O Tribunal de Contas da União liberou o edital do novo terminal do Porto de Fortaleza, o MUC04, projetado para 360 mil TEU por ano em 25 anos de arrendamento. Para quem toca pátio no Mucuripe, isso é fila de caminhão chegando em lote e retroárea apertando antes mesmo de o primeiro guindaste subir.
O projeto prevê R$ 429 milhões de investimento, com foco em fruta refrigerada para exportação. Isso quer dizer tomada elétrica para contêiner refrigerado dentro do terminal e um pátio que precisa girar caminhão sem travar o portão.
O tribunal mandou refazer a conta de capacidade
Antes de o edital sair, a ANTAQ e o Ministério de Portos e Aeroportos têm que corrigir o estudo de viabilidade. O TCU apontou que o fator de conversão usado na modelagem caiu de 1,87 para 1,73 TEU por unidade, abaixo da faixa que o próprio setor vinha registrando.
O ponto sensível é o sistema de embarque e desembarque, que apareceu com capacidade de 360 mil TEU por ano e virou o gargalo real do terminal. Conta de capacidade errada no papel vira navio esperando vaga de cais e caminhão dormindo na fila.
Com o aval, o MUC04 entra na fila para ser o primeiro leilão de contêineres do país neste ano. É o tipo de decisão que mexe com contrato de frete e com programação de armazém meses antes de a obra começar.
O movimento vem na esteira do fôlego que a exportação deu ao cais brasileiro, assunto que já rendeu outras matérias sobre logística portuária aqui. Terminal novo entra no mapa quando o volume já está batendo na porta.
Fruta refrigerada não espera fila de portão
O projeto do MUC04 mira a exportação de fruta refrigerada, e contêiner com fruta dentro não pode esquentar esperando vaga. Isso obriga o terminal a ter tomada elétrica no pátio e portão girando sem engasgo.
No chão, a exigência vira manobra curta entre blocos e caminhão liberado antes de o pátio engargalar. Graneleiro que encosta e não esvazia rápido prende a fila inteira.
A Komatsu é procurada pela durabilidade da transmissão e pelo valor que a máquina segura na revenda. A Develon, antiga Doosan, aparece pela cabine e pelo pacote hidráulico em serviço sujo de pátio.
A Bruto Brasil disputa a mesma prateleira pelo custo-benefício, com a BRT25 carregando 2.500 kg em caçamba de 1,5 m³ e motor Deutz Weichai de 125 HP.
Para armazém de corredor estreito a conta cai um degrau, faixa em que a BRT20 fica entre 1.800 e 2.000 kg com caçamba de 1,0 m³.
Qual delas entra no pátio depende do ciclo que o seu portão aguenta e do custo por hora que a operação paga hoje. Pedir orçamento nas três antes de bater o martelo é o mínimo.
O edital do MUC04 só sai depois do ajuste no estudo. E o calendário do setor não espera: a ANTAQ recebe até 29 de setembro as contribuições sobre a concessão do canal de acesso ao Porto de Santos, que vai de 15 para 16 metros e depois para 17.