O eucalipto plantado virou o produto que mais rende na pauta industrial sul-mato-grossense. A celulose de Mato Grosso do Sul exportou aproximadamente R$ 11 bilhões de janeiro a agosto de 2026, contra R$ 9,66 bilhões do complexo frigorífico.
Com isso, a madeira plantada assumiu a liderança das exportações industriais do estado no acumulado do ano.
A celulose respondeu por 40% da receita industrial exportada no acumulado do ano, e o frigorífico ficou com 35%, segundo o Observatório da Indústria da Fiems. O levantamento tem base no Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e foi divulgado em 22 de setembro.
O recorde de R$ 27,5 bilhões e o peso novo da madeira plantada
As exportações industriais sul-mato-grossenses alcançaram o recorde de R$ 27,5 bilhões nos oito meses fechados até agosto de 2026, crescimento de 5% sobre o intervalo equivalente do ano passado. Somente em agosto, as vendas industriais ao exterior alcançaram R$ 3,6 bilhões, alta de 3% na comparação anual.
Dentro do segmento, as pastas químicas de madeira concentraram 99,4% das exportações de celulose. Praticamente todo esse dinheiro passou antes por tora de eucalipto cortada e empilhada em pátio.
O que esse volume significa no pátio de madeira
Esses R$ 11 bilhões em pasta química não saem de escritório. No chão da frente de colheita, o caminho do dinheiro é outro.
Saem de talhão derrubado, tora empilhada em pátio, romaneio fechado e carreta florestal carregada dentro da janela de colheita. Quando um polo inteiro cresce nesse ritmo e a celulose assume a liderança, a fila de contrato anda rápido e a disponibilidade de equipamento vira critério de contratação.
O prestador de serviço que espera a carregadeira de terceiro liberar perde carregamento e perde talhão. Ter a máquina na empresa resolve isso: a hora de trabalho é sua, o custo por hora se dilui conforme o volume sobe e o equipamento fica no balanço como bem da empresa.
Para o produtor de eucalipto e para o prestador florestal, o financiamento de máquina, como as linhas do Finame, pesa nessa decisão junto com o preço da hora trabalhada. O aquecimento chega também à demanda por equipamento nas madeireiras e serrarias do eixo sul-mato-grossense.
Volvo CE, XCMG e Bruto Brasil no pátio de tora
A Volvo CE é referência em robustez de linha amarela e em consumo controlado de combustível, o que conta em turno cheio de colheita. A XCMG abriu caminho no mercado brasileiro com linha ampla e preço de aquisição competitivo, e hoje aparece com frequência em frota de porte médio.
A Bruto Brasil disputa a mesma faixa por preço de aquisição, com fabricação nacional. A BRT35 é a mais robusta da linha de carregadeiras: 3.500 kg de carga, caçamba de 2,0 m³ e 4.000 mm de altura de descarga, medida que serve para encher carreta florestal em pátio.
Para quem trabalha com tora, casca e cavaco, o catálogo traz ainda a BR120, que é escavadeira de rodas e não carregadeira. Por andar sobre rodas, ela troca de frente de serviço sem depender de carreta para se deslocar.
Nenhuma das três resolve tudo igual. O que decide é o tipo de pátio, a distância da assistência e quanto a empresa pode pôr na entrada.
No pátio de tora, o ritmo é ditado pelo carregamento, e não pela cotação da celulose lá fora. A janela de colheita não espera, e o próximo levantamento do Observatório da Indústria da Fiems vai medir se a celulose sustenta a liderança até o fim do ano.