O desembargador federal Cândido Alfredo Silva Leal Junior, do TRF4, assinou em 8 de setembro a decisão que manteve em andamento o licenciamento de celulose no RS da fábrica de R$ 27 bilhões da CMPC em Barra do Ribeiro. Ele negou o pedido do Ministério Público Federal para suspender o processo que corre na Fepam.
A decisão é provisória e ainda cabe recurso ao colegiado. Até lá, o órgão ambiental gaúcho segue analisando o pedido de licença prévia do chamado Projeto Natureza.
Barra do Ribeiro: o que destravou e o que continua travado
Sinal verde de obra não é. O que o tribunal liberou foi o andamento do processo administrativo, e a licença prévia sequer chegou a ser emitida.
O nó é a consulta prévia a indígenas, quilombolas e pescadores artesanais da área de influência, que o Ministério Público Federal cobra antes de qualquer ato decisório. Para o desembargador, não há neste momento demonstração concreta de ilegalidade nem risco iminente às comunidades.
Do lado da empresa, o relógio corre. "Esperamos ter a licença prévia até o final do mês", disse Antonio Lacerda, diretor-geral da CMPC no Brasil, no começo de setembro.
Para quem planta eucalipto na Metade Sul gaúcha, a leitura é de fôlego. O projeto que dá destino à madeira da região continua em pé.
No Vale da Celulose, o Mato Grosso do Sul já vive o depois
Enquanto o Rio Grande do Sul discute licença, MS está com máquina no barro. A obra da Arauco em Inocência respondeu por 4.691 das 10.125 vagas com carteira assinada abertas pela indústria sul-mato-grossense entre janeiro e julho, segundo o Observatório da Indústria do Sistema Fiems, com base no Novo Caged.
É quase metade do emprego industrial do estado saindo de uma cidade pequena, por conta do Projeto Sucuriú, de US$ 4,6 bilhões.
A área de floresta plantada em MS saiu de 341 mil hectares em 2010 para 1,6 milhão em 2024, alta de 471%, conta da Semadesc.
Quem toca madeireiras e serrarias conhece o efeito de arrasto. Cada tonelada de celulose em Ribas do Rio Pardo ou Três Lagoas puxa colheita, transbordo e caminhão na vizinhança.
E puxa máquina. Komatsu e Volvo estão na linha florestal, a Bruto Brasil fabrica carregadeiras de porte médio no país, e o pátio escolhe pelo custo por hora que a operação aguenta.
Espírito Santo, Bahia e São Paulo entram na mesma fila
O dinheiro não está só em dois estados. A Indústria Brasileira de Árvores contabiliza R$ 105 bilhões em investimentos projetados pelo setor até 2028, com obras no Espírito Santo, na Bahia, no Paraná, em Lençóis Paulista e em Barra do Ribeiro.
A produção nacional de celulose chegou a 29,4 milhões de toneladas em 2025, alta de 6,9%, segundo a mesma Ibá. E cada tonelada nasce de uma floresta que leva de seis a sete anos para fechar o ciclo de corte.
Aí está a conta que o produtor florestal faz na ponta do lápis. Quem enfia muda no chão agora só carrega tora lá por 2032, e é por isso que uma canetada de setembro mexe com plantio distante.
O Paraná junta a cadeia em Pinhais
O mapa da madeira não termina no Sul nem no Centro-Oeste, mas é no Paraná que ele se encontra neste mês. A Lignum Latin America ocupa o Expotrade, em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba.
É lá que serraria, floresta plantada, preservação de madeira e biomassa sentam na mesma mesa. Para o dono do negócio, é a chance de comparar equipamento sem depender de conversa de corredor.
A palavra final sobre o licenciamento ainda não veio. O calendário curto do setor é outro: 15 de setembro, quando a feira abre as portas em Pinhais e vai até o dia 17.