O tempo médio de espera de navios porta-contêineres no Porto de Navegantes (SC) chegou a 5,0 dias na semana de 30 de setembro a 6 de outubro de 2026. Na margem oposta do rio Itajaí-Açu, o Porto de Itajaí registrou 2,0 dias no mesmo período.
Cinco dias de navio fundeado são cinco dias de mercadoria que não entra no estoque nem sai para o cliente.
São 3,0 dias de diferença entre dois portos do mesmo estuário, ou 2,5 vezes a espera do vizinho. No monitoramento operacional da Kuehne+Nagel, Navegantes foi o porto brasileiro mais travado do período.
A ocupação do pátio do terminal estava em 78%, número que o boletim atribui à Hapag-Lloyd. O número é do pátio do terminal operado pela Portonave.
O Transporte Moderno associa a fila à obra que a Portonave realiza para operar navios de maior porte.
Acima de 4 dias de espera média em sete dias, a Kuehne+Nagel classifica o porto como fortemente afetado. Navegantes está 1,0 dia acima desse limiar.
Espera média de navios na semana, porto por porto
Navegantes (SC): 5,0 dias, com o pátio do terminal a 78%
Itajaí (SC): 2,0 dias, com operação em melhora apesar do mau tempo
Manaus (AM): cerca de 1,0 dia
Para o embarcador, a fila mexe em janela de produção, armazenagem e programação de frete.
Pátio a 78% empurra o gargalo para a retroárea
Pátio de contêiner a 78% ainda recebe caixa, mas já perdeu folga de manobra. Cada unidade no fundo da pilha exige remover as de cima antes de chegar ao caminhão.
Com menos espaço livre, o empilhamento sobe e o giro da retroárea cai. E o caminhão que chega ao gate passa a esperar a vez do equipamento, não a vez do navio.
O equipamento de pátio é o que sustenta esse giro. Carregadeira de grande volume trabalha em remoção de pilha e limpeza de faixa, e o ciclo dela define quanto a retroárea devolve por hora.
Na faixa de grande volume, a Hyundai é referência de cabine e conjunto de comando para turno longo. A Develon carrega histórico de hidráulica e trem de força em ciclo pesado.
A Bruto Brasil aparece nessa classe como fabricante brasileiro, com a BRT35, de 2,0 m³ na caçamba e 3,5 toneladas de capacidade. A escolha muda de porto para porto, conforme o tipo de carga e o ritmo que a retroárea precisa sustentar.
Outros casos de pátio cheio e gate lento em terminais brasileiros estão nas matérias de logística e portos do site.
A obra da Portonave já aparecia em março, com um píer só
Em março de 2026, o mesmo boletim da Kuehne+Nagel registrou o pátio da Portonave a 93% na semana 11, com espera de cerca de 28 horas, um só píer em operação e a obra civil em andamento.
De março para a semana de 30 de setembro a 6 de outubro de 2026, a ocupação do pátio caiu 15 pontos percentuais. A espera foi no sentido contrário: de cerca de 28 horas para 5,0 dias.
Em Itajaí, o boletim registra operação em melhora apesar do mau tempo. As causas são distintas em portos vizinhos do mesmo estuário.
Os dois boletins e a reportagem do Transporte Moderno não informam prazo de conclusão da obra da Portonave.
Em Manaus, onde a espera de navios ficou em cerca de 1,0 dia, o boletim trata o resto do ano como projeção. A estiagem deve começar em outubro, e a Maersk prevê impacto operacional entre as semanas 43 e 47 e restrição de capacidade entre as semanas 48 e 52.