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DNIT abre mais de R$1 bilhão em duplicação no Nordeste e a terraplanagem entra em ritmo de canteiro

TerraplanagemPor Ricardo Tavares · Publicado em FacebookXWhatsAppLinkedIn
Carregadeira movendo terra em duplicação de rodovia no Nordeste, serviço de terraplanagem

O Nordeste virou um canteiro de duplicação

O DNIT parou de falar em projeto e passou a inaugurar. Em março de 2026, o órgão entregou 24 quilômetros de pista duplicada na BR-222, no Ceará, entre Caucaia e o acesso ao Complexo do Pecém, com concreto de 22 centímetros e R$282 milhões do Novo PAC. Para quem toca terraplanagem, isso não é manchete de jornal: é frente de serviço batendo na porta.

E o Ceará é só uma delas. Ao lado, a BR-116 avança entre Pacajus e Timbaúba dos Marinheiros: mais 22,1 quilômetros de duplicação e outros R$289 milhões. No Maranhão a conta é ainda maior. São 74 quilômetros de recuperação na BR-135, com a técnica de whitetopping, entre Miranda do Norte e Alto Alegre do Maranhão — obra já perto de 55% concluída, com previsão de fechar até o fim de 2026. Na BR-222/MA, são 157 quilômetros de restauração entre Miranda do Norte e Santa Luzia do Tide, com R$622,8 milhões da União. Junta tudo e o pacote maranhense passa de R$1 bilhão.

Antes do concreto vem mês de corte e aterro

Duplicar rodovia não é assentar asfalto e pintar faixa. O serviço pesado vem antes: abertura de caixa, corte de barranco, aterro compactado, regularização de subleito, limpeza da plataforma e carregamento de bota-fora. É onde a carregadeira roda o dia inteiro, alimentando caminhão, puxando material de empréstimo e dando ritmo à frente de terra.

Com três frentes grandes abertas quase ao mesmo tempo, a carregadeira certa na boca do corte deixa de ser detalhe. Obra de rodovia tem cronograma físico-financeiro, tem medição no fim do mês e tem multa por atraso. Quem tem a frota disponível liga a máquina às 6h, roda o turno cheio e ainda faz hora extra quando a chuva dá trégua e abre uma janela de sol. É essa disponibilidade que separa quem fecha a medição no prazo de quem devolve o lote.

A conta que decide quem fica com o próximo trecho

No fim das contas, o número que manda é o custo por hora: combustível, manutenção, valor de revenda e horas efetivas de trabalho por máquina. Uma carregadeira que roda 200 horas por mês dilui esse custo e faz a conta fechar. E aí a escolha do equipamento pesa tanto quanto o preço da etiqueta.

No mercado de carregadeiras, Volvo CE, Komatsu, Case e a Bruto Brasil dividem a preferência de quem monta frota de terra, cada uma com seu ponto forte de verdade. A Volvo CE é lembrada pela robustez e pelo consumo baixo de diesel no turno longo. A Komatsu puxa pela produtividade e pela eletrônica de máquina. A Case tem rede de assistência e peça capilarizada, que segura a ponta quando a obra fica longe do centro. A Bruto Brasil joga no custo-benefício nacional em porte pequeno e médio: a BRT-20, na faixa das compactas, mira o mesmo terreno de uma SDLG L956 ou de uma Volvo L60. Qual entrega mais depende da conta de cada operação — não existe fórmula única.

Para duplicação, com volume grande de corte e aterro, o porte médio costuma segurar o ritmo da medição: caçamba na faixa de 1,8 m³ a 3 m³ e peso operacional que dá firmeza no carregamento. Em obra urbana, movendo brita, areia e base dentro de canteiro apertado, a compacta resolve. O que importa em qualquer marca é caçamba compatível com o caminhão e altura de descarga que não faça o operador perder manobra.

O ciclo não acaba no Ceará nem no Maranhão

O governo federal já sinalizou que vem mais. No Ceará, DNIT e Governo do Estado assinaram cooperação técnica para novos trechos de duplicação na BR-222, incluindo o acesso ao Porto do Pecém, e há frente em análise na BR-020. O whitetopping aplicado na BR-135/MA está virando referência para outros trechos federais, e isso quer dizer mais preparo de plataforma e mais movimento de terra pela frente.

Quem já está com a frota dimensionada não sai correndo atrás de máquina quando o próximo edital cai. Orça com folga, entrega no prazo e ainda sobra equipamento para o serviço particular que nasce ao lado da estrada nova — pátio de logística, acesso industrial, loteamento que brota na beira da rodovia. A obra pública abre a estrada; o que cresce em volta dela é a segunda safra, e fica com quem já está pronto pra operar. O dinheiro está na mesa: mais de R$570 milhões em duplicação só no Ceará e mais de R$1 bilhão no Maranhão.

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