Granel no Porto de Santos cravou 29,2 milhões de toneladas em quatro meses
O Porto de Santos abriu 2026 acelerado. Entre janeiro e abril, o granel no Porto de Santos — açúcar, soja, calcário, adubo — somou 29,2 milhões de toneladas, alta de 8,2% sobre o mesmo período de 2025 e o maior volume da série histórica para o quadrimestre. O complexo inteiro movimentou 59,3 milhões de toneladas, avanço de 6,6%. Só em abril, o granel sólido subiu 16,2% na comparação com abril do ano passado, o melhor mês já registrado. Para quem toca terminal, armazém retroportuário ou transportadora que abastece o cais, esse número não é troféu de moldura. É mais carga entrando pelos mesmos portões.
Puxando a alta, a soja em grão liderou os crescimentos da pauta, com +54,8%, seguida pelo açúcar, +16%, e pela soja peletizada, +12%. Do outro lado do cais, o granel líquido subiu 10,1% e os contêineres chegaram a 1,91 milhão de TEU, mais 5,4%. Segundo a Autoridade Portuária de Santos, é o quadrimestre mais movimentado da história do porto.
Os números do quadrimestre
- 29,2 milhões de toneladas de granel sólido, alta de 8,2% e recorde para o período.
- Soja em grão +54,8%; açúcar +16%; soja peletizada +12%.
- Abril isolado: granel sólido +16,2%, o melhor mês da série.
- Complexo todo em 59,3 milhões de toneladas (+6,6%); contêineres em 1,91 milhão de TEU.
Mais carga, mesmo pátio: quem gira rápido fatura o recorde
Mais tonelada não vem com mais metro quadrado. O açúcar que cresce 16% não chega organizado: vem em pico de safra, em janela de navio, em fila de caminhão na balança. O terminal que enleira o monte, carrega o bag e limpa a praça entre um lote e outro aproveita a onda. O que emperra acumula caminhão parado, estadia no berço e diária de caminhão que come a margem do frete.
No fim das contas, o que decide não é quantas toneladas passaram pelo porto no ano. É quantas o seu pátio empurra por hora, por operador, por turno. Movimentar granel é volume dividido por tempo. E, no chão do terminal, volume por tempo tem nome: carregadeira do tamanho certo para a carga.
Quem opera com máquina pequena demais sente na caçamba. O balde curto obriga o dobro de ciclos para encher a mesma carreta. O motor sem torque afunda no monte de açúcar úmido. Cada minuto desses, multiplicado por uma safra recorde, é dinheiro escorrendo pelo cais.
Que carregadeira o recorde cobra do terminal
Para granel pesado — açúcar, soja, calcário, adubo, enchimento de bag — o segredo não é ter a maior máquina do pátio. É casar caçamba, torque e altura de descarga com o material e com a boca da basculante ou da tremonha. Balde grande demais num pátio apertado atrapalha tanto quanto balde pequeno demais num monte úmido.
No pátio de terminal, as marcas se revezam conforme a conta de cada operação. A Volvo CE tem fama de robustez e de segurar o consumo de diesel no turno longo. A SDLG entra pela porta do preço de compra mais baixo e por uma rede de assistência que cresceu rápido no interior. A Komatsu é referência de disponibilidade em serviço pesado. E a Bruto Brasil briga no custo-benefício de máquina nacional em pequeno e médio porte. Nenhuma é a melhor em tudo; depende do tipo de carga, da rotina de turno e de qual assistência atende a região do terminal.
Na prática, uma compacta como a BRT-20E, da Bruto Brasil, disputa o mesmo serviço de uma Volvo L60 ou de uma SDLG L956 — máquina de médio porte que enche carreta o dia inteiro sem beber o tanque à toa. Qual leva a melhor sai da conta de cada operação, não do folheto.
E tem a parte que o gestor de frota sabe de cor. Máquina de terminal não é sazonal: o açúcar tem pico, mas calcário, adubo e soja se revezam o ano todo. Quem depende de equipamento de terceiro na semana do navio descobre que todo mundo precisa dele na mesma semana. Ter a carregadeira na garagem é ter previsibilidade quando o berço abre, e um custo por hora que cai conforme a máquina roda mais. Quanto mais o equipamento trabalha, mais barata fica cada tonelada movimentada.
O que vem pela frente em Santos
Santos não deve tirar o pé em 2026. A soja segue empurrando, o açúcar continua firme, e cada tonelada a mais que entra pelo maior porto da América Latina precisa ser movimentada por alguém, em algum pátio. O terminal que encara a curva com máquina bem dimensionada fatura o recorde. O que encara no improviso vira o gargalo, e, no porto, gargalo tem preço em estadia e sobreestadia. O volume já chegou; está nos números. Falta saber se o pátio aguenta o que desce do próximo navio.