O navio pagou mais e levou menos boi. Em setembro, o embarque de boi vivo rendeu ao Brasil US$ 182,66 milhões, o maior valor apurado para um mês de setembro, e isso com 127.892 cabeças no porão.
A receita ficou 28,26% acima da de setembro de 2025, quando a exportação de bovinos vivos somou US$ 142,42 milhões. O volume andou para trás: 4,70% menos cabeças.
São US$ 40,2 milhões a mais na receita do mês e 6.304 cabeças a menos no total embarcado. Duas linhas da mesma consulta andando em sentidos opostos.
O levantamento sai do Comex Stat, painel de comércio exterior da Secex, que fechou setembro na atualização de 6 de outubro. O que entra na conta é a posição 0102 da NCM, dos bovinos vivos.
O Farmnews, que monta a série de bovinos vivos desde 2005, registrou setembro de 2026 como o patamar mais alto do produto para o período do ano. Pela série do veículo, nenhum outro setembro rendeu tanto em dólar.
O dinheiro a mais veio do preço por animal
A conta por animal é onde a contradição se resolve. Cada cabeça embarcada em setembro saiu a US$ 1.428,27, contra US$ 1.061,28 em setembro do ano passado, alta de 34,58%.
Nem a base oficial nem o Farmnews apontam motivo para o preço mais alto. A aritmética é direta: menos animais no embarque com mais dólares na soma dá mais dólares por animal.
O navio entrou na disputa pelo mesmo boi do frigorífico
Para o pecuarista que engorda, o embarque virou mais um comprador na porteira, e um comprador que neste setembro pagou US$ 1.428 por cabeça. Para quem repõe, o mesmo movimento chega pelo outro lado, no preço do bezerro.
O boi que vai para o navio sai da mesma oferta que abastece o frigorífico e o confinamento. Em setembro foram 127.892 animais saindo por esse caminho, boi que não entrou na fila do abate.
E o animal que entra no navio sai do pasto e do cocho. Com boi mais caro, cada dia de confinamento desajustado dói mais no bolso: trato na hora, pátio de silagem em ordem, carregadeira abastecendo o vagão forrageiro antes de o cocho esvaziar.
Do cocho ao porão, o percurso ainda passa por pátio de embarque e caminhão boiadeiro. Cada etapa mal resolvida cobra mais caro quando a cabeça vale US$ 1.428.
No acumulado, a receita corre na frente das cabeças
No fechamento dos nove primeiros meses, o embarque de bovinos vivos rendeu US$ 1,36 bilhão, contra US$ 764,59 milhões no mesmo intervalo de 2025. A receita quase dobrou, alta de 77,36%, e o número de cabeças subiu cerca de um terço: 1.052.641 contra 786.794, mais 33,79%.
O volume tem conferência fora da base oficial. A Scot Consultoria publicou 917,6 mil cabeças no acumulado de janeiro a agosto de 2026, e a mesma consulta na base da Secex dá 924.749 cabeças, diferença de 0,8% explicada pelo recorte de NCM.
Na madeira, a mesma base de setembro mostrou outro salto: o embarque de cavaco de madeira disparando em setembro, e as duas leituras saem do mesmo fechamento mensal.
O último trimestre começa com o preço médio do ano em US$ 1.288,30 por cabeça, 32,57% acima do de 2025.
A média mensal do ano está em cerca de 117 mil cabeças, e setembro embarcou 127.892. Mantido esse passo até dezembro, 2026 fecha acima de 1,4 milhão de cabeças.