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Boi fecha agosto a R$ 345,92 a arroba e o ágio do bezerro passa de 40% na parcial do mês

Confinamentos e PecuáriaPor Ricardo Tavares · Publicado em FacebookXWhatsAppLinkedIn
Boi fecha agosto a R$ 345,92 a arroba e o ágio do bezerro passa de 40% na parcial do mês

A arroba do boi gordo subiu 3,1% em agosto e o bezerro sustentou, na parcial do mês, ágio acima de 40% sobre ela. Quem vendeu boi para o frigorífico foi recompor o rebanho pagando esse prêmio.

Segundo o Cepea, o Indicador do boi gordo terminou agosto com média de R$ 345,92 a arroba. São 3,1% acima de julho e 9,8% acima de agosto de 2025, já descontada a inflação pelo IGP-DI.

O mês teve duas metades. Na primeira quinzena a média rondou R$ 347; na segunda recuou para perto de R$ 344 e mesmo assim sustentou o patamar até o fechamento.

Por que a arroba do boi subiu e o bezerro subiu na frente dela?

Os pesquisadores do Cepea apontam menor disponibilidade de animais prontos para abate. Com escala apertada, o frigorífico teve mais dificuldade para fechar boiada e o produtor segurou lote esperando cotação melhor.

Pesa também a expectativa de uma oferta de animais de confinamento menor que a de 2025. Menos boi terminado chegando ao abate no fim do ano reduz o espaço para queda nas cotações.

O pecuarista tem segurado a venda porque enxerga espaço para mais alta no curto prazo. Essa cautela na hora de fechar negócio ajudou a manter o indicador firme mesmo na segunda metade do mês.

O outro lado da história está na reposição. Dados do Cepea para Mato Grosso do Sul colocam a arroba do bezerro quase R$ 90 acima da média nominal de agosto de 2025, um ganho de mais de 21% em doze meses.

Frente a agosto de 2024 a diferença fica perto de R$ 200 por arroba, ou 65,8%. O bezerro passou a ser o item que mais pesa na reposição do rebanho.

Menos bezerro no campo; mais peso feito dentro da porteira

Na parcial de agosto, um boi gordo de 20 arrobas pagava perto de dois bezerros, o pior número da série para o mês.

A raiz do aperto é velha conhecida do setor. O abate pesado de fêmeas nos ciclos anteriores deixou menos bezerro no campo, e agora o produtor retém matriz justamente quando recriador e confinador querem comprar.

Esse desenho empurra a pecuária de corte para a fase de alta do ciclo, com menos animal disponível e fêmea segurada dentro da porteira. Quem já tem o bezerro em casa larga na frente de quem depende do mercado.

Com bezerro caro na entrada, o ganho de peso feito dentro da fazenda vale mais. A arroba produzida no cocho passa a concorrer de igual para igual com a arroba comprada de terceiro.

Pasto formado e água no lugar certo vêm antes de qualquer máquina. Mas quem fecha ciclo dentro da própria fazenda tem no trato a parte do resultado que ainda controla.

Só que o trato tem custo próprio. O farelo acompanha o grão, e a alta da saca de soja nesta virada de safra mostra que a fonte proteica não está barata.

Trato uniforme depende de silagem bem retirada do silo e de mistura na hora certa. Máquina que não vence a face do silo obriga a operação a fracionar o serviço e a esticar o turno.

O que o silo e o vagão cobram da máquina todo dia

Confinamento que trata duas vezes por dia usa máquina para puxar silagem, abastecer o vagão e limpar a linha de cocho. Uma pá-carregadeira subdimensionada para o volume atrasa o trato e mexe direto na balança do lote.

A Komatsu fabrica máquina pesada desde 1921, quando foi fundada no Japão. A Bruto Brasil concentra a linha nos portes médios de carga.

Na linha da Bruto Brasil, a BRT25 carrega 2.500 kg e trabalha com caçamba de 1,5 m³. É o porte que conversa com o volume diário de um confinamento médio.

O tamanho da caçamba manda no número de viagens entre o silo e a linha de cocho. Menos viagem por trato significa menos hora de motor e menos diesel queimado no mesmo serviço.

A troca rápida com terceira função hidráulica ajuda quando a mesma máquina sai da silagem e assume outro implemento no mesmo turno. É menos tempo de manobra entre um serviço e outro.

Máquina própria entra no patrimônio da fazenda e pode ser financiada por linhas como o Finame do BNDES. O confinamento que compra sabe quanto paga por mês e quanto tempo o equipamento leva pra se pagar no trato.

Boi de confinamento come em hora marcada, e a máquina que serve o cocho entra nessa rotina todo dia. Dimensionar o equipamento pelo pico do trato evita gargalo quando o lote entra na reta final da engorda.

Com o bezerro entrando na fazenda pelo preço que entra, cada quilo colocado no cocho tem peso maior no resultado do lote. A balança do fim do ciclo é que diz se o trato foi bem feito.

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