A projeção do estudo de viabilidade do novo terminal de fertilizantes do Porto do Itaqui joga uma conta na mesa de quem guarda adubo no interior. Ela diz que 74% dos fertilizantes movimentados no porto devem sair do navio direto para o caminhão já no primeiro ano do contrato.
Só 26% passariam pelo terminal da Companhia Operadora Portuária do Itaqui, a Copisi, segundo o mesmo estudo.
Descarga direta, no estudo, é o volume que os terminais do porto não conseguem absorver: o granel desce do porão e segue viagem sem parar em armazém dentro da área portuária.
É nesse porto que entra o Leilão nº 04/2026. A Antaq publicou o edital no Diário Oficial da União em 13 de outubro de 2026 e levou a área IQI16, no Porto Organizado de Itaqui, em São Luís (MA), para disputa pública.
Área de 21.764,72 m² e contrato de 25 anos
A área colocada em disputa tem 21.764,72 metros quadrados. O IQI16 é a identificação do terminal no edital da Antaq.
A carga é granel sólido de origem mineral, sobretudo fertilizantes.
Pelo edital, o terminal é desenhado para movimentar 1,008 milhão de toneladas por ano. A capacidade de armazenagem prevista é de 70 mil toneladas guardadas de uma só vez.
O critério de julgamento é um só: leva a área o concorrente que oferecer o maior valor de outorga na sessão.
A minuta do contrato traz receita estimada de R$ 1,76 bilhão em 25 anos, em valores de janeiro de 2024, e o próprio documento diz que esse número tem efeito indicativo. A sessão que define a outorga só acontece em dezembro.
O contrato previsto no edital é de 25 anos, prorrogável a critério do poder concedente.
Nada foi arrendado até aqui, e ninguém venceu nada. O que existe é um edital publicado, um critério de julgamento e uma data marcada para a disputa pública.
No armazém regional, a carregadeira forma e recupera a pilha
Se a projeção se confirmar, a maior parte do adubo que entra pelo Itaqui não vai dormir no porto. Vai dormir no armazém regional, na cooperativa e no galpão da revenda que atende as fazendas e propriedades rurais da região.
E lá dentro o serviço é sempre o mesmo: formar a pilha, recuperar a pilha e alimentar a moega sem deixar a ensacadeira parar.
No píer, o equipamento que tira o granel do porão do navio é o guindaste com caçamba. Do portão do armazém para dentro, o trabalho é todo da pá-carregadeira.
É ela que levanta o monte, abre espaço para o basculante encostar de ré e mantém a moega abastecida durante o turno inteiro.
Adubo em pilha pede manejo constante dentro do galpão. A pilha abre, fecha e muda de lugar conforme o lote entra, e o chão livre de hoje é o boxe cheio da semana que vem.
Em dia de embarque, a fila de caminhão na balança começa antes das sete da manhã e não perdoa manobra ruim dentro do galpão.
A XCMG tem distribuição ampla no território nacional, o que encurta a espera por peça quando a máquina para no interior. A LiuGong trabalha com chassi reforçado e costuma aguentar bem turno puxado em granel.
A Bruto Brasil mira o armazém que não precisa de equipamento de porto e disputa no preço da máquina nacional: a BRT35 trabalha com caçamba de 2,0 m³, volume que rende mais por ciclo na pilha aberta.
Nenhuma das três resolve sozinha o gargalo do armazém de adubo, que é espaço coberto. Mas a carregadeira certa para o vão disponível decide quantos caminhões saem carregados por dia e quantos ficam esperando.
Do edital à sessão de 9 de dezembro
Antes da disputa, o edital abre duas janelas de prazo.
Os pedidos de esclarecimento sobre o edital vão até as 18h de 13 de novembro de 2026. As impugnações têm prazo até as 18h de 30 de novembro.
A entrega dos envelopes com garantia e proposta está marcada para 4 de dezembro, das 10h às 14h.
Cinco dias depois vem a sessão pública. A disputa pelo terminal de fertilizantes IQI16 está marcada para as 14h de 9 de dezembro de 2026, na B3, em São Paulo.