque forçado.
Quem tem máquina própria pelo menos escolhe a ordem do carregamento quando a emissão voltar. A biomassa é a mesma linha que puxou o salto no embarque de cavaco de madeira em setembro.
“O setor cumpre uma legislação ambiental rigorosa e depende dessas ferramentas para trabalhar legalmente”, disse Ednei Blasius, presidente do Cipem, no levantamento de 21 de outubro de 2026.
Números parciais e cobrança em nota oficial de 16 de outubro
O Cipem cobrou do Ibama o restabelecimento imediato do DOF e do Sinaflor em nota oficial de 16 de outubro de 2026. Naquele momento, pela nota, o setor estava sem emitir documento havia mais de 72 horas.
O levantamento segue parcial, e o próprio Cipem afirma que os números podem aumentar. Quem fechou entrega para novembro no aperto daquela semana ainda vai saber quanto a parada custou.