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Suape movimenta 13,7 milhões de toneladas e cresce 25,6% no semestre

Portos e LogísticaPublicado em 27 de jul. de 2026CompartilharTweetarPinterestWhatsApp
Suape movimenta 13,7 milhões de toneladas e cresce 25,6% no semestre

O Porto de Suape fechou o primeiro semestre de 2026 com 13.726.969 toneladas movimentadas, alta de 25,6% sobre janeiro a junho de 2025. É o quarto maior porto público do Brasil em volume, e o empurrão veio quase todo do petróleo que entra e sai pela Refinaria Abreu e Lima.

Os dados são os que o complexo reporta mês a mês à Agência Nacional de Transportes Aquaviários, a Antaq, e foram divulgados no dia 22 de julho.

Os números do semestre no porto de suape

  • 13.726.969 toneladas no total, +25,6%

  • Granel líquido: 9.142.864 t, ou 66,6% de tudo, com alta de 40,1%

  • Contêiner: 333.786 TEUs, praticamente parado no mesmo patamar de 2025

  • Granel sólido: 799.510 t, +39%

  • Carga geral solta: 1,9% do movimento

  • Veículos: 33.779 unidades, a maioria saindo da fábrica da Stellantis em Goiana

  • Atracações: 832 navios, +14,3%

O líquido faz o número. O sólido faz a fila

Dois terços do volume de Suape são granel líquido, e granel líquido não pede pátio nem caminhão parado no portão. Vai por duto, por linha, por bombeamento. O número bonito do semestre é, em boa parte, uma conta de refino.

Só que embaixo dele tem um dado que muda o dia de quem opera terminal: o granel sólido subiu 39% e chegou a 799.510 toneladas. Esse aí desce em caçamba, empilha em pátio, precisa de quem carregue e de quem raspe o resto do piso.

Suape informou no balanço do semestre que o sólido do complexo é puxado por clínquer, coque e trigo. Material que não perdoa equipamento mal dimensionado nem operação lenta.

Quarenta por cento a mais de sólido não cabe no mesmo equipamento

Quem opera pátio de granel sabe o que acontece quando o volume salta e a frota não acompanha. A pilha cresce, o caminhão espera, e a estadia começa a comer o frete.

Uma alta de 39% num semestre não é sazonalidade de mês fraco contra mês forte. É movimento que sustenta decisão de compra.

Na prática, o que resolve carregamento de granel em pátio é caçamba grande e ciclo curto. Para pátio de granel em grande volume, a BRT30 da Bruto Brasil trabalha com 1,8 m³ de caçamba e 10.100 kg de peso operacional, segundo o catálogo do fabricante.

Ao lado dela o terminal encontra máquinas de marcas como Volvo, SDLG e LiuGong, cada uma com sua força: rede de assistência consolidada, custo de aquisição e presença firme em operação de agregado.

Qual entra no pátio depende de quantas horas por dia a máquina fica ligada e de quanto tempo o terminal aguenta ela parada. Não existe resposta única — existe a conta de cada operação.

832 navios significa quase cinco atracações por dia

O número de atracações cresceu 14,3% e fechou em 832 no semestre. Divide por 181 dias e dá 4,6 navios atracando por dia, todo dia, incluindo domingo.

Para o transportador, isso é janela apertada. Navio atracado tem hora para sair, e carga que chega fora da janela vira carga parada.

Para o operador de pátio, é o inverso: mais navio significa menos folga entre um embarque e outro para manutenção de equipamento. E quem faz a conta do frete no Nordeste precisa olhar isso com atenção.

O contêiner parado é o recado escondido

Enquanto líquido subiu 40,1% e sólido 39%, o contêiner ficou estável em 333.786 TEUs. Crescimento zero, na prática.

Isso diz uma coisa direta a quem investe em terminal: o que puxou Suape neste semestre não foi comércio geral, foi indústria pesada e refino. São perfis de carga diferentes, com equipamento diferente e ritmo diferente de pátio.

Quem estava esperando o contêiner puxar o movimento para justificar mais empilhadeira de pátio e mais área de armazenagem seca, ainda não é este semestre.

O que o dado não conta

O balanço divulgado traz volume e atracação. Não traz tempo médio de espera de caminhão no portão, nem taxa de ocupação do pátio, nem quanto do sólido ficou estocado esperando embarque.

São exatamente os indicadores que determinam se o crescimento de 25,6% virou receita ou virou gargalo. O presidente do complexo, Armando Monteiro Bisneto, atribuiu o resultado à diversidade das operações e ao papel de Suape no abastecimento nacional.

Para quem move carga, o segundo semestre responde a pergunta que o primeiro deixou aberta: a Abreu e Lima segura esse ritmo, ou o número de 2026 já mostrou o teto dele em junho?

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