O caminhão encosta na doca e o relógio começa a correr. Na operação antiga de peças do Iveco Group, um lote levava seis dias só para ser recebido, e mais quatro para sair rumo ao cliente.
Em 11 de setembro o grupo inaugurou em Pouso Alegre, no sul de Minas, o centro de distribuição de peças que atende o Brasil e a América Latina. O recebimento caiu de seis para quatro dias e a expedição, de quatro para dois.
Dezessete docas e R$ 93 milhões no sul de Minas
A estrutura ocupa quase 20 mil metros quadrados e consumiu R$ 93 milhões. São 17 docas, e é esse número que decide quantos caminhões carregam e descarregam ao mesmo tempo sem formar fila no pátio.
Pelo galpão passam cerca de 5,8 milhões de peças por ano. Caminhão esperando vaga na doca é caminhão que não roda, e essa espera entra na conta do frete de quem transporta.
Peça de reposição não tem calendário. Ela vira urgência no dia em que o equipamento para, e o desenho do galpão precisa girar em torno da porta de saída.
Empresa com frota própria mede isso na pele. Uma semana a mais esperando peça é uma semana de hora de máquina que não volta, e por isso rede de distribuição entra na conta da compra tanto quanto preço e potência.
A escolha de Pouso Alegre levou em conta a proximidade com corredores logísticos, aeroportos e portos, além do maior complexo industrial do grupo no país, em Sete Lagoas. Movimentos parecidos aparecem em outras notícias de indústria e centros de distribuição.
Capacidade de armazenagem 40% maior no mesmo terreno
A capacidade de armazenagem subiu 40% em relação à estrutura anterior. E a densidade de armazenamento cresceu 37%, ou seja: o mesmo metro quadrado passou a render mais posição de estoque.
A disponibilidade de inventário para peças de médio e alto giro cresceu 66%. É o item que mais sai tendo mais chance de estar na prateleira na hora em que o pedido entra.
Capacidade maior no mesmo endereço também reduz estoque espalhado em terceiros e o transbordo entre depósitos. Cada transferência a mais é uma chance a mais de a peça se perder no caminho.
O prédio também recebeu laboratório de qualidade, quatro portões de inspeção e áreas segregadas para rastrear material. São etapas que costumam travar a saída quando a conferência é feita no meio do corredor.
Dois dias a menos até a oficina do cliente
Cortar dois dias da expedição muda o calendário de quem conserta. O caminhão que quebrou na segunda volta a rodar antes do fim da semana, e não na seguinte.
Os dois dias contam só o tempo que a peça passa dentro do centro de distribuição; a estrada vem depois. Ainda assim, é metade do prazo que o pedido levava para virar carga.
"O novo Centro de Distribuição de Peças de Pouso Alegre reforça nossa resiliência industrial", disse Domenico Nucera, responsável global por qualidade e operações do Iveco Group.
Cem empregos e 3,5 mil metros quadrados de sobra
A operação fica entre cem empregos diretos e indiretos. O galpão foi projetado com cerca de 3,5 mil metros quadrados disponíveis para expansão, segundo o Iveco Group.
É espaço reservado antes de precisar dele, num negócio em que ampliar galpão no aperto custa mais caro do que deixar o vão vazio. O investimento havia sido anunciado em setembro de 2025; o que ficou pronto agora é o prédio.
Indústria chega ao 21º mês sem confiança
O Índice de Confiança do Empresário Industrial, medido pela Confederação Nacional da Indústria e divulgado em 14 de setembro, caiu 1,4 ponto no mês, de 46,3 para 44,9 pontos. É o 21º mês seguido abaixo dos 50 pontos, a linha que separa confiança de pessimismo.
Mesmo nesse humor, o grupo pôs R$ 93 milhões no chão e deixou 3,5 mil metros quadrados reservados para crescer. Para quem toca oficina e frota, o que muda na prática é o prazo: a peça que levava quatro dias para sair agora leva dois.