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Santos abre 2026 com recorde de granel sólido: +8,2% em quatro meses e açúcar 16% acima

Portos e LogísticaPublicado em 21 de jul. de 2026CompartilharTweetarPinterestWhatsApp

Granel sólido no Porto de Santos bate recorde e pressiona o pátio de cada terminal

O Porto de Santos começou 2026 com o pé no acelerador. Entre janeiro e abril, o granel sólido no Porto de Santos somou 29,2 milhões de toneladas, alta de 8,2% sobre o mesmo período de 2025 e o maior volume da série histórica para o quadrimestre. O total do complexo chegou a 59,3 milhões de toneladas, avanço de 6,6%. Só em abril, o granel sólido cresceu 16,2% sobre abril de 2025, o melhor mês da série.

Puxando esse número, a soja em grão liderou os crescimentos da pauta, com alta de 54,8%, seguida pelo açúcar, que subiu 16%, e pela soja peletizada, mais 12%. Do outro lado do cais, o granel líquido subiu 10,1% e os contêineres somaram 1,91 milhão de TEU, mais 5,4%. É muita carga entrando pelos mesmos portões, nos mesmos berços, com o mesmo espaço de pátio de sempre.

E é justamente aí que a notícia vira problema de operação para quem toca um terminal, um armazém retroportuário ou uma transportadora que alimenta o cais. Mais tonelada não vem com mais metro quadrado. Vem com a exigência de girar o mesmo espaço mais rápido.

Recorde não paga conta: quem não gira o pátio, engarrafa

Um açúcar que sobe 16% em volume não chega de forma organizada. Ele chega em pico de safra, em janela de navio, em fila de caminhão na balança. O terminal que movimenta bem — enleirando, carregando bag, alimentando esteira e limpando praça entre um lote e outro — tira proveito do recorde. O que não movimenta acumula caminhão parado no pátio, demurrage no berço e multa de estadia que come a margem inteira do frete.

Nesse jogo, a métrica que decide não é quantas toneladas passaram pelo porto no ano. É quantas toneladas o seu pátio consegue empurrar por hora, por operador, por turno. Movimentação de granel sólido é volume por tempo. E volume por tempo, no chão do terminal, tem nome: pá-carregadeira dimensionada para a carga certa.

Quem opera com equipamento subdimensionado sente na pele. A caçamba pequena obriga o dobro de ciclos para encher a mesma carreta. O motor sem torque afunda no monte de açúcar úmido. A máquina sem troca rápida perde tempo toda vez que precisa sair da caçamba para o garfo. Cada minuto desses, multiplicado por uma safra recorde, é dinheiro que escorre pelo cais.

O que o recorde exige da frota de cada terminal

Para movimentação pesada de granel — açúcar, soja, calcário, adubo e enchimento de bag — o dimensionamento certo da pá-carregadeira é o que separa o terminal que fatura o recorde do que vira gargalo. Não é sobre ter a maior máquina do pátio; é sobre casar caçamba, torque e altura de descarga com o material e com a altura da basculante ou da tremonha. Uma carregadeira com caçamba grande demais para um pátio apertado atrapalha tanto quanto uma pequena demais para um monte de açúcar úmido.

No mercado de pás-carregadeiras, marcas como Caterpillar (CAT), John Deere e Hyundai lideram o segmento e servem de referência de produtividade e disponibilidade para quem monta frota de terminal. A Caterpillar é o benchmark histórico em máquinas de terraplenagem e carga pesada, com uma das maiores redes de peças e assistência do país; a John Deere tem linha consolidada de wheel loaders voltada a trabalho contínuo; e a Hyundai vem ganhando espaço no Brasil com equipamentos de custo-benefício competitivo. A escolha entre elas — e entre os fabricantes nacionais que também disputam esse porte — passa menos pelo folheto e mais pelo tipo de carga, pela rotina de turno e pela rede de suporte que atende a região do terminal.

Aqui entra a parte que o gestor de frota conhece de cor. Máquina de terminal não é sazonal. O açúcar tem pico, mas o calcário, o adubo e a soja se revezam o ano inteiro. Quem depende de máquina de terceiro na semana do navio descobre que todo mundo precisa dela na mesma semana — e paga caro, ou fica sem. Ter a carregadeira disponível na garagem é ter previsibilidade na hora que o berço abre, e um custo por hora que cai conforme a máquina roda mais horas. É uma conta de operação, não de folheto: quanto mais o equipamento é usado, mais barata fica cada tonelada movimentada.

O recorde é o mercado avisando

Santos não deve parar de crescer em 2026. A soja segue empurrando, o açúcar segue firme, e cada tonelada a mais que entra pelo maior porto da América Latina precisa ser movimentada por alguém, em algum pátio, com algum equipamento. O terminal que encara essa curva com máquina certa e bem dimensionada aproveita o recorde. O que encara com improviso vira o gargalo — e, no porto, gargalo tem preço tabelado em estadia e demurrage.

A pergunta que fica para quem toca operação de granel não é se o volume vem. Ele já veio, e está nos números. A pergunta é se o seu pátio está dimensionado para engolir o que está chegando, ou se ele vai ser o ponto onde o recorde do porto trava.

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