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Lucro da Tenda cai quase metade ante 2025, e sobe 3,7% sem o efeito contábil

Construção CivilPor Ricardo Tavares · Publicado em FacebookXWhatsAppLinkedIn
Lucro da Tenda cai quase metade ante 2025, e sobe 3,7% sem o efeito contábil

O lucro da construtora Tenda caiu 48,7% no terceiro trimestre de 2026 ante o mesmo trimestre de 2025. Fora uma despesa contábil, o mesmo lucro subiu 3,7% nessa mesma base.

Os dois números são verdadeiros e descrevem o mesmo período, de julho a setembro. A diferença está numa única linha do balanço.

A Tenda constrói dentro do Minha Casa Minha Vida com duas marcas, Tenda e Alea, e divulgou o balanço do trimestre em 4 de novembro, depois do fechamento do mercado.

O número do balanço era um lucro líquido consolidado de R$ 57,3 milhões, bem abaixo dos R$ 136 milhões que o consenso de analistas da LSEG projetava.

A despesa que puxou o resultado para baixo soma R$ 49,1 milhões e vem de contratos financeiros atrelados ao preço das próprias ações da companhia, os swaps.

Sem ela, o lucro do trimestre teria sido de R$ 106,4 milhões, 3,7% acima do terceiro trimestre de 2025, e a leitura do balanço viraria de ponta a ponta.

O efeito é contábil, e a própria empresa separa esse valor quando apresenta a projeção de lucro do ano.

A receita cresceu 10,5% e o caixa seguiu positivo

A receita líquida somou R$ 1,25 bilhão entre julho e setembro, 10,5% acima do mesmo trimestre de 2025.

O resultado operacional ajustado, a medida que deixa de fora juros, impostos, depreciação e amortização, ficou em R$ 207,8 milhões no trimestre. Na comparação com o mesmo período de 2025, essa linha subiu 11,1%; contra o trimestre imediatamente anterior, caiu 24,5%.

É o mesmo número lido de dois ângulos: quem compara com o ano passado vê alta de dois dígitos, quem compara com o trimestre anterior vê tombo.

A geração de caixa da operação ficou em R$ 82,4 milhões, o 14º trimestre seguido no azul, ainda que 28,5% abaixo de um ano antes.

A margem perdeu 4,8 pontos de um trimestre para o outro

A margem bruta ajustada consolidada fechou em 32,5% no terceiro trimestre, 4,8 pontos percentuais abaixo do trimestre anterior.

O diretor financeiro da companhia, Luiz Maurício Garcia, abriu essa perda item por item: preço tirou 2,6 pontos percentuais, custo de obra pesou 1 ponto e os demais efeitos responderam por 1,7 ponto.

No pedaço de preço, o principal fator foi a redução do TCD, o financiamento pró-soluto, o pedaço do valor do imóvel que o comprador paga depois de receber as chaves.

"Entendemos que é mais prudente ter um patamar de TCD menor", disse Garcia em entrevista publicada em 4 de novembro.

O mercado reagiu na quinta-feira e a ação caiu mais de 10%

Em 5 de novembro, por volta das 11h05, a ação recuava 11%, a R$ 17,53. No ano, o papel acumula queda de 27%.

No documento de resultados, a companhia atribuiu o trimestre a uma moderação no ritmo de crescimento dos resultados e listou entre os fatores a inadimplência das famílias.

Em entrevista, o diretor financeiro deu outro endereço ao aumento dos distratos, as compras canceladas depois de assinado o contrato: principalmente a greve da Caixa Econômica Federal.

Como cada um desses dois efeitos chega ao resultado do trimestre, as fontes consultadas não informam.

Já a Alea, marca de casas modulares da companhia, deu prejuízo líquido de R$ 27,7 milhões e consumiu R$ 13,3 milhões de caixa na operação.

As duas marcas tocam obra dentro do Minha Casa Minha Vida, o peso do programa nos lançamentos de moradia no país, e é de lá que vem a receita do trimestre.

Para o ano, a companhia projeta lucro líquido consolidado entre R$ 600 milhões e R$ 660 milhões, sem considerar o resultado dos swaps. Sobra o trimestre que fecha em 31 de dezembro.

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