Sugestões? Clique aqui
Assine
Sobremáquinas

Frete rodoviário opera 10,5% abaixo do custo e joga a sobra pra dentro do pátio

Portos e LogísticaPublicado em CompartilharTweetarPinterestWhatsApp
Frete rodoviário opera 10,5% abaixo do custo e joga a sobra pra dentro do pátio

O dono de transportadora tem uma decisão na mesa: engolir a tabela que o embarcador oferece ou sentar pra renegociar. A NTC&Logística divulgou em 27 de agosto que o frete cobrado no país está 10,5% abaixo do custo real de rodar.

O cálculo saiu do Decope, o departamento de custos da associação, e compara o preço praticado com o que a operação consome de fato. Em fevereiro, a mesma conta apontava 10,1%.

No primeiro semestre, o combustível subiu 17,63%. A mão de obra ficou 5% mais cara e o caminhão, 1,32%.

Combustível 17,63% mais caro e o preço cobrado sem acompanhar

Em 12 meses, o INCT-Lotação acumulou alta de 8,36% e o INCT-Fracionado, 8,19%, os dois índices que a entidade usa pra medir o custo do transporte de carga. O IPCA do mesmo período ficou em 4,64%.

No comunicado, a NTC&Logística chama o resultado de “um importante sinal de alerta para transportadores, embarcadores, contratantes e demais agentes envolvidos na contratação do transporte”.

Cada viagem sai com um pedaço do custo sem cobertura. E a defasagem do frete não aparece de uma vez no extrato, ela come a margem viagem por viagem.

Isso não para na transportadora. Distribuidora, armazém e pátio de transbordo que mantêm frota própria carregam o mesmo desconto embutido no serviço.

O que ainda dá pra apertar dentro do pátio

Diesel e piso mínimo o empresário não controla. O que acontece do portão pra dentro, sim: hora de máquina alugada, caminhão parado na fila do carregamento, granel movido devagar porque o equipamento é emprestado.

Cada hora a mais na fila é motorista pago, diesel queimado em marcha lenta e uma viagem a menos no dia. Em armazém de adubo e ração o serviço se repete o ano inteiro: encher caçamba e alimentar moega, e a pilha nunca fica arrumada por muito tempo.

Uma pá-carregadeira própria tira esse custo da mão do locador e joga pra dentro da conta da empresa, diluído por hora trabalhada. Quem aluga vê o valor da hora subir junto com o diesel e não fica com nada no fim do contrato.

No mercado de carregadeiras, a Volvo CE construiu reputação em consumo de combustível nas máquinas de médio porte. A Bruto Brasil monta as suas no Brasil, o que encurta a espera por peça quando o equipamento para no meio da safra.

Já a Develon, sul-coreana, aposta em telemetria de fábrica para acompanhar a máquina à distância, sem depender do relato do operador.

Cada uma resolve um pedaço diferente do custo, e o peso desse pedaço muda com o volume que o pátio move por dia. Antes de fechar a compra, vale pedir o prazo de peça das três, porque a indústria instalada no Brasil vem encurtando essa espera.

Custo por hora entra antes do preço de tabela

Com o frete defasado, o que sobra é enxugar o custo que nasce dentro da própria operação. Máquina comprada entra como bem da empresa e pode ser financiada em prazo longo, coisa que hora alugada nunca devolve.

Descarregar mais rápido significa mais caminhão girando no dia e menos hora extra no fim do mês. Aqui o transportador ainda manda no resultado.

Leilão da BR-163 já tem data marcada

Do lado da estrada, o próximo capítulo do custo rodoviário passa pela ANTT. A agência publicou o edital do leilão que vai definir o novo controlador da concessão da BR-163, entre Mato Grosso e Pará.

O contrato prevê R$ 10,8 bilhões em investimentos ao longo de 1.009 quilômetros de BR-163 e BR-230, corredor que a frota de grãos do Centro-Oeste roda o ano inteiro. A sessão está marcada para 12 de novembro, na B3, em São Paulo.

Veja também

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar.

Deixe seu comentário