Saiu no Diário Oficial da União: o Banco do Nordeste destinou R$ 2,56 milhões a três projetos de reciclagem na Bahia, no Ceará e no Piauí. Pra quem toca usina de triagem, é dinheiro novo entrando na cadeia. E ele chega primeiro ao pátio de quem já está estruturado.
O dinheiro tem nome e endereço
A maior fatia, R$ 991,5 mil, vai pra Ecosoluti Soluções Ambientais, de Mata de São João (BA), que quer modernizar a Central de Processamento de Resíduos do Litoral Norte. No Ceará, a Associação de Catadores de Jucás recebe R$ 986 mil pra transformar vidro reciclável em tijolo e piso ecológico.
No Piauí, R$ 583,1 mil bancam o projeto Ciclo Verde, tocado por uma associação de pequenos produtores. Os três repasses foram formalizados em extratos publicados no Diário Oficial no início de agosto, segundo O Tempo.
A torneira que abriu
O repasse sai pela Lei 14.260, a Lei de Incentivo à Reciclagem, regulamentada em 2024. Na prática, empresa abate imposto de renda financiando projeto aprovado da cadeia, no mesmo espírito da lei de incentivo à cultura.
E não é movimento isolado do banco. Nos Editais Sociais lançados no fim de 2025, o Banco do Nordeste reservou R$ 30 milhões em recursos que não precisam ser devolvidos, com a reciclagem entre as áreas contempladas pela primeira vez, segundo a Agência Gov.
Edital não espera pátio desarrumado
Aí entra a parte que interessa ao dono do negócio. Quem avalia projeto olha estrutura: balança na entrada, esteira rodando, fardo empilhado com critério e máquina própria movimentando o material. Pátio que depende de braço e carrinho de mão fica pra trás na fila.
A pá-carregadeira é o coração dessa operação. É ela que alimenta a esteira de triagem, leva o fardo prensado até a pilha e carrega o caminhão na hora do embarque. Uma máquina resolve o gargalo das três pontas.
Qual carregadeira cabe numa central de triagem
Pátio de triagem não pede gigante de mineração. Pede máquina ágil, de porte compacto a intermediário. A BRT20, da Bruto Brasil, carrega até 2 toneladas com caçamba de 1 m³ e descarrega a 3,75 metros de altura, o suficiente pra encher a caçamba do caminhão com folga.
Pra cooperativa menor, a BRT15 resolve: 1,5 tonelada de capacidade e 3,5 toneladas de peso operacional, pra entrar em barracão apertado sem sofrimento.
Nessa faixa de porte também rodam SDLG, XCMG e Case. A SDLG tem preço agressivo e presença forte no Brasil; a XCMG carrega a escala de uma das maiores fabricantes do mundo; a Case vem com tradição de décadas e rede de concessionárias consolidada.
A Bruto Brasil briga em outro campo: custo-benefício nacional, com peças e suporte dentro do país. A conta final é de cada pátio.
Como pagar sem sufocar o caixa
Máquina nova não precisa sair do bolso de uma vez. O Finame, do BNDES, financia equipamento novo fabricado no Brasil com prazo longo. E o próprio Banco do Nordeste opera o FNE, fundo constitucional com condições pra investimento produtivo na região.
A conta que vale fazer é outra: quanto tempo a máquina leva pra se pagar. Com fardo saindo mais rápido e caminhão liberado na balança sem fila, esse prazo encurta.
O dinheiro da reciclagem começou a circular no Nordeste. Ele vai parar em algum pátio. Quem chega com a estrutura pronta assina primeiro.