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Terminais privados cobram dos candidatos acesso aos portos e dragagem nos canais

Portos e LogísticaPor Ricardo Tavares · Publicado em FacebookXWhatsAppLinkedIn
Terminais privados cobram dos candidatos acesso aos portos e dragagem nos canais

Caminhão parado no acesso e canal sem dragagem: é o que os terminais portuários privados levaram nesta segunda-feira (28) aos candidatos à Presidência da República, numa cobrança que também pede regra estável pro setor. A cobrança está numa carta aberta assinada pela Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), entidade que reúne 41 empresas e 78 terminais privados no país.

Segundo a ATP, essas instalações respondem por cerca de 60% da movimentação de cargas no sistema portuário brasileiro. É a peça que liga lavoura, fábrica e mina ao navio, do jeito que o próprio setor mede seu tamanho.

Pra quem move contêiner, granel ou carga geral, o acesso aos portos pesa tanto quanto o berço de atracação.

Acesso aos portos: o gargalo que fica fora do portão do terminal

A carta pede a realização regular de dragagens de manutenção em canais de acesso e hidrovias, nas palavras da ATP. Sem calado garantido, navio maior espera mais tempo pra atracar, e a fila cresce atrás do portão.

Os terminais cobram também investimento na ampliação dos acessos rodoviários e ferroviários aos complexos portuários. É o mesmo gargalo que atrasa a obra de duplicação da BR-365, rota que alimenta o corredor de exportação em Minas Gerais.

A entidade pede ainda maior articulação entre os órgãos públicos responsáveis pela fiscalização e pelas normas do setor. E defende que toda nova obrigação seja precedida de Análises de Impacto Regulatório, pra regra não mudar de uma hora pra outra.

Fecha a lista a ampliação da qualificação de trabalhadores dos setores portuário e aquaviário. Falta gente treinada pra operar equipamento de pátio e tocar a movimentação de carga no ritmo que o terminal exige.

Carta mira o próximo governo, ainda sem resposta dos candidatos

A ATP também alertou sobre risco à exportação. Segundo a estimativa da própria associação, limitações à capacidade de operação dos terminais privados podem comprometer cerca de US$ 150 bilhões em exportações brasileiras.

Nem a ATP nem as reportagens que confirmaram a carta detalham a metodologia por trás dessa conta. É projeção da entidade, não perda já registrada nem número fechado por órgão oficial.

"Os portos conectam a produção brasileira aos mercados e dependem de uma infraestrutura que funcione também fora dos seus portões", diz Murillo Barbosa, diretor-presidente da ATP.

"Precisamos que os candidatos assumam o compromisso de melhorar os acessos e garantir segurança jurídica para novos investimentos", completa o dirigente.

A carta foi ao ar direto na mesa de quem disputa o Planalto. Até a publicação desta matéria, nenhum candidato havia respondido em público às demandas da ATP.

O calendário eleitoral corre, e quem depende do portão aberto e da janela de atracação certa segue esperando um sinal de qual candidato vai colocar dragagem e acesso rodoviário na conta do próximo mandato.

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