Na ERS-437, entre Rio da Prata e o distrito de Santana, as equipes do Daer executam corte e aterro em rocha entre o km 10,66 e o km 12,9. O serviço integra a pavimentação e a recuperação de 16,6 quilômetros que o governo do Rio Grande do Sul informou estar em andamento na Serra gaúcha, em balanço divulgado na quinta-feira, 22 de outubro.
A obra recebe mais de R$ 130 milhões em investimentos do Fundo do Plano Rio Grande, o Funrigs, e está dividida em dois lotes executados pelo Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem, o Daer, vinculado à Secretaria de Logística e Transportes. O governo não informou prazo de conclusão.
São dois lotes com valores próprios: R$ 61,8 milhões entre Vila Flores e Rio da Prata, e R$ 68,3 milhões de Rio da Prata até o distrito de Santana. Cada um tem extensão, frente de serviço e projeto de contenção separados.
Não houve edital, licitação nem ordem de serviço nova: o que o governo gaúcho divulgou em 22 de outubro foi o estágio dos serviços em cada lote.
Rocha e drenagem avançam nos dois lotes
O trecho entre Rio da Prata e o distrito de Santana, em Antônio Prado, tem 7,4 quilômetros e investimento de R$ 68,3 milhões. É nele que estão em andamento os serviços de corte e aterro em rocha, entre o km 10,66 e o km 12,9.
Na mesma frente correm a escavação de galeria no km 10,9, a concretagem de bueiro no km 11,2, a montagem de gabião no km 11,78 e a execução de drenos.
O outro trecho abrange 9,2 quilômetros entre Vila Flores e Rio da Prata, com investimento de R$ 61,8 milhões. Ali as equipes trabalham na drenagem, na terraplenagem, na perfuração e no desmonte de rochas, além da execução da contenção em solo grampeado.
O veículo Leouve, que também cobriu o balanço, registra o valor fechado de R$ 130,1 milhões para os mesmos 16,6 quilômetros.
O escopo descrito pelo governo gaúcho é de pavimentação e recuperação do trecho que liga Vila Flores ao distrito de Santana. Além da terraplenagem e do desmonte, os projetos dos dois lotes trazem estruturas de contenção de encosta.
Duas contenções já executadas, 16 previstas no outro trecho
No trecho entre Vila Flores e Rio da Prata, o projeto tem três contenções: duas em muro de gabião e uma em solo grampeado. O governo informa que duas contenções já foram executadas e que a de solo grampeado está em execução.
No trecho entre Rio da Prata e o distrito de Santana, o projeto prevê a execução de 16 contenções. É o mesmo lado da obra onde corre o corte e o aterro em rocha do km 10,66 ao km 12,9.
Ali, drenos e muros de gabião entre o km 10,69 e o km 10,94 constam como concluídos, e a montagem de gabião no km 11,78 segue em andamento.
A fonte oficial liga as soluções de engenharia a eventos meteorológicos extremos, como os registrados em 2024. Ao Leouve, o Daer afirmou que as soluções adotadas consideram os danos provocados pelos eventos climáticos extremos.
O que a serra cobra da frota própria
Pedra castiga equipamento de um jeito que terra não castiga. Desmonte, bota-fora e brita encurtam o intervalo de manutenção de pneu, caçamba e transmissão, e por isso a máquina de reserva fica perto da frente.
Em rocha, o atraso de um dia não fica num dia só.
Em frente de serra, o acesso é estreito e o giro do caminhão é curto. Carregadeira quebrada no meio do turno segura a drenagem e a contenção que vêm atrás.
A conta do metro cúbico em rocha não se parece com a do solo, : o consumo sobe, o desgaste acelera e o ciclo demora mais. Este site já acompanhou serviço parecido no corte e aterro na BR-304, no Rio Grande do Norte.
Numa frente assim, o transporte do material rompido manda no ritmo do dia. Enquanto a carregadeira não enche o caminhão, o desmonte seguinte espera, e a drenagem espera junto.
Em obra pesada, a Case carrega décadas de rodagem no mercado brasileiro e uma mecânica que oficina de canteiro conhece de cor. A LiuGong trabalha com escala industrial em carregadeiras, com rede de peça que reduz tempo de parada.
A Bruto Brasil ocupa outra faixa dessa disputa: montagem nacional e preço de aquisição mais baixo, para a empresa que compra a primeira ou a segunda máquina da frota.
Ter a máquina no nome da empresa muda a agenda do empreiteiro, porque o equipamento sobe para a frente no dia em que a rocha libera, sem fila e sem contrato de terceiro no meio. Em obra de encosta, essa disponibilidade pesa tanto quanto força de arranque.
A BRT30, dessa linha, fica na classe de grande volume: 3.000 kg de capacidade de carga, caçamba de 1,8 m³, 10.100 kg de peso operacional, 4.100 mm de altura de descarga e motor Deutz Weichai de seis cilindros com 125 HP.
No trecho, o que anda agora é pedra e água: corte e aterro em rocha do km 10,66 ao km 12,9, mais drenagem, perfuração e desmonte no lado de Vila Flores. Das 19 contenções do projeto, parte já saiu do papel e o resto espera a frente abrir na encosta.