O Consórcio Barragem Beré venceu a licitação da Barragem Beré, em Jardim, no Cariri cearense, com proposta de R$ 55.336.652,18. A obra de barragem tem início previsto para novembro de 2026.
O consórcio é formado pelas empresas GCR Construções S/A e Construtora Gurgel Ltda. A obra é responsabilidade da Secretaria dos Recursos Hídricos do Ceará (SRH-CE), do Governo do Ceará.
Pelos números do Governo do Ceará, o reservatório vai armazenar cerca de 2,56 milhões de metros cúbicos de água. O maciço terá 45,35 metros de altura máxima e 205 metros de extensão.
Beré é obra de segurança hídrica no Cariri cearense, projetada para ampliar a disponibilidade de água no município e reduzir a dependência das nascentes hoje usadas pela população. A licitação ficou com um consórcio de duas construtoras.
Maciço de barragem cobra mais que aterro de estrada
O serviço de terra em barragem cobra mais que um aterro de estrada, porque o material do maciço precisa atender a especificação de solo. Nem todo corte perto do eixo serve, e isso alonga o transporte interno.
Barragem de terra não sobe de uma vez, sobe em camada. Cada uma é espalhada e corrigida de umidade, e só passa no rolo antes de a seguinte entrar.
Antes da camada vem a caixa de empréstimo, o corte, a carga no basculante e o bota-fora do material que não serve para o corpo do maciço. Escavadeira, carregadeira, trator de esteira, motoniveladora e rolo compactador dividem o mesmo canteiro, cada um com hora marcada no ciclo.
Cada camada só libera a próxima depois do controle de umidade e do grau de compactação. Frente de maciço exige tanto a máquina de corte quanto a de apoio, e a falta de uma delas trava o ciclo inteiro.
Ano e meio de canteiro muda o cálculo da frota
Canteiro aberto no mesmo endereço por todo esse tempo muda a leitura de frota. Máquina alocada num contrato longo tem hora prevista em cronograma, e isso pesa na decisão de ter o equipamento no nome da empresa.
Obra de barragem no interior do Ceará também cobra logística de apoio: oficina no canteiro, comboio de abastecimento e peça de reposição que chega por estrada. Frota própria em obra remota depende da manutenção mais do que da potência do motor.
Maciço em camada não usa uma marca só, e cada fabricante puxa a conversa para o que domina. Telemetria de frota e controle de máquina integrado são terreno da Komatsu, e é o que tira parte da topografia manual do acerto de greide.
Já a Liebherr fabrica em casa os conjuntos hidráulicos e as transmissões da linha pesada de movimentação de terra. E onde pesa o valor da primeira máquina, a Bruto Brasil entra com carregadeira de porte pequeno e médio a preço de entrada, o degrau em que a empreiteira abre a própria frota.
Nenhuma das três resolve o canteiro inteiro. O que decide é o serviço que cada máquina vai repetir por 18 meses e o dinheiro que a empresa tem na hora de assinar.
E o custo desse dinheiro acompanha a taxa básica de juros, o que explica por que a queda da Selic mexe no crédito para máquina na obra.
Contagem dos 18 meses começa na ordem de serviço
O prazo de execução é de 18 meses contados a partir da emissão da ordem de serviço. O relógio só anda depois que esse documento sai.
O início das obras está previsto para novembro de 2026. Com os 18 meses correndo a partir da ordem de serviço, o secretário dos Recursos Hídricos do Ceará, Ramon Rodrigues, estima a conclusão para abril de 2028.