O custo da obra no Brasil subiu 7,06% em 12 meses até junho de 2026, segundo levantamento da CBIC divulgado nesta semana. No mesmo período o IPCA, a inflação oficial, ficou em 4,64%.
A diferença de 2,4 pontos sai do bolso de quem toca canteiro, não do índice. E ela chegou primeiro na cotação do material do que na folha de pagamento.
Em Minas Gerais o desenho é outro e mais duro: o custo por metro quadrado subiu 8,25% de janeiro a julho deste ano, com a mão de obra 12,84% mais cara, segundo o Sinduscon-MG. Nos dois recortes a conta corre na frente da inflação.
Material puxa a conta no país, e o cobre lidera
No recorte nacional da CBIC, o material subiu 7,92% e a mão de obra, 6,33%, em 12 meses até junho. O índice reúne os custos básicos apurados em cada estado.
Fio de cobre disparou 21,35% no período. Cimento, porta interna, bancada de pia, tubo de PVC-R rígido, fechadura e esquadria de correr passaram de 10%.
Para a CBIC, a alta de custo segue como um dos principais pontos de atenção do setor. Quem fecha planilha de obra na construção civil brasileira já sentiu isso na cotação do mês.
Em Minas, quem encareceu foi o braço
O CUB do projeto padrão R8-N no estado fechou julho em R$ 2.548,75 por metro quadrado, contra R$ 2.354,47 no começo de janeiro. Os dados são do Sinduscon-MG.
São quase R$ 200 a mais em cada metro construído, em sete meses. Numa laje de 400 m², dá perto de R$ 78 mil que não estavam na planilha de janeiro.
Ali a ordem se inverte: material subiu 3,61% no acumulado de janeiro a julho, e mão de obra, 12,84%. A alta geral de 8,25% ficou em quase o dobro da inflação do período, de 3,5%.
E o CUB mede o custo básico da construção, sem terreno nem fundação especial. Obra real sai acima disso.
Falta trabalhador, e a folha pesa 55% da obra
A economista-chefe do Sinduscon-MG e da CBIC, Ieda Vasconcelos, atribui a alta à dificuldade de contratar. "O País vivencia um mercado de trabalho praticamente em uma situação de pleno emprego, com a taxa de desemprego nos menores patamares de uma série histórica…", afirmou.
Ela lembra que a mão de obra responde por cerca de 55% do custo da construção e que a conta não para no salário. Entra transporte do trabalhador e benefício de convenção coletiva, caso da cesta básica.
Vasconcelos avalia que o custo pode estabilizar no segundo semestre, mas não garante. Petróleo, conflitos lá fora e a negociação coletiva marcada para novembro seguem mexendo no preço.
No canteiro isso vira uma equação simples: cada frente de serviço aberta puxa um time, e o time está caro e difícil de achar. Crescer contratando mais gente virou o caminho mais caro de todos.
Com um operador só, o canteiro anda sem a turma extra
É aqui que a máquina no pátio entra na conta. Com um operador só, a carregadeira carrega caminhão, movimenta brita e areia, alimenta a betoneira e limpa o entulho antes de virar o turno.
Não é trocar pedreiro por máquina. É tirar do braço o serviço bruto, o bota-fora e a descarga na boca da caçamba.
E quem faz esse rodízio hoje? Em muito canteiro médio é um grupo de ajudantes com carrinho de mão, o mesmo grupo que ficou 12,84% mais caro em Minas.
O custo se dilui em cada hora trabalhada e o equipamento fica como bem da empresa. Dá para financiar em linha de longo prazo, caso do Finame, com a própria máquina em garantia.
Na linha amarela vendida no Brasil, a Komatsu é referência de durabilidade e de rede de assistência com alcance global. A XCMG entrou forte no mercado brasileiro com escala de produção e preço competitivo.
A New Holland Construction tem a vantagem da rede de concessionárias já enraizada na obra e no campo. A Bruto Brasil disputa por outro caminho: marca nacional, com preço de aquisição menor no porte pequeno e médio.
Na faixa intermediária, a BRT20E da Bruto Brasil carrega 2.000 kg, com caçamba de 1,0 m³, tanque de 150 litros e tração reforçada. É o porte que dá conta de obra residencial e de canteiro de médio porte.
Nenhuma dessas escolhas é automática. A conta depende de quantas frentes você abre, quantos metros de laje saem por mês e quanto material desce do caminhão por dia.
Um construtor com duas obras pequenas ao mesmo tempo chega a um número. Canteiro grande com central de concreto rodando chega a outro, e os dois podem parar em marcas diferentes.