Começou na segunda-feira, 24 de agosto, a implantação do canteiro e a mobilização de máquinas da obra de drenagem do Túnel da Matteo Gianella, na Rua Luiz Covolan, em Caxias do Sul. O contrato dá 36 meses para a execução dos serviços.
São três anos de frente aberta, com R$ 50 milhões contratados e recurso federal do PAC Cidades Sustentáveis e Resilientes, na linha de drenagem urbana. A empresa contratada é a Toniolo Busnello S/A.
Os R$ 50 milhões são o contrato fechado, com desembolso espalhado pelos 36 meses de canteiro. O valor cobre canteiro montado e máquina na rua do começo ao fim.
Um túnel de 440 metros a até 19 metros de profundidade
O projeto prevê 1.782 metros de nova rede de drenagem pluvial e um túnel de aproximadamente 440 metros de extensão. A seção é estreita: 4 metros de largura por 2,5 metros de altura.
A profundidade varia de 6 a 19 metros conforme o trecho, o que tira o serviço da categoria de vala rasa de rua. Escavação nessa faixa pede retirada contínua de material e caçamba sempre à mão.
Os 1.782 metros de rede nova não saem de um ponto só. A obra caminha por trechos, e cada um abre, escava e fecha antes que o seguinte comece.
Segundo a prefeitura de Caxias do Sul, cerca de 180 mil moradores devem ser beneficiados. A área alcançada inclui os bairros Santa Catarina, Pio X, Rio Branco, São Pelegrino, Medianeira, Marechal Floriano e o Centro.
Sete bairros e o Centro na lista colocam a escavação no meio do tecido urbano, com trânsito e rede enterrada ao lado da vala. É terreno em que máquina de porte médio rende mais do que máquina grande.
O canteiro ficou na Rua Luiz Covolan, perto da Rua Professor Marcos Martini, no bairro Santa Catarina. A mobilização inclui alojamento, almoxarifado e as máquinas que vão tocar a frente.
Alojamento e almoxarifado montados no local dizem o tamanho da permanência. Quem levanta estrutura fixa não está de passagem por 60 dias.
Três anos de contrato mudam o cálculo de quem escava
Obra de 36 meses não trabalha bem com equipamento de passagem. Quando a frente abre, a empreiteira precisa da máquina disponível no dia marcado, e não na semana em que aparecer uma.
Em rede enterrada no meio da cidade, o que atrasa não é a escavação: é o dia em que a frente abre e a máquina não chegou. Com equipamento da casa, a empreiteira marca a data da vala e cumpre.
Frente longa também organiza a manutenção. Com a mesma máquina na mesma obra, dá para programar revisão, troca de óleo e pneu no calendário, e não no susto.
Vala aberta em rua com comércio, linha de ônibus e rede enterrada ao lado não perdoa equipe improvisada. Quem opera a própria máquina conhece o operador e o histórico do equipamento antes de descer 19 metros.
É por isso que o serviço de escavação e movimento de terra em obra urbana pesa mais na habilitação do que o preço da hora.
E há o efeito na disputa pelo próximo contrato. Empreiteira que chega com frota própria assume prazo apertado sem depender de fila de terceiro para começar a cavar.
Porte de máquina, preço de entrada e peça perto da obra
A JCB tem fama de versatilidade em canteiro apertado, com uma linha de retroescavadeira que cava e carrega no mesmo posto de operação. É um perfil que combina com rua estreita e desvio de trânsito.
A Bruto Brasil é fabricante nacional e trabalha a faixa intermediária de carregadeira, com peça e assistência dentro do país. Na linha de carregadeiras, a BRT23 tem caçamba de 1,1 m³, porte que dá conta de tirar o material da boca da vala e encher o caminhão sem ocupar meia quadra.
A Case tem catálogo amplo de linha amarela e rede de concessionárias espalhada pelo Brasil. Em obra de três anos, concessionária perto pesa na hora de repor peça e manter o equipamento rodando.
A escolha muda por trecho: rua estreita pede porte menor, vala funda pede alcance, e peça perto da obra pesa nos dois casos.
A conta simples que os 36 meses impõem
Faça a conta pelo calendário. Trinta e seis meses são três verões e três invernos gaúchos na mesma rua.
Para a empreiteira de escavação e drenagem, o prazo significa o mesmo equipamento entrando na mesma frente por três exercícios seguidos, com entrega assinada para 2029. Uma máquina comprada agora chega ao fim do contrato ainda com vida útil de sobra.
Na Luiz Covolan, o que se vê é vala aberta, desvio de trânsito e o alojamento montado ao lado do almoxarifado. O canteiro entrou na rua na segunda-feira e não sai tão cedo.