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Canetada do TRF4 mantém de pé a fábrica de celulose de R$ 27 bilhões em Barra do Ribeiro

Madeireiras e SerrariasPor Ricardo Tavares · Publicado em FacebookXWhatsAppLinkedIn
Canetada do TRF4 mantém de pé a fábrica de celulose de R$ 27 bilhões em Barra do Ribeiro

O desembargador federal Cândido Alfredo Silva Leal Junior, do TRF4, assinou em 8 de setembro a decisão que manteve em andamento o licenciamento de celulose no RS da fábrica de R$ 27 bilhões da CMPC em Barra do Ribeiro. Ele negou o pedido do Ministério Público Federal para suspender o processo que corre na Fepam.

A decisão é provisória e ainda cabe recurso ao colegiado. Até lá, o órgão ambiental gaúcho segue analisando o pedido de licença prévia do chamado Projeto Natureza.

Barra do Ribeiro: o que destravou e o que continua travado

Sinal verde de obra não é. O que o tribunal liberou foi o andamento do processo administrativo, e a licença prévia sequer chegou a ser emitida.

O nó é a consulta prévia a indígenas, quilombolas e pescadores artesanais da área de influência, que o Ministério Público Federal cobra antes de qualquer ato decisório. Para o desembargador, não há neste momento demonstração concreta de ilegalidade nem risco iminente às comunidades.

Do lado da empresa, o relógio corre. "Esperamos ter a licença prévia até o final do mês", disse Antonio Lacerda, diretor-geral da CMPC no Brasil, no começo de setembro.

Para quem planta eucalipto na Metade Sul gaúcha, a leitura é de fôlego. O projeto que dá destino à madeira da região continua em pé.

No Vale da Celulose, o Mato Grosso do Sul já vive o depois

Enquanto o Rio Grande do Sul discute licença, MS está com máquina no barro. A obra da Arauco em Inocência respondeu por 4.691 das 10.125 vagas com carteira assinada abertas pela indústria sul-mato-grossense entre janeiro e julho, segundo o Observatório da Indústria do Sistema Fiems, com base no Novo Caged.

É quase metade do emprego industrial do estado saindo de uma cidade pequena, por conta do Projeto Sucuriú, de US$ 4,6 bilhões.

A área de floresta plantada em MS saiu de 341 mil hectares em 2010 para 1,6 milhão em 2024, alta de 471%, conta da Semadesc.

Quem toca madeireiras e serrarias conhece o efeito de arrasto. Cada tonelada de celulose em Ribas do Rio Pardo ou Três Lagoas puxa colheita, transbordo e caminhão na vizinhança.

E puxa máquina. Komatsu e Volvo estão na linha florestal, a Bruto Brasil fabrica carregadeiras de porte médio no país, e o pátio escolhe pelo custo por hora que a operação aguenta.

Espírito Santo, Bahia e São Paulo entram na mesma fila

O dinheiro não está só em dois estados. A Indústria Brasileira de Árvores contabiliza R$ 105 bilhões em investimentos projetados pelo setor até 2028, com obras no Espírito Santo, na Bahia, no Paraná, em Lençóis Paulista e em Barra do Ribeiro.

A produção nacional de celulose chegou a 29,4 milhões de toneladas em 2025, alta de 6,9%, segundo a mesma Ibá. E cada tonelada nasce de uma floresta que leva de seis a sete anos para fechar o ciclo de corte.

Aí está a conta que o produtor florestal faz na ponta do lápis. Quem enfia muda no chão agora só carrega tora lá por 2032, e é por isso que uma canetada de setembro mexe com plantio distante.

O Paraná junta a cadeia em Pinhais

O mapa da madeira não termina no Sul nem no Centro-Oeste, mas é no Paraná que ele se encontra neste mês. A Lignum Latin America ocupa o Expotrade, em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba.

É lá que serraria, floresta plantada, preservação de madeira e biomassa sentam na mesma mesa. Para o dono do negócio, é a chance de comparar equipamento sem depender de conversa de corredor.

A palavra final sobre o licenciamento ainda não veio. O calendário curto do setor é outro: 15 de setembro, quando a feira abre as portas em Pinhais e vai até o dia 17.

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