Tem fila de carreta de açúcar outra vez no pátio do terminal da Hidronave, em Porto Murtinho (MS), às margens do Rio Paraguai, segundo A Crítica. Uma a uma, elas descarregam no armazém e saem vazias.
A fila tem motivo: 12 mil toneladas de açúcar produzido no próprio Estado começaram a chegar ao terminal no início de outubro, com destino ao Uruguai. É a carga que marca a retomada das exportações pelo porto privado, noticiada em 2 de outubro pelo Campo Grande News.
O número é de uma carga só, de um terminal só. Não é movimentação mensal do município nem do complexo da Hidrovia Paraguai-Paraná.
E nada embarcou ainda. O açúcar está armazenado à espera do carregamento, que depende da liberação da fiscalização sanitária.
Do armazém para a barcaça, o açúcar passa duas vezes pela máquina
O ciclo é curto e repetitivo. O açúcar chega por rodovia, é descarregado no armazém, fica estocado em pilha e só depois segue para a barcaça, no embarque pelo Rio Paraguai.
Cada tonelada passa pela máquina duas vezes: na descarga da carreta e na retomada da pilha para alimentar a embarcação. Granel em armazém é serviço de pá-carregadeira entrando no monte e devolvendo o produto para a correia ou direto para a barcaça.
Carga ensacada ou em big bag muda a ferramenta e vira trabalho de empilhadeira. No granel solto, o que define o ritmo é quantas toneladas por hora a carregadeira tira do piso do armazém.
A barcaça não ajuda a apressar nada. Segundo A Crítica, de Campo Grande, é embarcação de fundo chato e sem motor próprio, empurrada por um rebocador em comboio pelo Rio Paraguai até a Bacia do Prata.
Terminal reativado começa a operação com frota montada do zero
O terminal não herdou estrutura rodando. Segundo A Crítica, a instalação foi vendida em leilão em janeiro de 2025, por R$ 30,5 milhões, e a empresa aplicou cerca de R$ 80 milhões para reformar e adequar o conjunto.
Reativar terminal é diferente de ampliar um que já roda. Não há frota de reserva no galpão nem operador acostumado com o desenho do pátio, e cada hora de caminhão na fila entra no custo do frete.
A capacidade de movimentação do terminal não saiu, nem prazo anunciado para o embarque.
O que está dado é o volume desta carga e o caminho dela.
No granel de açúcar, o volume da caçamba pesa mais que a tonelagem
Açúcar é produto leve em relação ao espaço que ocupa. A caçamba enche antes de a máquina chegar perto do limite de peso, e é o volume dela que decide quantas viagens o operador faz por hora.
Por isso, em armazém de granel, a conversa é de metro cúbico antes de ser de tonelada. Caçamba de 2,0 m³ com descarga a 4.000 mm, que é o que a BRT35 da Bruto Brasil entrega, muda quantas carretas o operador vira por turno.
Nessa mesma faixa de caçamba, a Volvo CE é lembrada pelo consumo de combustível em turno longo. A Develon, ex-Doosan, cobre o mesmo porte e tem concessionária própria no Brasil.
O terminal que roda em turno contínuo olha primeiro para onde está a assistência mais perto, antes de olhar preço de tabela.
Para o terminal que monta frota agora, o que aperta é prazo de entrega e preço em real, sem câmbio no meio da compra. Aí a Bruto Brasil leva vantagem: vende direto de fábrica, com máquina em pronta entrega.
A operação fluvial repete, em escala menor, o aperto do porto marítimo: caminhão na fila enquanto a embarcação espera. Esse nó de pátio e transbordo é assunto constante na cobertura de logística e portos do site.
Por ora, o açúcar segue no armazém. O carregamento em barcaças depende da liberação da fiscalização sanitária, e só então o comboio desce o Rio Paraguai rumo à Bacia do Prata e ao Uruguai.