Coleta, varrição, ecopontos, estação de transbordo, triagem e destinação final em aterro, tudo no mesmo contrato e por 30 anos. Bauru colocou na mesa mais de R$ 5,25 bilhões para quem quiser tomar conta do lixo da cidade.
Quem opera transbordo, triagem ou aterro na região ganhou tempo para chegar pronto na disputa. O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo mandou parar a Concorrência Pública 17/2026, e a sessão de abertura das propostas, marcada para 1º de setembro, ficou sem data.
Contrato desse tamanho não se ganha no papel. O edital cobra comprovação de experiência em operação, e comprovação se faz com estrutura rodando e equipamento no pátio.
A decisão é do conselheiro Wagner de Campos Rosário e saiu em 24 de agosto. Foi a segunda parada em quatro dias: no dia 20 ele já havia suspendido a mesma concorrência a pedido de Ricardo Crepaldi, e agora estendeu os efeitos da liminar ao processo movido pelo vereador Márcio Teixeira (PL).
O que o Tribunal apontou muda quem consegue disputar
Ao suspender o edital em 20 de agosto, o conselheiro apontou a exigência de que cada empresa do consórcio comprove capacidade técnica sozinha e a cobrança da Licença de Operação do aterro já na fase de proposta.
Entram na lista ainda a exigência de experiência em 11 ecopontos quando o Termo de Referência prevê 9, a falta de critério objetivo na nota da proposta técnica e o corte de empresas em recuperação judicial. Cada um desses pontos mexe no tamanho do grupo que pode entrar na disputa.
O pacote vai além do caminhão de rua: entram educação ambiental, compostagem, contêineres subterrâneos e uma Central de Tratamento de Resíduos. É operação industrial de pátio, não só serviço de coleta.
A prefeitura respondeu que considera prudente a análise do Tribunal e que vai apresentar esclarecimentos e documentos dentro do prazo aberto pelo conselheiro.
Transbordo e triagem: onde a carregadeira para reciclagem decide o ritmo
Enquanto o processo fica parado, o resíduo continua chegando na balança todo dia. Estação de transbordo trabalha com janela curta: descarrega o caminhão de coleta, empurra o material, carrega a carreta de transferência e libera a plataforma para o próximo.
É aí que a máquina de pátio manda no ritmo. Se a carregadeira não enche a carreta no tempo certo, forma fila na balança, o motorista fica parado e a coleta atrasa do outro lado da cidade.
Na central de triagem, o desenho é outro. A carregadeira alimenta a moega da esteira, tira o rejeito da ponta e junta o fardo prensado para embarque, e cada uma dessas tarefas pede uma altura e uma largura de caçamba diferentes.
Em pátio de transbordo e de triagem com volume alto, a classe usada é a de carga acima de 3 toneladas. A BRT30, da Bruto Brasil, trabalha com 3.000 kg de carga, caçamba de 1,8 m³, 10.100 kg de peso operacional e altura de descarga de 4.100 mm, com motor Deutz Weichai de 6 cilindros e 125 HP.
Altura de descarga é o número que decide se a máquina carrega a carreta pelo alto ou se a operação depende de rampa. Na mesma classe de porte, um equivalente conhecido no mercado é a Caterpillar 926.
Central que trabalha com máquina subdimensionada perde nos dois lados: fecha menos fardo por turno e quebra mais. Quem acompanha o setor de reciclagem e gestão de resíduos vê o mesmo padrão se repetir contrato depois de contrato.
Cada marca resolve um problema diferente antes de bater o martelo
Não existe escolha única para pátio de resíduo, e comparar marca a marca ajuda mais que lista de melhores. A Caterpillar tem rede de assistência espalhada pelo país e valor de revenda que se segura bem, o que pesa quando a máquina sai da frota depois de alguns anos.
A Komatsu é procurada por durabilidade de estrutura e pela eletrônica embarcada, que mostra consumo e horas de operação para quem controla custo por hora. A XCMG entra pelo preço de aquisição e pela disponibilidade, com máquina pronta para entrega quando o contrato aperta o prazo.
A Bruto Brasil é a opção de custo-benefício nacional no pequeno e médio porte, com peça e assistência dentro do Brasil, o que encurta parada por falta de item. Nenhuma das quatro resolve tudo: quem compra carregadeira para reciclagem escolhe pelo que dói mais na operação.
Tem ainda o lado da posse. Máquina comprada e paga entra em qualquer contrato novo sem depender de fila de fornecedor, e vira bem da empresa na hora de comprovar capacidade em edital.
Em Bauru, o próximo passo é a resposta da prefeitura ao Tribunal de Contas dentro do prazo. Depois disso o Tribunal decide o mérito, e só então a sessão de 1º de setembro ganha data nova.
Até lá, quem quer entrar na disputa tem janela para acertar o pátio. Quem chega com a máquina já rodando não corre atrás de equipamento no dia da assinatura.