O Porto de Imbituba, no litoral sul de Santa Catarina, movimentou 4,56 milhões de toneladas entre janeiro e julho de 2026, com 202 navios atracados no período. O destaque do balanço, divulgado na terça-feira (18) pela SCPar, estatal catarinense que administra o terminal, é a carga em contêiner: 1,01 milhão de toneladas, alta de 44,8% sobre o mesmo intervalo do ano passado.
A comparação dá a dimensão do salto. As importações do porto cresceram 2,59% e as exportações, 2,42%.
O contêiner andou num ritmo dezessete vezes maior que o das importações.
Em dinheiro, o comércio exterior que passou pelo cais somou US$ 1,19 bilhão nos sete meses, avanço de 18,17% sobre 2025. No Sul, o movimento aponta numa direção só: tem carga nova mirando Imbituba, e ela chega em contêiner.
O porto vive historicamente do granel, com carvão, sal e coque respondendo pela maior parte do movimento. O balanço de 2026 mostra esse perfil começando a mudar.
Transbordo cresce mais de 600% e muda o desenho do cais
O número mais barulhento do balanço é o transbordo, a carga que desce de um navio para seguir viagem em outro. Foram 309,2 mil toneladas de janeiro a julho, crescimento superior a 600%, o que na prática multiplica a operação por sete.
Esse tipo de movimento indica que o porto entrou na rota de redistribuição dos armadores, e não só na de origem e destino. A mesma carga é trabalhada mais de uma vez dentro do terminal, o que aumenta o giro no berço e no pátio.
E transbordo é carga disputada. O porto que oferece janela de atracação e pátio organizado segura o serviço; o que atrasa devolve a carga para o vizinho na semana seguinte.
Os números de Imbituba até julho
4,56 milhões de toneladas movimentadas de janeiro a julho, em 202 navios;
1,01 milhão de toneladas em contêiner, alta de 44,8% sobre 2025;
309,2 mil toneladas de transbordo, crescimento acima de 600%;
US$ 1,19 bilhão em comércio exterior, 18,17% a mais que no ano passado.
Granel ainda é o dono do porto
Apesar do avanço do contêiner, o granel sólido segue mandando no cais: 3,23 milhões de toneladas, ou 71% de tudo o que o porto movimentou no ano. Na importação, os carros-chefes são a hulha, o sal e o coque de petróleo.
Na exportação, saem coque calcinado, farelo de milho e toras de madeira.
As importações somaram 1,98 milhão de toneladas, 44% do total, e as exportações ficaram em 1,79 milhão, com 39%. A carga geral cresceu 4,8% e chegou a 195 mil toneladas.
Julho, sozinho, registrou 633,5 mil toneladas em 30 navios. A cabotagem, a navegação entre portos brasileiros, movimentou 67,7 mil toneladas no mês, alta de 3,86%.
Para transportadora, cabotagem crescendo é opção a mais na mesa na hora de fechar frete de longa distância.
Pátio mais cheio cobra máquina na medida
Contêiner crescendo 44,8% muda a rotina da retroárea. Cada caixa a mais no cais vira posicionamento, empilhamento e caminhão entrando e saindo do pátio, e quem opera terminal, armazém ou transportadora ligada ao porto sente isso primeiro na fila da balança.
E sente também na frota. Operação de pátio e armazém em ritmo de porto depende de empilhadeira e carregadeira dando conta do turno inteiro, porque navio atracado não espera máquina parada.
No granel, a conta é a mesma: 3,23 milhões de toneladas de hulha, sal e coque não atravessam o armazém sem carregadeira trabalhando em linha.
No mercado brasileiro de máquina de pátio, marcas como XCMG, Sany e Bruto Brasil disputam exatamente esse operador: o que precisa girar mais carga no mesmo espaço.
A conta que o segundo semestre vai cobrar
O balanço deixa Imbituba em posição confortável, mas o cenário segue em aberto. O salto de 44,8% veio sobre uma base que ainda responde por cerca de um quarto da movimentação, e o transbordo é um tipo de carga que muda de rota com facilidade, ao sabor da escala dos armadores.
Manter esse ritmo vai exigir cais, pátio e armazém acompanhando o crescimento. Fica a pergunta que todo operador da região já faz: quando a base de comparação subir, o contêiner de Imbituba segura o passo de 44%, ou o salto de 2026 vira o novo teto?