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Sem plano em 67 cidades do Paraná, o contrato de lixo vira aposta para quem opera

Reciclagem e ResíduosPublicado em CompartilharTweetarPinterestWhatsApp
Sem plano em 67 cidades do Paraná, o contrato de lixo vira aposta para quem opera

O Tribunal de Contas do Paraná divulgou em 10 de agosto um raio-X que muda o chão de quem toca a coleta de lixo e a triagem no estado: 67 municípios, quase 17% dos 397 pesquisados, admitiram não ter plano municipal de gestão de resíduos nem plano de saneamento voltado ao tema. Juntas, essas cidades abrigam mais de 1 milhão de paranaenses.

Para o empresário do setor, o dado não é estatística de prateleira. Prefeitura sem plano é prefeitura que contrata sem meta, sem prazo e sem custo estimado. Quem assina do outro lado do contrato herda o improviso.

O que o tribunal achou dentro das 397 prefeituras

A pesquisa foi feita pela Coordenadoria de Acompanhamento de Atos de Gestão do TCE-PR, em outubro de 2025, com 87 perguntas obrigatórias e 79 subordinadas. O recorte com o número de paranaenses atingidos foi divulgado pelo tribunal em 10 de agosto. Segundo o TCE-PR, quase 30% dos municípios nem detalham a situação dos resíduos nos documentos que têm, e quase 64% não fizeram estudo gravimétrico. Ou seja: não sabem o que exatamente entra na caçamba.

O texto do TCE-PR é direto ao dizer o que a ausência de plano produz: "risco de gestão improvisada, baixa capacidade de acesso a recursos e fragilidade na definição de metas, custos e responsabilidades". Na boca do pátio, isso vira edital mal desenhado, aditivo no meio do caminho e repasse que atrasa.

Ter plano no papel também não garante muita coisa. O tribunal registrou que boa parte dos planos existentes é meramente formal: cumpre a exigência legal, mas não traz meta mensurável, indicador de resultado, prazo intermediário, custo estimado nem responsável pelo acompanhamento. Sem isso, ninguém cobra desempenho de ninguém, nem da prefeitura, nem da empresa contratada.

A conta da coleta de lixo não fecha em 69% das cidades

Só 31% dos municípios paranaenses afirmaram que a arrecadação com taxa ou tarifa de lixo é suficiente para sustentar o sistema de recolhimento e tratamento. Nos outros 69%, o serviço só se paga com aporte adicional do caixa municipal. Para quem presta o serviço, isso é leitura de risco: quando o orçamento aperta, a fatura do resíduo entra na fila.

A falta de balança é a raiz de quase tudo. Dos 295 municípios que declararam ter plano de resíduos, só 194 afirmaram fazer pesagem sistemática do que recolhem, 49% do total de 397. Quem opera sabe o que significa: sem tonelada medida, a medição do contrato vira estimativa, e estimativa sempre puxa discussão na hora de faturar.

Isso pesa na decisão de investir. Central de triagem e aterro precisam de carregadeira no pátio para empilhar material, alimentar esteira e carregar caminhão, e o mercado vai de marcas globais como a Volvo CE a fabricantes nacionais como a Bruto Brasil, com portes e preços diferentes. Qual delas encaixa depende do volume contratado e do prazo do contrato, e é justamente isso que fica nebuloso onde não existe plano.

164 cidades não sabem quem são os grandes geradores

O levantamento aponta que 164 municípios, 41% do total, não têm mecanismo para identificar grandes geradores: supermercado, indústria, hospital, atacadista. Onde o poder público não separa esse gerador do resíduo domiciliar, a prefeitura acaba recolhendo de graça o que deveria ser contrato privado.

Do lado do empresário, é mercado que existe e não está mapeado. Recicladora e transportadora que chegam com pesagem e destinação documentada conseguem vender direto ao gerador, sem depender do repasse municipal. Outro número do mesmo relatório reforça o ponto: quase 42% das prefeituras não tratam a gestão de resíduos como oportunidade de emprego e renda. Vale acompanhar as análises de contratos e mercado de recicláveis antes de montar proposta.

O TCE-PR informou que o levantamento vai subsidiar as próximas ações de fiscalização do tribunal na área, sem data anunciada. Até lá, quem depende de contrato municipal no Paraná faz bem em checar se a cidade onde opera está entre as 67 que declararam não ter plano.

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