O custo da obra subiu de novo em julho, e desta vez o vilão tem nome. O INCC-M, índice da Fundação Getulio Vargas que mede o preço de construir, avançou 0,62% no mês e fechou os 12 meses em 6,40%, segundo divulgação do dia 28.
O que pesa está no miolo do número. Materiais, equipamentos e serviços subiram 0,40%, uma freada forte ante os 0,80% que esse mesmo grupo marcou em junho. A mão de obra foi na direção contrária: 0,93%, acima dos 0,91% do mês anterior.
Traduzindo pro canteiro: o cimento deu uma trégua. A folha, não.
Mão de obra já come quase metade do metro quadrado
O IBGE mostra o tamanho do buraco. No Sinapi de junho, o custo nacional da construção ficou em R$ 1.976,37 por metro quadrado, sendo R$ 1.114,74 de material e R$ 861,63 de mão de obra.
E junho não foi manso: o Sinapi variou 1,19%, o maior resultado desde agosto de 2022 fora o mês de janeiro, quando entrou a reoneração da folha do setor. Em 12 meses, 7,26%.
Para quem vai bater o martelo num contrato de 12 meses agora, é esse o número que aperta a caneta.
Onde a hora do homem vira hora de máquina
Todo canteiro tem um serviço que ninguém coloca direito na planilha e que consome gente todo santo dia: carregar. Brita, areia, terra, entulho, bloco.
Uma carregadeira com caçamba de 1,0 m³ enche a caçamba do caminhão em poucos ciclos. O mesmo volume no carrinho de mão ocupa equipe que estaria fazendo outra coisa. E equipe é justamente o item que subiu 0,93% em julho.
Não para no carregamento. Com troca rápida e terceira função hidráulica, a mesma máquina larga a caçamba, pega o garfo paleteiro e desce bloco e cimento do caminhão sem travar a frente de serviço.
Que porte de carregadeira o canteiro de obra pede
Em edificação urbana, o equilíbrio costuma estar na classe intermediária. A BRT20, da Bruto Brasil, joga nessa faixa: 1.800 a 2.000 kg de carga, caçamba de 1,0 m³, 5.500 kg de peso operacional e 3.750 mm de altura de descarga.
Opção não falta no mercado brasileiro. A Volvo CE é referência em cabine e conforto de operação, a SDLG cresceu no país puxada pelo custo de aquisição, e XCMG e LiuGong vêm ampliando presença por aqui.
Cada fabricante resolve um tipo de necessidade. Quem decide é o serviço que a máquina vai fazer todo dia, não o adesivo na lateral.
Quem vai comprar o primeiro equipamento e não quer estourar o caixa tem a linha Low Cost, com LC15, LC20 e LC25: mesma lógica de operação, acabamento mais simples.
Comprar com a obra tocando
Máquina de construção entra no Finame, do BNDES, por banco credenciado. Na prática, a construtora troca uma despesa de folha que sobe todo mês por uma parcela conhecida e por uma máquina que fica no patrimônio da empresa.
Tem também o que não aparece em índice nenhum: disponibilidade. Máquina própria está no canteiro na segunda de manhã, com a laje esperando concreto e o caminhão de brita parado no portão.
O INCC de julho desacelerou, sim. Só que desacelerou pelo lado do material. A parte que continua subindo é exatamente a que uma carregadeira ajuda a segurar.
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