A conta do entulho começou a fechar no interior paulista. A Cetesb liberou uma usina de reciclagem de RCC em Americana que vai processar até 72 mil toneladas de resíduo de construção por ano — a licença ambiental saiu, a obra entra em campo em 2026 e a operação está prevista para 2027. E não vem sozinha: a região já ganhou o reforço de uma usina móvel do consórcio intermunicipal. Para quem tira o sustento desse mercado, o recado é curto. O entulho deixou de ser problema e virou estoque de agregado pra vender.
Duas frentes montando ao mesmo tempo na região
A usina fixa é da UTGR de Americana, do Grupo Multilixo, e vai ficar ao lado do aterro que fica junto à Represa do Salto Grande. A área já recebe resíduo de Americana, Santa Bárbara d'Oeste e Hortolândia, além de geradores da vizinhança. Em vez de enterrar concreto, tijolo, telha e argamassa, a usina brita e peneira o material até ele voltar a ser insumo. O metal separado segue pra siderurgia. O inerte vira brita, base pra terraplanagem e material pra recuperar via degradada.
Do outro lado, o Consimares — que junta Nova Odessa, Capivari, Elias Fausto, Hortolândia, Monte Mor, Santa Bárbara d'Oeste e Sumaré — botou pra rodar uma usina móvel de RCC. São 100 toneladas de entulho moídas por dia, num equipamento de R$ 3,5 milhões bancado pelo Fecop, o fundo estadual de controle da poluição. O que sai dali vira pedrisco e alimenta manutenção de estrada rural, calçada de praça e pátio de escola. Duas frentes, a mesma lógica: tirar o que ia pro buraco e transformar em produto.
Os números da virada
- 72 mil toneladas de RCC por ano na usina de Americana, prevista pra 2027.
- 100 toneladas de entulho moídas por dia na usina móvel do Consimares.
- R$ 3,5 milhões no equipamento móvel, bancados pelo Fecop.
- 7 cidades atendidas pelo consórcio intermunicipal.
A parte que ninguém mostra: alguém tem que mover o inerte
Aqui é onde o dono de central de RCC precisa tirar o olho da esteira e botar no chão do pátio. Uma central não vive do britador. Vive do que chega no britador. Entulho é pesado, sujo, irregular e não anda sozinho. Alguém tem que puxar a pilha do caminhão basculante, quebrar o material grande, alimentar a boca do britador num ritmo constante e, do outro lado, empilhar o agregado pronto e carregar o caminhão do cliente. Se essa dança trava, a capacidade da usina vira número de folheto: você licenciou 72 mil toneladas e produz metade, porque a máquina que faz o inerte circular ficou de fora da conta.
É por isso que a pá-carregadeira não é acessório numa central de RCC. É ela que decide quantas toneladas entram no britador por hora. E tonelada que não entra é tonelada que não sai como agregado faturado. Ter a carregadeira dedicada no pátio, e não uma emprestada que aparece quando dá, é o que separa a usina que entrega a capacidade licenciada da que produz pela metade.
Que máquina alimenta uma central de RCC
Pra esse serviço o que pesa é porte casado com o britador, robustez pra rodar em ambiente abrasivo o dia inteiro e consumo controlado — máquina de reciclagem trabalha oito, dez horas por dia, e cada litro de diesel conta na margem. Uma carregadeira de porte médio, com caçamba na faixa de 1,5 m³ a 2,0 m³, costuma dar o casamento certo entre velocidade de alimentação e pilha alta de agregado.
Nessa faixa dá pra montar a conta com várias marcas, cada uma forte no seu ponto. A Volvo CE tem fama de robustez e diesel comportado quando roda o dia inteiro. A Case entrega bom equilíbrio de peso e visibilidade na cabine pra operar coladinho no britador. A SDLG entra pelo preço de porta mais baixo e por uma assistência que cresceu no país. E a Bruto Brasil, nacional, joga no custo-benefício de compacta e média, com peça e suporte perto de quem opera. Comparando na mesma classe, um modelo médio da Bruto Brasil briga com equivalentes como a Volvo L60 e a SDLG L956; qual fecha melhor depende do porte da operação, do britador que vai alimentar e da peça disponível na sua região. Não tem herói: tem a conta de cada pátio.
A conta de quem toca o pátio
Reciclagem de RCC é volume e continuidade: o caminhão do cliente não espera e a pilha não pode faltar. Ter a carregadeira própria no pátio dilui o custo por hora ao longo dos anos e entra como bem da empresa no balanço. E com linha como o FINAME e o crédito do BNDES pra máquina de construção, dá pra estruturar a compra sem secar o caixa. No fim, é máquina que se paga em tonelada de agregado — desde que dimensionada pro volume real que vai passar pelo pátio.
Por que a hora é essa
Olha o que está montando nesse pedaço do interior: a Cetesb licenciou uma usina pra 72 mil toneladas por ano em Americana e as cidades do Consimares já colocaram uma usina móvel pra moer 100 toneladas de entulho por dia. Dinheiro público e privado erguendo, ao mesmo tempo, a estrutura pra tirar o RCC do buraco e virar agregado. Isso quer dizer mais entulho canalizado pra usina licenciada e mais procura por agregado reciclado, que sai mais barato que a brita de pedreira e tem mercado em obra pública e terraplanagem. A estrutura de recebimento está sendo construída agora. Quando o entulho começar a chegar em volume, quem tiver máquina no pátio pra transformar cada tonelada em faturamento é quem vai fazer a caixa girar.