Uma área de aproximadamente 412,5 mil metros quadrados no Porto do Rio Grande (RS) foi cedida na sexta-feira (11) para a implantação de um terminal de celulose orçado em cerca de R$ 1,5 bilhão. A cessionária é a Terminal Rio Grande do Sul, empresa ligada ao Projeto Natureza, da CMPC.
O contrato de cessão de uso foi firmado com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. O efeito prático para quem trabalha com carga em Rio Grande começa bem antes de qualquer navio atracar.
A retroárea que era disputável passa a ter dono
412,5 mil metros quadrados não são um pedaço de pátio. É retroárea inteira saindo da mesa de negociação e virando espaço dedicado a um embarcador só.
Quem opera armazém geral, pátio de caminhão ou transporte na região vai ter de refazer a conta de onde guarda carga e onde estaciona frota. A pressão só aparece quando o canteiro começa a ocupar o terreno.
O porto movimenta contêiner, grão, fertilizante e carga pesada de projeto. Cada um desses fluxos disputa o mesmo recurso escasso, que é chão firme perto do cais.
Nenhum deles some por causa do novo contrato. Mas todos passam a dividir o que sobra de pátio livre com um terminal fechado para um cliente só.
Em janeiro deste ano, o Ministério de Portos e Aeroportos e a Antaq já haviam firmado o contrato de adesão para a exploração da instalação portuária. A assinatura de sexta é a etapa seguinte, a da área física onde o terminal vai ficar.
O contrato prevê:
Cessão de aproximadamente 412,5 mil m² de área no Porto do Rio Grande (RS)
Investimento de cerca de R$ 1,5 bilhão pela Terminal Rio Grande do Sul
Dois berços para navios e dois berços para barcaças
Armazém com capacidade estática de 194 mil toneladas de celulose
Dois berços de navio, dois de barcaça e um armazém de 194 mil toneladas
O projeto prevê dois berços para navios e dois para barcaças. O armazém foi dimensionado para 194 mil toneladas de celulose em estoque parado.
Operar dois navios ao mesmo tempo é o que separa um terminal que embarca de um terminal que faz navio esperar. Fila de atracação vira custo no frete marítimo e volta para o dono da carga.
O armazém tem função parecida. Ele é o colchão que permite receber caminhão e comboio em ritmo próprio, sem depender de o navio estar encostado no cais.
Berço de barcaça significa carga chegando por água. Para a transportadora da região, é um pedaço de frete que passa a dividir espaço com a navegação interior.
A celulose embarca em fardo, e fardo exige pátio equipado: guindaste no cais, empilhadeira pesada, carregadeira alimentando e caminhão rodando no miolo do terreno.
Em equipamento de pátio portuário, a alemã Liebherr tem linha própria de guindastes móveis de cais e a chinesa XCMG cresceu no Brasil apoiada em escala de produção e rede de distribuição. Do lado nacional, a Bruto Brasil monta carregadeiras no país e atua na faixa de pequeno e médio porte.
Obra de porto mistura porte de máquina o tempo todo. Guindaste pesado fica parado no cais, enquanto a carregadeira passa o dia dando volta no canteiro.
O canteiro chega antes do primeiro navio
A Licença Prévia do projeto saiu em junho de 2026. O passo seguinte é a Licença de Instalação, o documento que libera o canteiro de obras.
Enquanto o papel não sai, terreno é terreno. Depois que sai, os 412,5 mil m² viram sondagem, movimentação de terra, drenagem, fundação e acesso, serviço que consome frota e mão de obra local por anos.
É nessa janela que a contratação local aparece. Operador de máquina, motorista de basculante, soldador e encarregado de pátio entram no canteiro muito antes de existir operação portuária.
O terminal é só a ponta portuária do Projeto Natureza. A ponta industrial corre em separado, no licenciamento da fábrica de celulose do mesmo projeto no Rio Grande do Sul.
Antes do primeiro fardo embarcar, o que Rio Grande vai ver é caminhão de obra entrando e saindo do portão. É nesse intervalo que o operador de retroárea decide se disputa o canteiro ou se já procura outro chão para guardar carga.