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Sobremáquinas

Exportação de lenha e cavaco salta 283% em setembro, e a tonelada embarcada sai 12% mais barata

Madeireiras e SerrariasPor Ricardo Tavares · Publicado em FacebookXWhatsAppLinkedIn
Exportação de lenha e cavaco salta 283% em setembro, e a tonelada embarcada sai 12% mais barata

O Brasil embarcou 100.866.754 quilos de lenha e cavaco de madeira em setembro, contra 23.089.439 quilos no mesmo mês de 2025. Em dinheiro, foram US$ 17.743.547 contra US$ 4.629.180, alta de 283,30%, e o volume cresceu mais que a receita — o que joga a margem para dentro do pátio da serraria.

O recorte é a posição 4401 da NCM, a tabela do comércio exterior, que reúne lenha em qualquer estado, madeira em estilhas ou em partículas, serragem e resíduos de madeira. Tora grossa e tábua pronta ficam fora: aqui é material fino e sobra de processo virando carga de exportação.

Os números estão na base Comex Stat, da Secex, no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, atualizada em 6 de outubro de 2026 já com setembro fechado.

E o salto é do mês, não do ano. De janeiro a setembro, o grupo acumula alta de 21,49% sobre 2025, longe dos 283,30% de setembro isolado.

Itália levou 64,25% do valor e o Amapá embarcou tudo para Portugal

A Itália sozinha ficou com 64,25% do valor embarcado no grupo em setembro, 203,29% acima do mesmo mês de 2025. Portugal aparece com US$ 3.794.908, depois de não figurar entre os destinos relevantes um ano antes.

E o Amapá embarcou exatamente o mesmo valor, US$ 3.794.908: toda a carga do estado foi para Portugal.

  • Itália: US$ 11.400.766 em setembro, alta de 203,29% sobre setembro de 2025

  • Portugal: US$ 3.794.908, sem presença relevante em setembro de 2025

  • Santa Catarina: alta de 137,94% em valor

  • Rio Grande do Sul: alta de 367,68%

  • Paraná: alta de 166,78%

Somados, Itália, Portugal, Bélgica, Polônia, Dinamarca e Alemanha responderam por US$ 17.209.310 dos US$ 17.743.547. A carga é europeia.

A tonelada saiu a US$ 175,91, contra US$ 200,49 um ano antes

O preço médio por tonelada embarcada caiu 12,26%. Em setembro de 2026 a tonelada do grupo saiu a US$ 175,91; em setembro de 2025, a US$ 200,49.

Não houve valorização nenhuma. O ganho é todo de volume: o peso embarcado mais que quadruplicou, e cada quilo rendeu menos dólar.

Com menos dólar por tonelada, a margem passa a morar no custo de empilhar, revirar e carregar. Hora de máquina, diesel e caminhão parado no portão entram na conta antes do câmbio.

Aí o madeireiro que embarca fica de olho em tonelada por hora.

Capítulo 44 subiu 13,19% e a madeira serrada ficou em queda

A exportação de madeira como um todo não disparou. O capítulo 44, de madeira e obras de madeira, somou US$ 246.642.824 em setembro, 13,19% acima de 2025, com a madeira serrada em queda de 1,74%.

Dentro do capítulo, lenha e cavaco foram a maior alta entre os grupos de madeira que exportaram mais de US$ 10 milhões em setembro. O compensado veio atrás, com 34,13%.

A base não explica o movimento. Comex Stat registra valor, peso, país de destino e estado de origem, e nada além disso.

Do lado da produção, o IBGE mediu 55.127.796 m³ de lenha de silvicultura em 2025, 1,19% acima de 2024, com valor de produção 12,40% maior. É outro órgão, outra medição e outro ano, só como pano de fundo.

No pátio de cavaco, a tonelada movimentada por hora define a margem

Cavaco e resíduo são carga de volume. O picador precisa de alimentação contínua e a pilha precisa ser revirada antes de subir na caçamba.

Uma pá-carregadeira com garra florestal cobre as duas pontas: alimenta o picador e carrega o caminhão sem interromper a linha. Trocada a garra pela caçamba, a mesma carregadeira pega o granel de cavaco e de serragem.

O volume do grupo mais que quadruplicou em um ano. Pátio no improviso, com equipamento emprestado chegando quando dá, vira fila na semana do embarque.

Carregadeira própria resolve a data: o embarque tem dia marcado, e equipamento disponível na hora garante a carga pronta.

Para a compra, o Finame, linha do BNDES, segue como caminho usual de aquisição no setor, com crédito de prazo longo e a máquina entrando como bem da empresa.

Na escolha, a Volvo CE é referência de robustez e de consumo de combustível. A XCMG trabalha com escala de produção e preço competitivo, e a Bruto Brasil é a opção de montadora nacional, com troca rápida de implemento de série na linha de carregadeiras.

Cavaco pede volume por hora; tora pede garra e estabilidade.

O mesmo fechamento de setembro aparece na pecuária, no embarque de boi vivo saiu com menos cabeças e receita maior. Picador, pátio e carregamento aparecem com mais detalhe nas matérias de madeireiras.

Os dados de outubro entram na base no começo de novembro, no mesmo recorte. Aí se vê se as 100,9 mil toneladas de setembro foram ponto fora da curva ou começo de patamar, e se a tonelada segue abaixo de US$ 200.

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