As carretas começaram a descarregar máquina em Inocência, no leste de Mato Grosso do Sul. A Arauco recebeu o primeiro lote de 108 equipamentos para a colheita de eucalipto do Projeto Sucuriú.
São 108 de um total previsto de 254 ativos de grande porte. Os 254 ativos somam aporte da ordem de R$ 500 milhões só em equipamento florestal, segundo a Arauco.
O desembarque é a primeira leva de uma frota que vai ser montada por etapas. Inocência fica na região que a empresa escolheu para ancorar a operação florestal no estado.
O primeiro lote é mais caminhão do que máquina de corte
Dos 108 equipamentos que desembarcaram, 76 são caminhões. As máquinas de floresta somam 26 harvesters e 6 forwarders.
A composição do lote inicial explica a estratégia. A empresa trouxe primeiro a logística e uma fatia da colheita, deixando o grosso das máquinas de floresta para as levas seguintes.
O resto chega depois. O plano completo soma 128 harvesters, 50 forwarders e 76 caminhões, que vão operar em 10 módulos de colheita com potencial acima de 1,1 milhão de m³ de madeira por mês.
Em plena capacidade, só a colheita deve ocupar cerca de 1,2 mil pessoas. A Arauco prevê qualificar cerca de 700 operadores e mecânicos florestais pelo programa Colheita de Talentos, feito com o Senai de Mato Grosso do Sul.
Projeto Sucuriú em números
108 equipamentos no primeiro lote, de 254 previstos
R$ 500 milhões de aporte nesses 254 ativos
Potencial acima de 1,1 milhão de m³ de madeira por mês
1,2 mil pessoas ocupadas só na colheita em plena capacidade
O que a Arauco não comprou
A lista cobre corte, processamento e baldeio. O harvester derruba e traça a tora dentro do talhão, e o forwarder carrega a madeira até a margem do carreador.
Só que a tora não sobe na carreta sozinha. Entre a pilha na beira do talhão e o caminhão que segue para a fábrica existe o pátio intermediário, e é ali que o transbordo acontece.
Transbordo de tora é território de pá-carregadeira com garra florestal. O forwarder não foi projetado para girar pátio o dia inteiro nem para acompanhar a fila de 76 caminhões.
Pilha mal formada trava carreta. Tora fora de bitola ou pátio sem giro viram minuto parado no relógio do motorista, e minuto parado em fila vira custo de frete.
Esse é o serviço que costuma ficar com o prestador terceirizado. Carregar carreta, formar pilha, alimentar o romaneio e liberar vaga no mesmo compasso do módulo de colheita.
A conta que o prestador de serviço de MS vai fazer
1,1 milhão de m³ por mês não é número de folheto. É madeira saindo do talhão todos os dias, e fila de caminhão se resolve no pátio, não na estrada.
Contrato de longo prazo pede máquina própria. A carregadeira de pátio trabalha praticamente todo dia útil do mês nesse tipo de operação, e é esse volume de hora que faz o equipamento se pagar dentro do próprio serviço.
A classe que aguenta pátio de tora é a de grande volume, assunto recorrente na cobertura de máquinas para madeireiras. A Bruto Brasil trabalha com a BRT30, de 3.000 kg de carga e caçamba de 1,8 m³, e com a BRT35, de 3.500 kg e caçamba de 2,0 m³.
As duas saem de fábrica com troca rápida e terceira função hidráulica, o que permite tirar a caçamba e acoplar a garra. A BRT35 é a mais robusta da linha, com 11.500 kg de peso operacional.
Nessa faixa de carga a Caterpillar é presença antiga em pátio industrial, sustentada pela malha de concessionárias e pelo valor de revenda. A Liebherr responde pela construção reforçada para turno pesado contínuo.
A Bruto Brasil disputa a mesma prateleira pelo custo-benefício nacional. Nenhuma das três resolve tudo, e a escolha depende do tamanho do pátio e do contrato que está na mesa.
O primeiro dos 10 módulos de colheita entra em atividade ainda em dezembro de 2026. A partir dali o pátio passa a ser medido em carreta carregada por hora, e o transbordo deixa de ser detalhe para virar contrato.