São R$ 511,5 bilhões que a CNT aponta como necessários só no modal rodoviário, e é dessa carteira que saem as obras de rodovia dos próximos anos. O número está na 7ª edição do Plano CNT de Transporte e Logística, atualizada em 2026.
A Confederação Nacional do Transporte estima em R$ 2,03 trilhões o investimento necessário e lista 2.837 projetos prioritários nos 27 estados. Cada projeto tem estado, modal e trecho identificado.
Para a locadora de equipamentos, esse documento funciona como calendário de serviço. Asfalto ruim não se conserta sozinho e não desaparece quando muda o governo.
São Paulo sozinho leva R$ 493,7 bilhões da carteira
O estado concentra 23,2% de tudo o que a CNT mapeou, o equivalente a R$ 493,7 bilhões. São 87 projetos de integração nacional e mais 41 projetos urbanos.
Dentro desse pacote, o plano aponta 118,6 km de recuperação de pavimento em território paulista. Aparecem ainda 474,1 km de duplicação e 240,9 km de rodovia nova.
O restante da carteira está espalhado pelos outros 26 estados e pelo Distrito Federal. Isso significa frente de trabalho longe de capital, em município que muitas vezes nunca viu um canteiro desse tamanho.
E é aí que a locadora regional joga em casa. O cliente que abre uma frente em rodovia estadual procura quem tem máquina a duas horas de estrada, não quem tem o catálogo mais bonito.
O que uma frente de pavimentação consome de máquina
A escavadeira abre e remove o material velho. A motoniveladora acerta o greide, o rolo fecha o serviço e a carregadeira fica no vaivém, alimentando a usina de asfalto e a caçamba do caminhão.
É a carregadeira que trabalha mais horas por dia nesse arranjo. Uma máquina de caçamba grande, na faixa de 1,8 m³ a 2,0 m³, resolve o volume sem transformar cada carregamento em três viagens.
Nessa classe estão a Caterpillar 926, a Volvo L90 e a BRT35 da Bruto Brasil, com 3.500 kg de peso operacional e caçamba de 2,0 m³. Para frente menor, de manutenção e tapa-buraco, a BRT30 dá conta com 3.000 kg e 1,8 m³.
Quem entra na obra com máquina própria termina o contrato com a máquina no pátio. Na dependência de terceiro, o aluguel sai do dinheiro do próprio contrato e o equipamento volta pro dono no último dia.
Tem outro detalhe que só aparece quando duas frentes grandes abrem no mesmo estado: a disponibilidade some. Aí o preço da diária de terceiro sobe justamente na semana em que o cronograma está apertado.
Antes de fechar a compra, rode o cálculo de custo por hora da frota da locadora com as horas reais de uma frente de pavimentação. É uma conta diferente da obra urbana, que para e recomeça toda hora.
O pano de fundo ajuda a decisão. Segundo o Instituto de Logística e Supply Chain, o custo logístico do Brasil em 2025 foi de R$ 1,96 trilhão, ou 15,5% do PIB.
As rodovias respondem por 63,4% do transporte de cargas dentro do país.
Enquanto essa dependência da rodovia não cair, pista ruim vira prioridade de orçamento cedo ou tarde. E prioridade de orçamento vira edital.
Peça e assistência perto do canteiro decidem o resto
Obra de rodovia quase nunca acontece perto de capital. No dia em que a bomba hidráulica falha, o que separa uma marca da outra é quanto tempo a peça leva para chegar naquele trecho de estrada.
A Caterpillar tem a malha de distribuição mais capilarizada do setor no Brasil, com concessionária e estoque de peça em praticamente todo estado. Em canteiro isolado, isso costuma encurtar o tempo de máquina parada.
A Volvo CE trabalha com rede mais concentrada, mas com contrato de manutenção programada e monitoramento remoto que agenda a troca antes do componente quebrar. A peça sai do centro de distribuição já com a visita marcada.
A Bruto Brasil monta no Brasil e usa componentes de fornecedores que já estão no mercado, do motor a filtro e mangueira. Item de desgaste você acha em distribuidor comum de peça pesada, sem depender de uma porta só.
Então, antes de assinar a ordem de compra, pegue o mapa do trecho que você quer disputar e pergunte a cada representante quanto tempo a peça leva para chegar naquele município. A resposta muda de região para região, e é ela que você vai usar quando o cliente cobrar o cronograma.
A CNT atualiza o plano a cada edição, e os R$ 511,5 bilhões do modal rodoviário não saem do papel de uma vez. Frota comprada agora chega no edital com máquina rodada e equipe treinada.