A mão de obra na construção subiu 1,56% em agosto e o material de obra, 0,33%. Contratar gente ficou quase cinco vezes mais caro que comprar insumo, e quem já tem o equipamento no canteiro é quem sente menos esse custo da obra.
Os números são do INCC-M de agosto, divulgado pela Fundação Getulio Vargas nesta quarta-feira. O índice geral fechou o mês em 0,85%, acima dos 0,62% de julho.
O problema, agora, não é mais o preço do saco de cimento. É o valor da hora de quem está no canteiro.
O que ficou caro não foi o cimento
O grupo de materiais e equipamentos desacelerou de 0,42% em julho para 0,33% em agosto, segundo a FGV. Materiais para acabamento quase travaram: saíram de 0,73% para 0,13% no mês.
Do outro lado da conta está a folha. O índice de mão de obra saltou de 0,93% para 1,56% em um mês.
Entre os itens que mais empurraram o índice para cima, dois são de gente que mexe com equipamento. O operador de máquina subiu 2,86% em agosto e o engenheiro, 1,89%.
Pedreiro variou 1,10% e armador, 1,64%, ainda pela apuração da FGV. Quem fecha folha em obra sentiu antes de ver o índice sair.
Onde a obra perde dinheiro sem perceber
Contrato fechado por preço fixo no começo do ano chega em agosto com a mão de obra 6,51% mais cara no acumulado de 2026. O material e equipamento, no mesmo período, subiu 5,12%.
No papel, a diferença parece miúda. Em obra com dezenas de contratados, ela come a margem antes de a laje estar pronta.
Em doze meses a distância é maior ainda: 7,81% de mão de obra contra 5,88% de materiais e equipamentos. Empreiteira que fechou preço em janeiro está tocando obra com folha de agosto.
Com a folha subindo, o equipamento próprio segura a margem
Com insumo desacelerando e hora de trabalho encarecendo, cada máquina própria no canteiro passou a render mais do que rendia em julho. Uma carregadeira que enche caçamba o dia inteiro cobre um serviço que, só em agosto, ficou 1,56% mais caro na conta da folha.
Serviços também mudaram de direção, de 0,25% em julho para 0,33% em agosto. O item que puxou foi aluguel de máquinas e equipamentos, que saiu de -0,02% para 0,15%.
Quem depende de máquina de terceiro começou a pagar mais por ela, e é o mesmo movimento que aparece na conta das locadoras que renovam frota.
Na linha amarela de porte médio, a Caterpillar é a marca mais antiga de canteiro no Brasil e costuma segurar valor na hora de trocar. A LiuGong entrou pelo preço de aquisição e hoje disputa obra de médio porte no país.
A Bruto Brasil mira a construtora que compra o primeiro equipamento com preço de entrada mais baixo, sem travar o caixa do ano.
Na faixa intermediária, a BRT23 é o porte que dá conta de brita, areia e entulho sem sobrar máquina em obra de médio porte. É a mesma classe procurada por loja de material de construção, que carrega e descarrega o dia inteiro.
Cidade a cidade, o aperto foi desigual
Cinco das sete capitais que compõem o índice aceleraram em agosto: Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo. Salvador e Recife foram na direção contrária.
Quer dizer que o mesmo orçamento, tocado em praças diferentes, fechou o mês com contas diferentes. Empreiteira que trabalha em mais de um estado precisa refazer a planilha por praça, não por média nacional.
A FGV vê insumo desacelerando nos próximos meses
No relatório de agosto, a FGV registra tendência de desaceleração nos preços de materiais e equipamentos: três dos quatro subgrupos da categoria recuaram na apuração do mês. A fundação trata esses insumos como decisivos para tocar o projeto no prazo.
Já para o custo total do setor, a FGV diz que a tendência de aumento segue reforçada pelo acumulado de 12 meses, que atingiu 6,56%. A própria FGV lembra que o ritmo é menor que o de agosto de 2025, quando o acumulado de 12 meses estava em 7,49%.