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Porto de Santos faz a maior movimentação da história para nove meses e vê setembro cair 6,3% com a chuva

Portos e LogísticaPor Ricardo Tavares · Publicado em FacebookXWhatsAppLinkedIn
Porto de Santos faz a maior movimentação da história para nove meses e vê setembro cair 6,3% com a chuva

O Porto de Santos fechou os nove primeiros meses de 2026 com 141,4 milhões de toneladas movimentadas, o maior volume de sua história para o período de janeiro a setembro. No mesmo balanço, setembro isolado aparece com queda de 6,3% e 15,5 milhões de toneladas.

Os dois números saíram juntos, no balanço divulgado em 28 de outubro pela Autoridade Portuária de Santos (APS).

Os dois movimentos convivem. Uma parte da carga para quando chove no cais, e outra segue embarcando debaixo de temporal.

Contêiner sobe 3,2% e sustenta o acumulado de nove meses

Segundo a Autoridade Portuária de Santos, os embarques do período somaram 104,3 milhões de toneladas, alta de 1,6%, enquanto os desembarques atingiram 37,1 milhões, com crescimento de 2,9%. O total subiu 2,0% sobre o mesmo intervalo de 2025.

Em percentual, o desembarque cresceu quase o dobro do embarque no acumulado, ainda que o volume embarcado continue sendo quase três vezes maior.

O resultado se apoiou na carga geral conteinerizada, que somou 47 milhões de toneladas no período, 3,2% acima do ano anterior.

Na medida própria do setor, a movimentação de contêineres alcançou 4,52 milhões de TEU entre janeiro e setembro, avanço de 3,5% e também recorde para o período. TEU é a unidade padrão de contêiner.

Os granéis sólidos ficaram em 71,2 milhões de toneladas acumuladas, com alta modesta de 0,8%, e os granéis líquidos recuaram 5,6%, para 7,9 milhões. Mais cedo, em 2026, o mesmo complexo havia aberto o ano com recorde de granel sólido nos quatro primeiros meses, com alta de 8,2%.

Santos é o maior porto da América Latina, pela descrição da própria autoridade portuária, e nunca havia reunido tanto volume em um intervalo de janeiro a setembro.

A chuva de setembro suspendeu o embarque de milho e de açúcar

Setembro quebrou o ritmo do ano. O mês registrou 15,5 milhões de toneladas, 6,3% menos que setembro de 2025.

A perda apareceu dos dois lados do cais. Os embarques ficaram em 11,22 milhões de toneladas, recuo de 7,8%, e os desembarques em 4,28 milhões, 2,1% abaixo do ano passado.

No mês, o recuo do embarque foi quase quatro vezes maior, em percentual, do que o do desembarque. A carga que sai do país foi a mais afetada.

O estrago se concentrou no granel sólido, que recuou 13,4% no mês diante de chuvas atípicas para setembro. O milho caiu 41,5% e o açúcar, 22,3%, porque embarque e desembarque desse tipo de carga têm de ser suspensos enquanto chove.

No cais a cena se repete: a moega fecha e a fila de caminhão carregado engorda no pátio à espera de uma janela de atracação.

Para transportadora e retroárea, dia de chuva forte em setembro significou carga parada no pátio e agenda de atracação refeita no aperto.

Granel líquido e contêiner bateram recorde no mês que caiu

Só que o mês que caiu no total também deixou duas marcas históricas dentro de si, em rubricas bem específicas.

Os granéis líquidos alcançaram 1,8 milhão de toneladas em setembro de 2026, a melhor marca da série histórica para o mês e 0,8% acima de setembro de 2025.

As operações com contêineres atingiram 518,6 mil TEU no mês, avanço de 0,6% e recorde para setembro. No acumulado de nove meses, o contêiner cresceu 3,5%.

O granel líquido faz o caminho inverso do sólido ao longo do ano. Cai 5,6% no acumulado dos nove meses e ainda assim entrega a melhor marca histórica para o mês de setembro.

O recorde de setembro vale só para essas duas rubricas. A movimentação total do mês ficou menor que a de um ano antes.

E o balanço compara duas coisas apenas: o acumulado de 2026 contra o de 2025, e setembro contra setembro. O maior volume da história vale para o intervalo de janeiro a setembro, não é a maior movimentação já feita pelo porto em qualquer período.

Santos responde por 27,7% da corrente comercial brasileira

O balanço também mede o tamanho do porto no comércio externo do país, e esse é o número que interessa a quem vende espaço de armazém e de retroárea.

A participação acumulada do Porto de Santos na corrente comercial brasileira foi de 27,7% nos nove primeiros meses de 2026, o equivalente a US$ 140,8 bilhões.

Esse valor não é receita do porto nem faturamento de terminal. É o que o Brasil comprou e vendeu ao exterior passando pelos berços e pátios de Santos.

Quem movimenta a carga são os terminais e os operadores portuários; a autoridade administra o complexo.

A China manteve a condição de principal parceiro comercial, com cerca de 30,8% das transações comerciais brasileiras com o exterior que passaram pelo porto. Segundo a Autoridade Portuária de Santos, o comércio com os chineses somou US$ 43,4 bilhões no período.

Com o granel sólido 13,4% abaixo em setembro por causa da chuva, o quarto trimestre dirá se o acumulado de 2,0% se sustenta até dezembro.

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